Formigamento persistente nos pés, sensação de queimação nas solas e progressiva perda de sensibilidade são sinais que muitas pessoas com diabetes ignoram, mas que podem indicar neuropatia diabética, uma complicação frequente e subdiagnosticada da doença. Reconhecer esses sintomas cedo é essencial para evitar úlceras, infecções e até amputações, especialmente porque os danos aos nervos avançam silenciosamente enquanto os níveis de glicose permanecem descontrolados.
O que é neuropatia diabética e por que ela surge?
A neuropatia diabética é o dano progressivo aos nervos periféricos causado pelo excesso de glicose no sangue por longos períodos. Esse acúmulo prejudica a estrutura e o funcionamento dos nervos, principalmente os mais longos, que se estendem até os pés.
Os primeiros sintomas costumam aparecer nas extremidades inferiores porque essas fibras nervosas são mais vulneráveis à hiperglicemia, resultando em formigamento, dor em queimação e alterações de sensibilidade que evoluem lentamente.
Por que a neuropatia diabética é tão subdiagnosticada?
Muitos pacientes convivem com formigamento leve ou dormência nos pés durante anos sem procurar avaliação médica, atribuindo os sintomas ao cansaço ou à idade. Somado a isso, a triagem clínica com testes simples como o monofilamento nem sempre é realizada de rotina nas consultas.
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, o rastreamento periódico dos pés é fundamental para detectar precocemente a neuropatia periférica em qualquer paciente com diabetes tipo 1 ou tipo 2, mesmo sem sintomas evidentes.

Quais são os principais sinais de alerta nos pés?
Identificar os sintomas iniciais aumenta as chances de conter a progressão dos danos. Fique atento aos seguintes sinais:
- Formigamento persistente: sensação de agulhadas ou pequenos choques que aparecem principalmente à noite.
- Queimação nas solas: ardência que pode ser leve ou intensa, incomodando o descanso e o sono.
- Perda de sensibilidade: dificuldade para perceber pequenos machucados, mudanças de temperatura ou o contato com a superfície.
- Dor tipo choque ou pontada: desconforto que aparece sem causa aparente e piora com o tempo.
- Alterações na marcha: sensação de andar sobre algodão ou desequilíbrio ao caminhar em superfícies irregulares.
Como um estudo científico confirma a alta prevalência?
Pesquisas recentes reforçam a magnitude do problema. Uma revisão sistemática e metanálise intitulada Prevalence and risk factors for painful diabetic peripheral neuropathy: a systematic review and meta-analysis, publicada no periódico Frontiers in Neurology, analisou 14 estudos com pacientes diabéticos para investigar essa complicação.
Segundo Prevalence and risk factors for painful diabetic peripheral neuropathy: a systematic review and meta-analysis publicado no Frontiers in Neurology, a neuropatia periférica diabética dolorosa afeta cerca de um terço dos pacientes com diabetes, e a análise identificou fatores como hipertensão, tabagismo, obesidade e tempo de doença como agravantes, reforçando a importância da triagem regular para prevenir o avanço para pé diabético e suas complicações.

Quando procurar avaliação médica especializada?
É indicado marcar consulta com um endocrinologista ou neurologista quando surgem formigamento, queimação ou dormência persistentes nos pés, especialmente em quem já tem diagnóstico de diabetes. O exame clínico com monofilamento e diapasão permite avaliar a sensibilidade tátil e vibratória, sinais precoces do comprometimento nervoso.
O tratamento envolve controle rigoroso da glicemia, alimentação equilibrada, atividade física regular e, quando necessário, uso de medicamentos específicos para dor neuropática, sempre com acompanhamento profissional. Diante de qualquer alteração persistente na sensibilidade dos pés, procure um médico qualificado para avaliação completa e orientação individualizada.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um endocrinologista ou neurologista. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado diante de sintomas persistentes de neuropatia ou complicações do diabetes.








