Durante décadas, o ovo foi vilanizado nas dietas de quem tinha colesterol alto, mas a ciência mudou de opinião. Hoje, sabe-se que o colesterol presente nos alimentos tem impacto menor do que se imaginava nos níveis sanguíneos da maioria das pessoas, e o consumo moderado de ovos pode até fazer parte de uma alimentação equilibrada. Ainda assim, existem situações específicas em que a restrição continua sendo recomendada, e entender essa diferença é essencial para cuidar da saúde cardiovascular.
Por que o ovo deixou de ser vilão do colesterol?
A mudança de paradigma começou quando estudos mais robustos passaram a diferenciar o colesterol dietético do colesterol sanguíneo. O fígado é o principal responsável pela produção do colesterol no organismo, e a ingestão alimentar influencia esse processo de forma mais discreta do que se acreditava nas décadas de 1970 e 1980.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia, na Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias, reconhece que gorduras saturadas e trans têm impacto muito maior no colesterol alto do que o colesterol proveniente da dieta em si.
Quais são os benefícios nutricionais do ovo?
Além de acessível, o ovo é considerado um dos alimentos mais completos da natureza, fornecendo nutrientes importantes para várias funções do organismo. Veja os principais benefícios de incluí-lo na rotina alimentar:
- Proteína de alto valor biológico, com todos os aminoácidos essenciais para músculos e tecidos
- Colina, fundamental para o funcionamento cerebral e a memória
- Vitaminas do complexo B, especialmente B12, importantes para a produção de energia
- Luteína e zeaxantina, antioxidantes que protegem a saúde ocular
- Vitamina D e selênio, que fortalecem a imunidade e a saúde óssea
- Gorduras boas, incluindo ômega-3 em ovos enriquecidos

O que diz o estudo científico sobre ovo e colesterol?
Uma revisão sistemática com meta-análise reforça essa nova visão sobre o consumo de ovos. Segundo o estudo Egg consumption and risk of cardiovascular disease, publicado no periódico The BMJ, o consumo moderado de até um ovo por dia não foi associado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares na população geral.
Os pesquisadores analisaram dados de mais de 1,7 milhão de participantes e concluíram que a inclusão do ovo em um padrão alimentar saudável pode ser segura para a maioria das pessoas, desde que acompanhada de outros hábitos protetores, como atividade física e baixo consumo de ultraprocessados.
Quando ainda é preciso restringir o consumo de ovo?
Apesar da flexibilização, algumas pessoas devem manter atenção redobrada ao consumo de ovos e outros alimentos ricos em colesterol. A recomendação de restrição costuma valer para grupos específicos, orientados individualmente por um profissional de saúde:
- Portadores de hipercolesterolemia familiar, condição genética que eleva muito o colesterol
- Pessoas com diabetes tipo 2, que podem ter maior sensibilidade ao colesterol dietético
- Pacientes com doença cardiovascular estabelecida, como infarto ou angina
- Hiper-respondedores ao colesterol dietético, minoria que apresenta elevação significativa do LDL após ingestão
- Pessoas com múltiplos fatores de risco cardiovascular associados, como hipertensão e obesidade
Nesses casos, o acompanhamento com nutricionista e cardiologista é indispensável para definir a quantidade adequada e evitar riscos ao coração.

Como incluir o ovo na dieta de forma saudável?
A forma de preparo faz toda a diferença no impacto do ovo sobre a saúde. Preparações cozidas, pochê ou mexidas com pouco óleo são preferíveis às frituras em imersão, que aumentam o teor de gorduras saturadas e trans no prato. Combinar o ovo com vegetais, grãos integrais e boas fontes de fibras também ajuda a equilibrar a refeição.
Vale lembrar que o cuidado com o colesterol envolve o conjunto da alimentação, e não apenas um alimento isolado. Reduzir embutidos, frituras e ultraprocessados costuma trazer resultados mais expressivos do que simplesmente cortar os alimentos para baixar o colesterol ruim do cardápio, sendo que uma abordagem completa de tratamento para o colesterol considera dieta, exercício e, quando necessário, medicação.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista. Consulte sempre um profissional de saúde antes de fazer alterações na sua alimentação, especialmente se você tem colesterol alto ou outras condições cardiovasculares.









