Um apito, chiado ou pulsação que só a própria pessoa escuta é uma das queixas mais comuns nos consultórios de otorrinolaringologia. Muita gente atribui esse zumbido apenas ao volume alto de shows ou fones de ouvido, mas o sintoma, conhecido como tinnitus, pode ter origens bem menos óbvias. Pressão alta, problemas na articulação da mandíbula, uso prolongado de certos medicamentos, tensões na coluna cervical e até perda auditiva precoce estão entre as causas que passam despercebidas por anos e transformam o zumbido em um alerta silencioso sobre a saúde.
O que é o zumbido no ouvido e por que ele aparece?
O zumbido é a percepção de um som gerado internamente pelo cérebro, sem estímulo acústico externo correspondente. Pode surgir em um ou nos dois ouvidos, ser contínuo ou intermitente e ficar mais evidente em ambientes silenciosos, especialmente na hora de dormir.
Ele aparece quando há alteração nas células ciliadas da cóclea ou nas vias auditivas, fazendo o sistema nervoso interpretar sinais elétricos como som. Por isso, o zumbido não é uma doença isolada, mas um sintoma que reflete algo acontecendo no ouvido, na circulação, na musculatura da face ou no sistema nervoso.
Como um estudo científico ampliou o entendimento das causas?
Durante décadas, o ruído ocupacional foi visto como o vilão principal, mas revisões recentes mostraram um cenário bem mais amplo.
Segundo a revisão por pares Tinnitus, publicada no periódico The Lancet, os principais fatores de risco para o desenvolvimento e persistência do zumbido incluem perda auditiva, uso de medicamentos ototóxicos, traumas na cabeça e transtornos de humor, como ansiedade e depressão. Os autores destacam que a avaliação inicial deve considerar doenças otológicas de fundo, além dos aspectos emocionais que amplificam a percepção do som e agravam o impacto na rotina, principalmente em quem já apresenta perda auditiva inicial.

Quais são as causas do zumbido além do som alto?
Vários fatores podem gerar ou intensificar o tinnitus, e é frequente que mais de um esteja presente ao mesmo tempo. Conhecer as principais possibilidades ajuda a orientar a investigação:
- Pressão alta, que altera o fluxo sanguíneo nos vasos próximos ao ouvido interno e pode gerar o chamado zumbido pulsátil, sincronizado com os batimentos, como abordado no conteúdo sobre pressão alta
- Disfunção da articulação temporomandibular, quando a tensão da mandíbula e o bruxismo irradiam para a região auricular, condição detalhada no conteúdo sobre dor na ATM
- Uso crônico de medicamentos ototóxicos, como alguns anti-inflamatórios, antibióticos aminoglicosídeos, diuréticos de alça e quimioterápicos
- Problemas cervicais, incluindo hérnias e contraturas musculares que alteram a comunicação entre pescoço, mandíbula e ouvido
- Perda auditiva precoce, especialmente por presbiacusia iniciada antes dos 60 anos ou por exposição ocupacional acumulada
- Alterações metabólicas, como diabetes, hipotireoidismo e deficiência de vitamina B12, que afetam nervos e microcirculação
Quando o zumbido merece avaliação urgente?
Nem todo zumbido é grave, mas alguns sinais indicam necessidade de procurar rapidamente um otorrinolaringologista. Vale ficar atento aos padrões descritos a seguir:
- Zumbido que surge de forma súbita, sem causa aparente
- Sintoma presente em apenas um ouvido, especialmente se acompanhado de perda auditiva
- Zumbido pulsátil, que segue o ritmo do coração
- Tontura intensa, vertigem ou perda de equilíbrio associadas
- Dor de ouvido, secreção ou sensação de pressão persistente
- Piora rápida da audição ou dificuldade nova para entender conversas

Como é feita a investigação e o tratamento?
A avaliação com otorrinolaringologista começa com histórico detalhado, revisão dos medicamentos em uso e exame físico do ouvido. Costuma incluir audiometria, imitanciometria e, em casos selecionados, ressonância magnética, exames de sangue e medição da pressão arterial.
O tratamento depende diretamente da causa identificada e pode envolver ajuste de medicamentos, controle da hipertensão, uso de placa de mordida, fisioterapia cervical, aparelhos auditivos, terapia sonora e terapia cognitivo-comportamental. Quanto mais cedo o zumbido é investigado, maiores as chances de encontrar uma causa tratável e reduzir seu impacto na qualidade do sono, da concentração e do humor.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um médico diante de qualquer sintoma ou dúvida sobre sua saúde.









