A picada de escorpião é atualmente o tipo de acidente com animal peçonhento mais registrado no Brasil. Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2023, foram mais de 202 mil ocorrências, correspondendo a quase 59% das notificações envolvendo animais peçonhentos no país. Embora a maioria dos casos seja leve, o veneno pode causar manifestações graves, principalmente em crianças, e chegar rapidamente a um serviço de saúde pode fazer diferença na evolução do quadro.
Por que as picadas de escorpião se tornaram tão frequentes?
Os acidentes escorpiônicos têm característica predominantemente urbana. Algumas espécies, especialmente o escorpião-amarelo, adaptam-se facilmente às cidades e encontram abrigo em entulhos, frestas, redes de esgoto e outros locais próximos às residências, onde também existe oferta de alimento, como baratas.
Segundo o Ministério da Saúde, em 2023 foram registrados 202.714 acidentes com escorpiões entre 344.138 notificações envolvendo animais peçonhentos. Saber reconhecer uma picada de escorpião e procurar atendimento rapidamente é especialmente importante porque a gravidade não pode ser determinada apenas pela aparência inicial da lesão.
Por que o tempo até o atendimento faz diferença?
A dor costuma surgir imediatamente e pode ser acompanhada de vermelhidão, formigamento e suor no local. Nos quadros moderados ou graves, podem aparecer vômitos, suor intenso, agitação, alterações da pressão arterial e dos batimentos cardíacos, dificuldade para respirar e outras manifestações sistêmicas.
Uma evidência importante vem do Risk factors for fatal scorpion envenoming among Brazilian children. Segundo o estudo publicado na Transactions of the Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene, que analisou acidentes em crianças brasileiras, o atendimento iniciado após três horas esteve associado aos casos fatais, enquanto o uso precoce e adequado do soro apresentou efeito protetor. O resultado reforça especialmente a importância de não esperar os sintomas piorarem em crianças.

O que fazer logo após uma picada de escorpião?
As primeiras medidas devem ser simples e não podem atrasar a procura por atendimento médico:
- lavar cuidadosamente o local com água e sabão;
- manter a pessoa calma e afastada do animal;
- procurar rapidamente um pronto atendimento ou serviço de referência;
- fotografar o escorpião, se isso puder ser feito sem risco de uma nova picada;
- informar aos profissionais o horário aproximado em que o acidente aconteceu;
- acionar o SAMU pelo número 192 em situações de emergência.
O que não deve ser feito depois da picada?
Algumas práticas populares não retiram a peçonha e ainda podem provocar ferimentos ou atrasar os primeiros socorros adequados:
- não cortar ou furar o local da picada;
- não tentar sugar o veneno com a boca;
- não apertar ou espremer a região;
- não fazer torniquete;
- não passar álcool, querosene, borra de café, ervas ou outras receitas caseiras;
- não tentar capturar o animal se houver risco de sofrer outra picada.
O vídeo do Tua Saúde explica de forma prática como agir diante de uma picada de escorpião e quais atitudes devem ser evitadas.
Quem precisa de atenção ainda mais rápida?
Crianças são o grupo com maior risco de desenvolver envenenamento sistêmico grave, especialmente as menores de 10 anos. A quantidade de peçonha em relação ao peso corporal ajuda a explicar essa vulnerabilidade. Idosos também merecem avaliação cuidadosa, principalmente quando apresentam outras condições de saúde.
Mesmo quando existe apenas dor no início, não é possível prever em casa se o quadro permanecerá leve. O tratamento hospitalar depende da gravidade e pode envolver controle da dor, observação e, nos casos moderados ou graves, soro antiescorpiônico. Por isso, diante de uma suspeita de acidente, a orientação é buscar rapidamente um serviço de saúde e seguir a avaliação de um profissional médico.
Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizado por médico ou outro profissional de saúde qualificado.








