Eunice da Silveira, de 111 anos, e Beatriz Ferreira Duarte, de 115, estão entre as brasileiras mais velhas do país. O que elas contam colocar no prato chama atenção pela simplicidade: comida caseira, refeições em horários fixos e o leite presente na rotina. Esses hábitos de alimentação ajudam a entender como nutrientes, variedade e moderação se relacionam com a longevidade.
O que Eunice da Silveira e Beatriz Ferreira Duarte contam sobre o prato do dia a dia?
Eunice da Silveira descreve uma mesa sem excessos, com comida de panela feita em casa e porções modestas. Na conversa não aparecem suplementos caros nem dietas da moda. O que se repete são alimentos conhecidos, na linha do prato tradicional brasileiro, com arroz, feijão, legumes e frutas da estação.
Beatriz Ferreira Duarte cita o leite como companhia frequente das refeições. É um costume comum entre mulheres da geração dela, criadas em casas onde o copo de leite fazia parte do café da manhã e do lanche da tarde. Relatos individuais, porém, não provam causa e efeito. Genética, acesso a cuidados médicos e convívio social também pesam na conta.
O que a ciência já sabe sobre a dieta de quem passa dos 100 anos?
Uma revisão sistemática publicada em 2024 reuniu 34 estudos sobre pessoas com 95 anos ou mais em diferentes países. Os pesquisadores observaram que a maior diversidade alimentar se associou a mais independência e a menor mortalidade. Menor preferência por sal e peso adequado também apareceram ligados a uma longevidade maior.

Os próprios autores pedem cautela. Os dados vêm de estudos observacionais muito diferentes entre si, e isso impede afirmar que um cardápio específico garante chegar aos 100 anos. Mesmo assim, o achado conversa com o prato de Eunice e Beatriz, baseado em variedade de grupos alimentares e pouco tempero industrializado.
Leite todos os dias faz bem para quem envelhece?
O leite oferece proteína de boa qualidade, cálcio, fósforo e vitamina B12, nutrientes que costumam faltar na dieta de idosos. Com o passar das décadas, a perda de massa muscular e a queda da densidade óssea aumentam o risco de quedas e fraturas. Alguns pontos merecem atenção:
- Proteína: ajuda a preservar a musculatura, que diminui naturalmente após os 60 anos.
- Cálcio: participa da manutenção dos ossos e funciona melhor com níveis adequados de vitamina D.
- Vitamina B12: a absorção cai com a idade, e os laticínios são uma fonte acessível.
- Intolerância à lactose: pode exigir versões sem lactose, iogurte natural ou queijos curados.
Quem quer conhecer melhor os benefícios do leite para os ossos encontra também orientações sobre quem deve evitar a bebida. Uma análise complementar feita na Suécia indicou que o consumo elevado de laticínios não se associou de forma consistente à mortalidade, o que tira o peso de vilão que o alimento às vezes carrega.

Como montar um cardápio variado depois dos 60 anos?
A diversidade observada entre centenários pode ser trazida para a cozinha de qualquer casa. A ideia é combinar grupos alimentares diferentes ao longo do dia, sem depender de produtos caros ou ultraprocessados. Algumas estratégias simples:
- Colocar legumes e verduras de pelo menos duas cores no almoço e no jantar.
- Manter leguminosas como feijão, lentilha ou grão-de-bico, fontes de fibras e ferro.
- Incluir ovos, peixe, frango ou laticínios nas refeições principais.
- Preferir frutas inteiras às versões em suco, para aproveitar as fibras.
- Trocar parte do sal por alho, cebola, salsa e outras ervas frescas.
- Beber água em intervalos regulares, já que a sensação de sede diminui com a idade.
Mudanças na mastigação, no paladar e no apetite são frequentes no envelhecimento. Preparações mais macias, como legumes cozidos, purês e caldos, ajudam a manter a ingestão de calorias e proteínas. Fracionar a alimentação em cinco ou seis refeições menores também facilita para quem se sente cheio rápido.
O que a mesa das centenárias ensina sobre longevidade
A rotina de Eunice da Silveira e de Beatriz Ferreira Duarte reforça o que a pesquisa sugere: comida de verdade, refeições regulares, pouco sal e espaço para o leite e outras fontes de proteína. Nenhum desses hábitos garante a longevidade sozinho, mas um prato variado, com feijão, legumes, frutas e laticínios, sustenta músculos, ossos e disposição por muitas décadas.
Este material tem finalidade apenas informativa e não substitui a avaliação de um nutricionista ou médico. Antes de mudar a alimentação, principalmente na terceira idade ou em caso de doenças crônicas, busque orientação profissional.









