Kefir e kombucha passam por fermentação e podem conter microrganismos vivos, mas não são equivalentes quando o assunto é microbiota intestinal. O kefir costuma reunir principalmente bactérias lácticas e diferentes leveduras, enquanto a kombucha é produzida a partir de chá adoçado fermentado por uma comunidade de bactérias e leveduras conhecida como SCOBY. Como a composição microbiana e as substâncias produzidas durante a fermentação são diferentes, os efeitos no intestino também podem variar.
Qual é a principal diferença entre kefir e kombucha?
O kefir tradicional é preparado com grãos que abrigam uma comunidade de bactérias e leveduras. Entre elas estão diferentes bactérias lácticas, incluindo espécies relacionadas aos lactobacilos, além de leveduras como Saccharomyces e Kluyveromyces. No kefir de leite, esses microrganismos fermentam principalmente a lactose.
Já a kombucha geralmente começa com chá preto ou verde adoçado. O SCOBY contém leveduras e bactérias, especialmente bactérias produtoras de ácido acético, que transformam parte do açúcar em ácidos orgânicos e outros compostos durante a fermentação.
O que a ciência mostra sobre esses dois fermentados?
Segundo a revisão científica Fermented Beverage Benefits: A Comprehensive Review and Comparison of Kombucha and Kefir Microbiome, publicada na revista Fermentation, kefir e kombucha apresentam comunidades microbianas diferentes e grande variação conforme os ingredientes, as culturas utilizadas e as condições de fermentação.
Essa diferença é importante porque não existe um único “efeito dos fermentados” sobre o intestino. Bactérias, leveduras e compostos formados durante cada fermentação podem interagir de maneiras distintas com a microbiota. Além disso, boa parte das evidências sobre efeitos específicos ainda vem de estudos laboratoriais e em animais, enquanto os ensaios clínicos em humanos continuam mais limitados.

Como cada bebida pode agir na microbiota intestinal?
As principais diferenças observadas entre os dois fermentados ajudam a explicar por que seus possíveis efeitos intestinais não são idênticos:
- Kefir: costuma oferecer uma comunidade rica em bactérias lácticas e leveduras, além de compostos produzidos durante a fermentação;
- Kefir de leite: pode facilitar a digestão da lactose em algumas pessoas porque os microrganismos consomem parte desse açúcar;
- Kombucha: reúne bactérias acéticas, leveduras e, dependendo da cultura, bactérias lácticas;
- Chá fermentado: fornece também polifenóis provenientes do chá e ácidos orgânicos gerados pelo SCOBY;
- Resposta individual: a microbiota de cada pessoa, a alimentação e a frequência de consumo podem modificar os efeitos percebidos.
Por isso, consumir um desses alimentos não garante que determinadas bactérias permanecerão de forma permanente no intestino. Os efeitos dos probióticos e dos fermentados dependem do microrganismo presente, da quantidade consumida e das características de quem os utiliza.
Por que o produto caseiro pode ser diferente do industrializado?
A composição final pode mudar bastante entre lotes e marcas, por diversos fatores:
- tipo de leite, água ou chá utilizado;
- origem e composição dos grãos de kefir ou do SCOBY;
- quantidade de açúcar disponível para fermentação;
- tempo e temperatura de fermentação;
- filtragem ou pasteurização depois da produção;
- condições de armazenamento;
- adição de açúcar, frutas, aromatizantes ou outros ingredientes.
Alguns produtos industrializados passam por processos que reduzem ou eliminam microrganismos vivos, enquanto outros utilizam culturas mais controladas para obter maior padronização. Nas versões caseiras ocorre o contrário: a diversidade pode ser maior, mas também existe maior variação entre preparos e risco de contaminação se recipientes, mãos e utensílios não forem higienizados adequadamente.
Para entender melhor como os fermentados e os probióticos participam da saúde intestinal, veja também este conteúdo do canal oficial do Tua Saúde.
Kefir ou kombucha podem ser usados para tratar problemas intestinais?
Apesar do interesse científico, nenhuma das duas bebidas deve ser encarada como tratamento isolado para constipação, síndrome do intestino irritável, gastrite ou outras doenças digestivas. A resposta varia muito entre indivíduos, e algumas kombuchas ainda podem fornecer quantidade relevante de açúcar, acidez e pequenas quantidades de álcool resultantes da fermentação.
Pessoas com imunidade muito comprometida, gestantes, crianças pequenas ou indivíduos com doenças gastrointestinais importantes devem ter cautela especialmente com preparações caseiras. Se houver sintomas persistentes, como dor abdominal, diarreia frequente, sangue nas fezes ou perda de peso sem explicação, é importante buscar orientação médica profissional antes de tentar tratar o problema apenas com alimentos fermentados.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação médica profissional.








