No fim da tarde, muitos idosos com demência apresentam uma piora súbita da confusão, ansiedade e agitação, um conjunto de sintomas conhecido como síndrome do pôr do sol ou sundowning. O quadro é frequente na doença de Alzheimer, mas costuma ser confundido com teimosia, cansaço ou mau humor, o que atrasa o diagnóstico e o manejo adequado. Reconhecer esse padrão cíclico é essencial para preservar a qualidade de vida do idoso e reduzir a sobrecarga da família.
O que é a síndrome do pôr do sol?
A síndrome do pôr do sol é um distúrbio neurocomportamental que aparece principalmente em pessoas com demência, marcado pela intensificação de sintomas como confusão mental, agitação, ansiedade e irritabilidade entre o fim da tarde e o início da noite. O termo internacional sundowning descreve exatamente esse padrão cíclico ligado à queda de luminosidade.
Segundo a Academia Brasileira de Neurologia, o fenômeno está associado a alterações no ritmo circadiano do cérebro afetado pela doença, especialmente no Alzheimer. Não se trata de teimosia, mas de um sintoma clínico que exige atenção e manejo específico.
Quais são os principais sinais do sundowning?
Os sintomas costumam surgir entre 16h e 20h e podem se estender pela noite, prejudicando o sono do idoso e de quem cuida. A intensidade varia conforme o estágio da demência e fatores ambientais, o que muitas vezes dificulta a percepção do padrão pelos familiares.
Os sinais mais frequentes da síndrome do pôr do sol incluem:
- Aumento súbito da confusão mental e desorientação sobre lugar ou tempo.
- Agitação, inquietação e caminhar sem rumo pela casa.
- Ansiedade, irritabilidade e episódios de agressividade verbal.
- Perguntas repetitivas sobre ir para casa, mesmo estando em casa.
- Delírios, alucinações visuais ou desconfiança em relação a familiares.
- Dificuldade para iniciar o sono ou despertares frequentes durante a noite.

Por que o diagnóstico costuma passar despercebido pela família?
Muitos familiares atribuem os episódios ao cansaço do fim do dia, ao envelhecimento ou a mudanças de humor pontuais, sem perceber que se repetem sempre no mesmo horário. Essa banalização é reforçada pela ideia de que confusão em idosos é algo esperado, o que retarda o encaminhamento a um neurologista ou geriatra.
Outro fator é a variação diária dos sintomas: em alguns dias eles são discretos, em outros muito intensos, criando a falsa impressão de que se trata de crises isoladas. Conhecer os sinais da demência em suas diferentes fases ajuda a diferenciar comportamentos esperados do envelhecimento daqueles que exigem investigação.
O que a ciência mostra sobre a síndrome do pôr do sol?
A relação entre demência e piora de sintomas no fim do dia foi analisada em pesquisa brasileira relevante. Segundo o estudo Sundown syndrome in patients with Alzheimer’s disease dementia, publicado no periódico Dementia & Neuropsychologia, da Academia Brasileira de Neurologia, e indexado na Scielo, os sintomas neuropsiquiátricos mais frequentes no período vespertino foram agitação, ansiedade, irritabilidade e alterações do comportamento noturno.
A pesquisa avaliou pacientes com Alzheimer por meio do Inventário Neuropsiquiátrico e concluiu que o sundowning representa um transtorno multifatorial, com elevado custo emocional e financeiro para famílias e cuidadores. Reconhecer o padrão dos sintomas e o horário em que eles se intensificam é fundamental para orientar o tratamento e informações sobre Alzheimer ajudam a família a compreender melhor o quadro.

Como lidar com os episódios em casa?
Algumas estratégias simples podem reduzir a frequência e a intensidade das crises, criando um ambiente mais previsível e acolhedor no fim do dia. A Associação Brasileira de Alzheimer reforça que a rotina estável e a redução de estímulos são pilares no manejo do sundowning.
Entre os cuidados práticos mais recomendados no dia a dia, destacam-se:
- Manter horários regulares para refeições, banho, atividades e descanso.
- Aumentar a exposição à luz natural durante a manhã e reforçar a iluminação no fim da tarde.
- Reduzir ruídos, visitas e estímulos intensos entre 16h e 20h.
- Oferecer atividades calmas, como música suave, leitura ou dobradura, no início da noite.
- Evitar cafeína, açúcar em excesso e cochilos longos durante o dia.
- Manter a calma diante da agitação, sem discutir ou confrontar o idoso.
Cuidar de um idoso com demência exige preparo, paciência e apoio profissional. Estratégias de como cuidar da pessoa com Alzheimer ajudam a reduzir a sobrecarga do cuidador e a preservar o vínculo familiar. Diante de sintomas recorrentes no fim da tarde, mudanças bruscas de comportamento ou piora rápida do quadro, o mais indicado é procurar um neurologista ou geriatra para avaliação individualizada.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Em caso de dúvidas ou sintomas persistentes, procure orientação médica.









