Ficar muitas horas sem beber água ou outros líquidos pode reduzir o volume de urina e deixá-la mais concentrada, aumentando a quantidade de substâncias capazes de formar cristais. Em pessoas predispostas, esse ambiente favorece o desenvolvimento de cálculos renais. A hidratação adequada ajuda a diminuir esse risco, mas não é o único fator envolvido: alimentação, genética, alterações metabólicas e o tipo de cálculo também precisam ser considerados.
Por que beber pouca água favorece a formação de pedras?
Os rins eliminam pela urina substâncias como cálcio, oxalato e ácido úrico. Quando há pouco líquido disponível, o organismo produz menos urina e esses componentes ficam mais concentrados, aumentando a possibilidade de se aproximarem e formarem pequenos cristais.
Com o tempo, esses cristais podem crescer e originar uma pedra nos rins. Isso não significa que passar algumas horas sem água necessariamente produzirá um cálculo, mas repetir períodos prolongados de baixa hidratação pode ser especialmente desfavorável para quem já apresenta outros fatores de risco.
Quem tem maior risco de desenvolver cálculo renal?
A predisposição varia bastante entre as pessoas. Quem já teve uma pedra anteriormente apresenta maior preocupação com recorrências, enquanto alterações hereditárias ou metabólicas podem aumentar a concentração de determinadas substâncias na urina.
O excesso de sódio também merece atenção porque pode aumentar a eliminação urinária de cálcio. Já concentrações elevadas de ácido úrico podem favorecer determinados tipos de cálculo, mostrando por que a prevenção não deve ser resumida apenas à quantidade de água ingerida.

Quais fatores favorecem a formação dos cálculos?
Além da baixa ingestão de líquidos, diferentes características podem contribuir para que os cristais se formem e aumentem de tamanho.
- Histórico pessoal ou familiar: algumas pessoas apresentam maior predisposição genética para formar cálculos;
- Consumo elevado de sódio: pode aumentar a quantidade de cálcio eliminada pela urina;
- Ácido úrico elevado: pode participar da formação de cálculos de ácido úrico e influenciar outros tipos de pedra;
- Alterações no cálcio ou oxalato urinário: podem facilitar a cristalização quando presentes em concentrações elevadas;
- Algumas doenças e medicamentos: determinadas condições metabólicas, intestinais e renais podem modificar a composição da urina.
Estudo confirma que aumentar o volume de urina ajuda a evitar novas pedras
A relação entre hidratação e recorrência de cálculos foi demonstrada em pesquisa com acompanhamento prolongado. Segundo o estudo Urinary volume, water and recurrences in idiopathic calcium nephrolithiasis: a 5-year randomized prospective study, publicado no Journal of Urology, aumentar a ingestão de água esteve associado a menos recorrências de cálculos renais em pessoas que já haviam apresentado um primeiro episódio.
Ao longo de cinco anos, houve recorrência em 12 de 99 participantes orientados a aumentar o consumo de água, em comparação com 27 de 100 participantes do grupo sem essa intervenção. O estudo também mostrou redução da supersaturação urinária de substâncias envolvidas na formação de cálculos, reforçando a importância do volume urinário na prevenção.
Veja também como a alimentação e a hidratação fazem parte da prevenção de diferentes tipos de pedra nos rins.
Como diminuir o risco de formar novos cálculos?
A estratégia preventiva precisa considerar o histórico e o tipo de cálculo de cada pessoa. Algumas medidas são importantes para reduzir a concentração de substâncias capazes de cristalizar na urina.
- Beber líquidos regularmente: distribuir a hidratação ao longo do dia ajuda a manter maior volume urinário;
- Evitar excesso de sal: reduzir alimentos muito salgados e ultraprocessados pode diminuir a excreção urinária de cálcio;
- Ajustar a alimentação: restrições de cálcio, oxalato, purinas ou proteínas não devem ser feitas indiscriminadamente;
- Observar sintomas: dor forte na região lombar, sangue na urina, náuseas ou dor ao urinar podem estar relacionados a sintomas de pedra nos rins;
- Individualizar a hidratação: a quantidade de água por dia varia conforme peso, clima, atividade física, dieta e condições de saúde.
Pessoas que já tiveram cálculos podem precisar de investigação da composição da pedra e de exames de sangue e urina para identificar fatores específicos de risco. A hidratação é um dos pilares da prevenção, mas não substitui ajustes alimentares ou tratamentos indicados para alterações metabólicas. Quem apresenta cálculos recorrentes ou sintomas urinários deve buscar orientação médica, de preferência com urologista ou nefrologista.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizado por médico ou outro profissional de saúde qualificado.








