Perder até 100 fios por dia faz parte do ciclo normal do cabelo, mas quando a queda passa a ser visível na escova, no travesseiro e no ralo do chuveiro, o estresse raramente é a única explicação. Na maior parte dos casos, o quadro é um eflúvio telógeno associado a deficiências nutricionais silenciosas, especialmente ferritina baixa e vitamina D insuficiente. Reconhecer esse cenário ajuda a investigar as causas certas antes de recorrer a suplementos por conta própria.
O que é o eflúvio telógeno?
O eflúvio telógeno é o tipo mais comum de queda difusa e acontece quando um número maior de folículos entra prematuramente na fase de repouso do ciclo capilar. Cerca de dois a três meses depois do gatilho, esses fios caem de forma sincronizada, sem criar áreas de calvície localizada.
Os gatilhos incluem estresse físico ou emocional, cirurgias, febres altas, dietas restritivas, pós-parto, alterações da tireoide e, com frequência subestimada, deficiências nutricionais. Por isso, identificar a causa real é o passo mais importante para reverter o quadro.
Por que a deficiência de ferro afeta os cabelos?
O ferro é essencial para a oxigenação das células do folículo piloso e para a divisão celular que sustenta o crescimento do fio. Quando os estoques caem, o organismo prioriza órgãos vitais e reduz o aporte ao couro cabeludo, encurtando a fase de crescimento.
Esse cenário pode acontecer mesmo antes de o hemograma indicar anemia. A ferritina baixa é um marcador precoce e costuma aparecer em mulheres em idade fértil, gestantes e pessoas com dietas restritivas, sendo uma causa frequente de queda difusa, como acontece nos quadros de anemia ferropriva.

Como a falta de vitamina D contribui para a queda?
A vitamina D atua diretamente nos receptores do folículo capilar, participando da regulação do ciclo de crescimento dos fios. Níveis baixos estão associados a maior tendência ao eflúvio telógeno e a outras formas de alopecia não cicatricial.
Como essa vitamina é produzida principalmente pela exposição solar, pessoas que passam muito tempo em ambientes fechados, usam protetor solar de forma contínua ou têm pele mais escura estão entre as mais propensas à deficiência, muitas vezes sem sintomas evidentes além da queda capilar.
O que diz um estudo científico sobre o tema?
A relação entre queda de cabelo e deficiências nutricionais foi investigada de forma sistemática na literatura dermatológica. Segundo o estudo Vitamin and Mineral Deficiencies in Patients With Telogen Effluvium, publicado no Journal of Drugs in Dermatology e indexado no PubMed, a prevalência de deficiências de vitamina D, ferritina e zinco em pacientes com eflúvio telógeno é significativa.
Os autores concluem que essas dosagens laboratoriais devem fazer parte da avaliação inicial de quem apresenta queda capilar persistente, reforçando a importância de investigar antes de suplementar.

Quando procurar avaliação médica?
Nem toda queda é sinal de doença, mas alguns sinais justificam consulta com dermatologista. Antes de iniciar qualquer suplemento por conta própria, é fundamental fazer exames que confirmem o que realmente está em falta no organismo. Procure avaliação nas seguintes situações:
- Queda persistente por mais de três meses, com afinamento visível dos fios
- Presença de muitos fios no travesseiro, na escova e no ralo, de forma contínua
- Cansaço excessivo, palidez ou falta de ar, sugestivos de deficiência de ferro
- Dores ósseas, fraqueza muscular e infecções frequentes, associadas à falta de vitamina D
- Unhas frágeis e quebradiças acompanhando a queda capilar
- Alterações menstruais, pós-parto recente ou mudanças bruscas de peso
- Histórico de dietas restritivas ou cirurgia bariátrica
A investigação costuma incluir hemograma completo, ferritina, ferro sérico, vitamina D, TSH e zinco, além da análise da hemoglobina. Com o resultado em mãos, o médico pode indicar reposição individualizada e ajustar a alimentação rica em ferro conforme cada perfil.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Diante de queda de cabelo persistente ou suspeita de deficiências nutricionais, procure orientação médica antes de iniciar qualquer suplementação.









