Duas pessoas com a mesma idade cronológica podem apresentar sinais diferentes de envelhecimento no cérebro, coração, fígado ou sistema imunológico, e essas diferenças também podem variar entre homens e mulheres. Um estudo publicado em setembro de 2026 desenvolveu 38 modelos de idade biológica específicos por sexo e encontrou padrões distintos em vários órgãos e sistemas. Isso, porém, não significa que um dos sexos envelheça mais rápido de maneira geral.
Como os pesquisadores mediram a idade biológica dos órgãos?
O estudo Sex-specific biological aging clocks across organs and omics, publicado em 16 de setembro de 2026 na Nature Medicine, utilizou inteligência artificial para estimar a idade de diferentes sistemas do organismo a partir de dados de ressonância magnética, proteínas do sangue e metabólitos.
Os pesquisadores criaram modelos separados para homens e mulheres e avaliaram 15 sistemas do organismo. A diferença entre a idade prevista pelo modelo e a idade cronológica foi utilizada como um indicador de envelhecimento biológico. Esse conceito é diferente da idade no documento e tenta representar alterações do organismo associadas ao passar dos anos. Entenda melhor o que é envelhecimento biológico.
Em quais partes do corpo apareceram diferenças?
As diferenças entre homens e mulheres não seguiram um único padrão e dependeram tanto do órgão quanto do tipo de informação analisada:
- Cérebro, com diferenças em modelos baseados em exames de imagem e em algumas relações com declínio cognitivo;
- coração e sistema cardiovascular, nos quais alguns modelos apresentaram associações diferentes com doenças futuras;
- fígado e metabolismo, com diferenças em características genéticas e metabólicas ligadas ao envelhecimento;
- sistema imunológico e endócrino, que também apresentaram padrões distintos entre os sexos;
- outros órgãos, enquanto alguns modelos, como os relacionados ao baço, pâncreas e tecido adiposo em determinadas análises, mostraram diferenças menos claras.
Nas análises posteriores, os autores utilizaram 18 modelos masculinos e 20 femininos que não apresentaram sinais importantes de sobreajuste. Os resultados também indicaram que alguns desses relógios se relacionavam de formas diferentes com doenças e mortalidade ao longo do acompanhamento.

Isso significa que homens ou mulheres envelhecem mais rápido?
Não. O estudo não identificou uma velocidade única de envelhecimento capaz de colocar homens e mulheres em uma escala geral. Um sistema pode apresentar determinada diferença entre os sexos enquanto outro mostra um padrão diferente ou praticamente nenhuma diferença.
Além disso, esses relógios são modelos estatísticos construídos para comparar uma pessoa com referências do mesmo sexo. Parte das diferenças observadas pode refletir características biológicas próprias dessas referências, e não necessariamente dano ou envelhecimento acelerado. Os próprios pesquisadores destacam que grande parte da biologia do envelhecimento é compartilhada entre homens e mulheres.
O que esses relógios podem revelar no futuro?
A principal utilidade dessa abordagem é investigar se considerar o sexo pode tornar alguns modelos de envelhecimento mais informativos:
- identificar alterações de órgãos que podem passar despercebidas em modelos que agrupam homens e mulheres;
- estudar por que determinadas doenças apresentam padrões diferentes entre os sexos;
- avaliar relações entre envelhecimento de órgãos, genética e metabolismo;
- investigar associações com risco futuro de doenças e mortalidade;
- desenvolver ferramentas mais específicas para pesquisas sobre envelhecimento e doenças relacionadas à idade.
Um dos exemplos avaliados foi o cérebro. Os pesquisadores encontraram diferenças nas associações entre relógios de envelhecimento cerebral e progressão de alterações cognitivas, incluindo análises relacionadas à doença de Alzheimer. Isso ainda não transforma esses modelos em exames capazes de prever individualmente quem desenvolverá a doença.
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Idade biológica já pode ser usada para avaliar a saúde individual?
Ainda não da mesma forma que exames clínicos já validados. Os modelos utilizados no estudo são ferramentas de pesquisa e precisam ser avaliados em diferentes populações antes que possam orientar decisões médicas individuais. Uma idade prevista maior para determinado órgão também não equivale automaticamente à presença de uma doença.
Na prática, sinais como perda importante de força, alterações persistentes de memória ou redução da capacidade de realizar atividades habituais merecem avaliação profissional. Condições associadas ao envelhecimento, como a sarcopenia, podem ser investigadas e tratadas de acordo com os sintomas e o estado de saúde de cada pessoa.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação ou orientação de um profissional de saúde.








