O pequi volta às feiras de Goiás, Minas Gerais e Tocantins com as primeiras chuvas. A cor amarelo-alaranjada da polpa já mostra o que ele carrega: pigmentos antioxidantes, gordura de boa qualidade e fibras. O fruto típico do Cerrado tem aroma forte e sabor que divide opiniões. Também guarda um detalhe que exige atenção à mesa, os espinhos escondidos sob a polpa.
Quando é a safra do pequi e por que ele é tão típico do Cerrado?
A safra acontece, em geral, entre setembro e fevereiro. O pico de oferta fica entre novembro e janeiro em boa parte do Centro-Oeste. O pequizeiro (Caryocar brasiliense) é uma árvore nativa que resiste a solos ácidos e a meses de seca. Os frutos caem maduros no chão e são recolhidos por famílias extrativistas, que vendem a polpa fresca, congelada ou em conserva.
Cada fruto tem de um a quatro caroços envoltos por uma polpa carnosa e oleosa. É essa camada amarela que vai para o arroz, o frango, o feijão tropeiro e os licores. Logo abaixo dela existe uma camada de espinhos finos que protege a amêndoa. A amêndoa também é comestível e costuma ser consumida torrada.
O que a pesquisa mostra sobre os carotenoides da polpa?
Uma pesquisa analisou pequis coletados em 18 municípios do Cerrado. Os resultados confirmaram que a polpa é fonte de carotenoides com ação pró-vitamina A. Os destaques foram o β-caroteno e a β-criptoxantina, pigmentos que dão ao fruto sua cor intensa.

O mesmo levantamento encontrou grande diferença nos teores de carotenoides entre as regiões de origem. Na prática, dois frutos de cidades diferentes podem oferecer quantidades bem distintas desses compostos. Solo, clima, chuva e características genéticas de cada pequizeiro ajudam a explicar essa variação.
Como esses pigmentos viram vitamina A no organismo?
O corpo converte o β-caroteno e a β-criptoxantina em vitamina A no intestino e no fígado, conforme a necessidade. Essa conversão controlada reduz o risco de excesso, algo mais comum com suplementos em doses altas. Como os carotenoides se dissolvem em gordura, o óleo natural da própria polpa favorece a absorção. A vitamina A participa de funções como:
- a adaptação da visão em ambientes com pouca luz
- a renovação das células da pele e das mucosas
- a defesa do sistema imunológico contra infecções
- o crescimento e o desenvolvimento na infância
Por que o fruto pede atenção na hora de comer?
O maior risco do pequi está nos espinhos finos logo abaixo da polpa. Quem morde o caroço com força pode ferir a língua, a gengiva e o céu da boca. As farpas são pequenas, entram com facilidade e costumam exigir atendimento para serem retiradas. Algumas precauções evitam o problema:
- roer a polpa devagar, usando apenas os dentes da frente
- nunca morder nem tentar quebrar o caroço com os dentes
- oferecer às crianças só a polpa já separada do caroço
- retirar a amêndoa apenas depois de seco, com faca ou ferramenta própria
A polpa também é calórica, com predomínio de ácido oleico, a mesma gordura do azeite de oliva. Por isso, porções moderadas fazem sentido para quem controla calorias. Quem quer entender melhor os benefícios e o preparo do pequi encontra orientações sobre composição, receitas e formas seguras de consumo.

Como conservar a cor e os nutrientes depois da colheita?
Os carotenoides são sensíveis à luz, ao calor e ao oxigênio. Uma revisão de 2023 sobre o óleo do fruto apontou que esses compostos se degradam com facilidade no processamento e no armazenamento. O alerta é útil também para quem guarda a polpa em casa.
Para consumir fora da safra, a polpa pode ser congelada em porções pequenas, em potes bem vedados. Conservas em óleo duram mais em vidro escuro, longe do fogão e da janela. No preparo, cozimentos muito longos reduzem parte dos pigmentos, então vale acrescentar o fruto ao arroz nos últimos minutos de cocção.
O que levar para o prato nesta temporada?
Entre novembro e janeiro, o pequi chega mais fresco e barato às feiras do Cerrado. Duas ou três unidades no arroz ou no frango já somam β-caroteno, gordura monoinsaturada e fibras, precursores da vitamina A incluídos. Basta roer a polpa com calma e manter o caroço longe dos dentes para aproveitar a safra sem sustos.
As informações deste texto têm caráter educativo e não substituem a avaliação de um médico ou nutricionista. Em caso de ferimento na boca causado pelos espinhos ou de dúvidas sobre a sua alimentação, procure orientação profissional.









