A gravidez aumenta significativamente as necessidades nutricionais da mulher, e algumas vitaminas e minerais se tornam prioridade para garantir o crescimento saudável do bebê e a saúde da mãe. Ácido fólico, ferro, iodo, cálcio e DHA aparecem entre os cinco nutrientes mais recomendados pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e pelo Ministério da Saúde para o acompanhamento pré-natal, cada um com um papel específico e insubstituível.
Por que o ácido fólico deve começar antes da gestação?
O ácido fólico é uma vitamina do complexo B fundamental para a formação do tubo neural do bebê, estrutura que dá origem ao cérebro e à medula espinhal. Essa formação acontece nas primeiras semanas de gravidez, muitas vezes antes mesmo de a mulher saber que está gestante.
Por isso, o Ministério da Saúde recomenda a suplementação de 400 mcg por dia desde pelo menos três meses antes da concepção até o final do primeiro trimestre. Fontes alimentares incluem folhas verde-escuras, feijão, lentilha, brócolis e alimentos fortificados como farinhas de trigo e milho, que fazem parte de uma boa alimentação na gravidez.
Como garantir ferro suficiente durante a gravidez?
A necessidade de ferro praticamente dobra na gestação, já que o mineral participa da produção de hemoglobina para a mãe e para o bebê, além de sustentar o aumento do volume sanguíneo. A deficiência é uma das causas mais comuns de anemia na gravidez.
A suplementação profilática costuma ser indicada a partir do segundo trimestre, junto ao consumo de carnes vermelhas magras, fígado, feijão, lentilha e folhas verde-escuras. Combinar essas fontes com alimentos ricos em vitamina C, como laranja e limão, aumenta a absorção do mineral.

Quais são as principais fontes de iodo, cálcio e DHA?
Iodo, cálcio e DHA são igualmente essenciais e complementam o quadro nutricional da gestação. O iodo garante a produção adequada de hormônios da tireoide, o cálcio contribui para os ossos do bebê e o DHA participa da formação do cérebro e da retina. Boas opções para incluir na rotina são:
- Sal iodado, principal fonte de iodo no Brasil, usado em quantidade moderada.
- Peixes de água salgada, como sardinha e salmão, ricos em iodo e DHA.
- Leite, iogurte e queijos, principais fontes de cálcio.
- Vegetais verde-escuros, como couve, brócolis e agrião, com cálcio de origem vegetal.
- Ovos, especialmente enriquecidos com ômega 3, que fornecem DHA.
- Sementes de chia e linhaça, fontes vegetais de precursores do DHA.
É preciso suplementar tudo ou dá para obter dos alimentos?
A resposta depende da rotina alimentar, dos exames e da orientação do obstetra. Ácido fólico e ferro costumam exigir suplementação de rotina, enquanto iodo, cálcio e DHA podem ser obtidos em boa parte da alimentação, com suplementação individualizada quando necessário.
Gestantes vegetarianas ou veganas merecem atenção redobrada, pois nutrientes como vitamina B12, ferro e DHA podem estar mais baixos e demandar suplementação específica. O acompanhamento pré-natal com médico e nutricionista é o caminho seguro para ajustar as doses e evitar tanto a deficiência quanto o excesso.

O que diz um estudo científico sobre esses nutrientes?
Uma revisão publicada em 2012 na revista científica Nutrients, editada pela MDPI na Suíça, avaliou o impacto da suplementação materna de DHA, ácido fólico, vitamina D e iodo no desenvolvimento cerebral do bebê. Segundo Benefits of Docosahexaenoic Acid Folic Acid Vitamin D and Iodine on Foetal and Infant Brain Development and Function Following Maternal Supplementation during Pregnancy and Lactation publicado na Nutrients, o consumo adequado desses nutrientes está associado a maior peso ao nascer, melhor desenvolvimento cognitivo e menor risco de malformações do sistema nervoso.
Os autores reforçam que a suplementação deve respeitar as doses recomendadas, pois tanto a carência quanto o excesso trazem riscos. As diretrizes brasileiras seguem essa mesma lógica e recomendam que toda gestante inicie o pré-natal o mais cedo possível para receber orientação individualizada, incluindo a prescrição correta de vitaminas e minerais conforme os exames.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista. A suplementação durante a gestação deve ser prescrita e acompanhada pelo obstetra, com base em exames e no perfil individual da gestante.









