A deficiência de magnésio no organismo nem sempre está relacionada à baixa ingestão pela alimentação, pois perdas aumentadas causadas pelo uso crônico de diuréticos, diabetes descompensado ou episódios prolongados de diarreia podem esgotar esse mineral mesmo em quem se alimenta bem. Isso ajuda a explicar por que muitas pessoas apresentam sintomas como cãibras, fadiga e palpitações sem imaginar que a causa possa estar em medicamentos ou doenças que aumentam a eliminação do magnésio pelos rins e pelo intestino.
Por que a falta de magnésio nem sempre vem da alimentação?
O magnésio participa de mais de 300 reações no organismo e depende de um equilíbrio delicado entre absorção intestinal e eliminação renal. Quando esse equilíbrio se rompe por doenças ou medicamentos, os estoques diminuem mesmo com uma dieta adequada.
Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, situações que aumentam as perdas urinárias ou intestinais desse mineral são causas cada vez mais reconhecidas de hipomagnesemia, especialmente em adultos com doenças crônicas ou em uso contínuo de medicamentos.
Como o diabetes descompensado interfere nos níveis de magnésio?
No diabetes mal controlado, o excesso de glicose no sangue passa para a urina e arrasta consigo grande quantidade de magnésio, provocando perdas renais significativas. A resistência à insulina também prejudica a reabsorção do mineral pelos rins, criando um ciclo de deficiência silenciosa.
Esse mecanismo explica por que pessoas com diabetes tipo 2 apresentam níveis mais baixos de magnésio com frequência, quadro que pode piorar o controle glicêmico e favorecer complicações cardiovasculares e neuromusculares ao longo do tempo.

Quais medicamentos e condições aumentam a perda de magnésio?
Além do diabetes, uma série de fatores clínicos e medicamentosos pode aumentar a eliminação de magnésio pelo organismo. Veja os principais responsáveis pelas perdas aumentadas:
- Diuréticos tiazídicos e de alça, usados no tratamento da hipertensão e insuficiência cardíaca
- Uso prolongado de inibidores da bomba de prótons, como omeprazol e pantoprazol
- Metformina em doses altas, comum no tratamento do diabetes tipo 2
- Diarreia prolongada, doenças inflamatórias intestinais e síndromes de má absorção
- Cirurgia bariátrica e ressecções intestinais, que reduzem a área de absorção
- Consumo excessivo de álcool, que aumenta a excreção urinária do mineral
- Doença renal crônica em fases iniciais, com perda tubular acentuada
O que a ciência diz sobre as causas da hipomagnesemia?
As causas hormonais e medicamentosas da deficiência de magnésio deixaram de ser detalhes clínicos e passaram a ser um dos principais focos de estudo em endocrinologia. Segundo a revisão Hypomagnesemia With Metformin Use in Diabetes Mellitus A Case and Narrative Review publicada na revista JACC Case Reports, a resistência à insulina no tecido renal inibe a reabsorção de magnésio e contribui para a hipomagnesemia observada em pacientes com diabetes.
Os autores destacam que o uso crônico de metformina e de diuréticos tiazídicos está entre as causas mais frequentes de deficiência refratária do mineral, reforçando as orientações do Manual MSD sobre a necessidade de monitorar os níveis séricos em pacientes de risco.

Como identificar e tratar a deficiência de magnésio?
O diagnóstico exige avaliação clínica cuidadosa e exames laboratoriais específicos, já que boa parte do mineral fica armazenada dentro das células. Confira os principais passos para identificar e tratar o problema:
- Realizar dosagem sérica de magnésio, sempre associada à avaliação de sódio, potássio e cálcio
- Investigar uso crônico de diuréticos, omeprazol e outros medicamentos de risco
- Controlar rigorosamente a glicemia em pessoas com diabetes
- Aumentar o consumo de alimentos ricos em magnésio, como sementes, castanhas e vegetais verde-escuros
- Utilizar suplementos orais de magnésio somente sob orientação médica
- Corrigir simultaneamente outras alterações eletrolíticas associadas
- Tratar as causas de base, como diarreia prolongada ou doenças renais
Diante de sintomas persistentes como cãibras, tremores, palpitações ou fraqueza muscular, é fundamental procurar um endocrinologista ou clínico geral para avaliação completa e ajuste do tratamento dos fatores de risco associados.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre seu médico antes de iniciar qualquer suplementação ou modificar o uso de medicamentos.









