Perder peso sem intenção e perceber mais esquecimentos na terceira idade são sinais que merecem atenção e podem aparecer ao mesmo tempo. A alimentação não explica todos os casos de perda de memória, mas a desnutrição pode coexistir com o declínio cognitivo e agravar a vulnerabilidade do idoso. Um ensaio clínico publicado em 2026 mostrou que melhorar a qualidade da dieta e aumentar a oferta de proteínas ajudou idosos em risco nutricional e produziu um pequeno benefício na cognição global.
Por que perda de peso e esquecimentos podem aparecer juntos?
A desnutrição não significa apenas estar muito abaixo do peso. Ela pode surgir quando o organismo recebe menos energia, proteínas, vitaminas e minerais do que necessita, situação favorecida por falta de apetite, dificuldade para mastigar ou engolir, doenças, medicamentos e menor interesse pela comida.
Ao mesmo tempo, alterações cognitivas podem dificultar comprar alimentos, preparar refeições ou lembrar de comer. Por isso, perda de peso involuntária e piora cognitiva podem se alimentar mutuamente. Isso não significa, porém, que todo esquecimento no idoso seja causado por deficiência nutricional ou que corrigir a dieta reverta uma doença neurológica.
O que o estudo PROMED-EX encontrou?
O ensaio clínico randomizado Effect of a PROtein-enriched MEDiterranean diet and EXercise on nutritional status and cognitive performance in older adults at risk of undernutrition and cognitive decline, publicado online em agosto de 2026 no American Journal of Clinical Nutrition, incluiu 105 pessoas com 60 anos ou mais, idade média de aproximadamente 68 anos, que viviam na comunidade e apresentavam risco de desnutrição e queixas cognitivas subjetivas.
Após seis meses, os grupos que receberam orientação personalizada para uma dieta mediterrânea enriquecida em proteínas, com ou sem programa de exercícios em casa, apresentaram melhora de cerca de 2,7 a 2,9 pontos no Mini Nutritional Assessment em comparação ao grupo controle. A melhora já aparecia aos três meses e foi mantida até o final do estudo.

A memória também melhorou?
Os resultados cognitivos foram mais modestos e mostram por que alimentação adequada não deve ser apresentada como tratamento para perda de memória.
- Cognição global apresentou uma pequena melhora nos dois grupos que receberam intervenção alimentar em comparação ao controle.
- Função executiva, que participa de tarefas como planejamento, organização e controle da atenção, foi a área que mais contribuiu para esse resultado.
- Memória não apresentou diferença significativa entre os grupos ao final do estudo.
- Exercício não acrescentou um benefício cognitivo claro à intervenção alimentar, e a adesão ao programa de atividade física foi baixa.
- O estudo foi relativamente pequeno, com 105 participantes randomizados e 89 completando os seis meses, o que limita a generalização dos resultados.
Assim, o ensaio sugere que corrigir o risco nutricional pode fazer parte do cuidado global do idoso, mas não demonstra que aumentar proteínas ou seguir uma dieta mediterrânea previna demência ou recupere a memória perdida.

O que observar quando um idoso começa a comer menos?
Algumas mudanças ajudam a identificar quando a alimentação merece ser investigada junto com as alterações de memória.
- Perda de peso sem dieta ou intenção de emagrecer.
- Roupas ficando mais largas em poucas semanas ou meses.
- Diminuição persistente do apetite ou abandono frequente das refeições.
- Dificuldade para mastigar, engolir ou preparar a própria comida.
- Fraqueza, redução da força ou maior dificuldade para atividades habituais.
- Esquecimento das refeições ou dificuldade para organizar compras e cozinhar.
- Alimentação muito restrita, repetitiva ou com poucas fontes de proteínas.
A quantidade adequada de proteína e energia varia conforme peso, função renal, doenças existentes, nível de atividade e estado nutricional, por isso a meta usada no estudo não deve ser reproduzida por conta própria. Perda de peso involuntária, fraqueza progressiva, falta de apetite ou esquecimentos que estão aumentando e interferindo na rotina devem ser avaliados por médico e nutricionista para investigar causas nutricionais, metabólicas, medicamentosas e neurológicas.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação médica profissional.









