Um novo medicamento biológico chamado tozorakimabe reduziu a frequência de pioras moderadas e graves da DPOC em dois grandes ensaios clínicos de fase 3. O benefício foi observado em pacientes que continuavam apresentando exacerbações apesar do tratamento inalatório habitual. Os resultados são promissores, mas o medicamento ainda não substitui as bombinhas e não deve ser entendido como cura para a doença.
Quanto o tozorakimabe reduziu as crises?
Os estudos OBERON e TITANIA avaliaram adultos com DPOC sintomática que haviam apresentado pelo menos duas exacerbações moderadas ou uma grave no ano anterior, mesmo usando tratamento inalatório de manutenção. Ao todo, 2.306 pacientes participaram dos dois ensaios.
No Tozorakimab to Prevent COPD Exacerbations, publicado em 2026 no New England Journal of Medicine, a redução na taxa anual de exacerbações moderadas ou graves ficou em torno de 29% a 34% entre ex-fumantes, dependendo do estudo. Na população total, que incluiu fumantes e ex-fumantes, a redução foi de aproximadamente 29% a 30%.
O que significa ter menos exacerbações?
Exacerbação é uma piora aguda dos sintomas da DPOC, como aumento da falta de ar, tosse ou catarro, que exige mudança no tratamento. Nos ensaios, os pesquisadores consideraram eventos moderados e graves.
- exacerbações moderadas podem exigir corticoide sistêmico, antibiótico ou ambos;
- exacerbações graves podem levar a atendimento de emergência ou hospitalização;
- essas pioras podem acelerar a perda de função pulmonar e prejudicar a qualidade de vida;
- ter crises repetidas aumenta o risco de novas exacerbações no futuro;
- reduzir sua frequência é um dos principais objetivos do tratamento da DPOC.
O tozorakimabe não foi testado para substituir os tratamentos inalatórios. Nos estudos, ele foi acrescentado ao tratamento padrão que os participantes já utilizavam.

Como esse novo medicamento funciona?
O tozorakimabe é um anticorpo monoclonal aplicado por injeção subcutânea a cada quatro semanas. Ele bloqueia a interleucina-33, ou IL-33, uma molécula envolvida em processos inflamatórios das vias respiratórias e na alteração da produção de muco.
Um ponto relevante é que os estudos não limitaram a participação a pacientes com níveis elevados de eosinófilos, um tipo de célula inflamatória do sangue. O benefício apareceu em diferentes faixas de eosinófilos, embora a magnitude da redução das exacerbações tenha variado entre os subgrupos. Isso pode ampliar o interesse pelo medicamento em comparação com terapias biológicas voltadas a perfis inflamatórios mais específicos.
Quais cuidados são necessários ao interpretar os resultados?
Apesar dos resultados positivos, ainda existem pontos importantes antes de pensar em uso amplo do medicamento.
- os participantes tinham DPOC com histórico recente de exacerbações frequentes;
- o medicamento foi estudado como tratamento adicional, e não como substituto dos inaladores;
- os estudos duraram 52 semanas;
- os eventos adversos ocorreram em proporções semelhantes entre tozorakimabe e placebo nos dois ensaios;
- reação no local da aplicação foi o evento considerado relacionado ao medicamento;
- os estudos foram financiados pela AstraZeneca, fabricante do tozorakimabe;
- os resultados não significam que todo paciente com DPOC terá o mesmo benefício.
O tratamento atual da doença continua podendo incluir broncodilatadores, corticoides inalados em casos selecionados, fisioterapia respiratória, vacinação e interrupção do tabagismo. A bronquite crônica, por exemplo, faz parte do espectro da DPOC e exige manejo contínuo.

O tozorakimabe já está disponível para pacientes?
Não de forma rotineira. Em setembro de 2026, o tozorakimabe ainda está em processo de avaliação regulatória. Nos Estados Unidos, o pedido de aprovação recebeu revisão prioritária da FDA, com decisão esperada para o primeiro trimestre de 2027. O medicamento também está sob análise em outros mercados.
Isso significa que os resultados dos ensaios não autorizam iniciar ou trocar tratamento por conta própria. Pessoas com falta de ar piorando, crises frequentes, aumento importante de catarro ou necessidade recorrente de atendimento devem procurar um pneumologista para reavaliar o controle da DPOC e o tratamento atual.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizado por um profissional de saúde.









