Depois do nascimento do bebê, a atenção da família costuma se voltar para a amamentação, o sono e a recuperação da mãe. Mas existe um cuidado que merece atenção especial: o risco de trombose depois do parto é maior, principalmente nas primeiras seis semanas. Isso acontece porque o organismo ainda apresenta alterações na coagulação e na circulação sanguínea, que podem favorecer a formação de coágulos. Embora a complicação seja relativamente incomum, reconhecer seus sinais é fundamental.
Por que o risco de trombose aumenta depois do parto?
Durante a gravidez, o corpo passa por adaptações que ajudam a evitar hemorragias durante o nascimento. Uma delas é o aumento da capacidade de coagulação do sangue. Essa proteção natural, entretanto, também facilita a formação de coágulos dentro dos vasos sanguíneos, especialmente quando existem outros fatores de risco.
O crescimento do útero também pode dificultar o retorno do sangue das pernas ao coração. Além disso, alterações nos vasos relacionadas ao parto e períodos de menor movimentação contribuem para o risco. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) explicam que a gravidez aumenta em aproximadamente cinco vezes o risco de coágulos sanguíneos e que a vulnerabilidade permanece durante o período após o nascimento.
Por quanto tempo a mulher precisa ficar mais atenta?
O risco de trombose venosa é especialmente elevado logo depois do parto, com maior atenção às primeiras seis semanas. Ele diminui progressivamente, mas pode permanecer acima do habitual por até três meses. Isso não significa que todas as mulheres desenvolverão coágulos: a complicação continua relativamente incomum.
O Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, entidade britânica de ginecologia e obstetrícia, informa que a trombose venosa durante a gravidez e nas primeiras seis semanas após o parto ocorre em aproximadamente uma a duas mulheres a cada mil. O risco individual varia conforme o histórico de saúde e as circunstâncias do nascimento. Por isso, os cuidados não terminam necessariamente quando a mãe recebe alta da maternidade.

Quais mulheres apresentam maior risco de trombose?
A possibilidade de trombose não é igual para todas as mães. A cesariana, por exemplo, está associada a um risco maior porque envolve uma cirurgia e pode exigir um período de recuperação com menos movimento. A presença de outras condições também influencia a necessidade de acompanhamento e prevenção.
Entre os fatores que merecem atenção estão:
- Cesárea: principalmente quando existem complicações ou recuperação com mobilidade reduzida.
- Histórico de trombose: mulheres que já tiveram coágulos apresentam maior risco de novos episódios.
- Trombofilia: alterações que aumentam a predisposição à coagulação sanguínea.
- Obesidade e idade acima de 35 anos: fatores que podem contribuir para o risco.
- Imobilidade prolongada: permanecer muito tempo deitada ou sentada pode dificultar a circulação.
Esses fatores devem ser considerados pela equipe obstétrica ainda na maternidade. Dependendo da avaliação, algumas mulheres precisam de medidas preventivas adicionais, como meias de compressão específicas ou medicamentos anticoagulantes prescritos pelo médico.
Quais sinais de trombose a família não deve ignorar?
Um dos sinais mais importantes é o inchaço que aparece principalmente em uma perna, acompanhado de dor, calor ou mudança na cor da pele. Diferentemente do inchaço comum que pode ocorrer nas duas pernas depois da gravidez, a trombose venosa profunda frequentemente provoca alterações mais evidentes de um lado. Essa diferença ajuda a levantar suspeita, mas não confirma nem descarta o diagnóstico. A mãe deve receber avaliação médica no mesmo dia diante desses sintomas.
A página do Tua Saúde sobre trombose na gravidez e no período após o parto também aborda os sintomas e cuidados necessários. Se a mulher apresentar falta de ar repentina, dor no peito, tosse com sangue ou desmaio, é necessário procurar atendimento de emergência imediatamente, pois pode ocorrer embolia pulmonar, quando um coágulo atinge os pulmões.

O que ajuda a prevenir a trombose durante o puerpério?
Retomar os movimentos gradualmente, quando houver liberação médica, é uma das medidas que favorecem a circulação. Caminhadas curtas, movimentação das pernas e hidratação adequada podem fazer parte da recuperação. A mãe também deve respeitar as orientações recebidas na maternidade, especialmente depois de uma cesárea ou de complicações obstétricas. Em mulheres com risco elevado, o médico pode indicar anticoagulantes preventivos por um período determinado.
O apoio da família faz diferença nessa fase. Uma mãe que acompanha a recuperação da filha, por exemplo, pode ajudar nas tarefas domésticas e nos cuidados com o bebê, permitindo descanso e movimentação segura conforme a orientação médica. Também pode perceber sintomas que não devem ser atribuídos automaticamente ao cansaço do pós-parto. O objetivo não é criar medo, mas garantir que a recuperação da mulher receba tanta atenção quanto os cuidados com o recém-nascido.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. Dor e inchaço novos em uma perna no pós-parto exigem avaliação rápida. Falta de ar súbita, dor no peito, desmaio ou tosse com sangue exigem atendimento de emergência. Não utilize anticoagulantes ou meias de compressão terapêuticas sem orientação profissional.









