Com os alertas de ondas de calor cada vez mais frequentes, cresce a preocupação com um efeito pouco comentado das altas temperaturas: a sobrecarga do coração. Para manter o corpo resfriado, o organismo precisa trabalhar mais, dilatando os vasos sanguíneos e perdendo líquidos pelo suor. Quando o calor é extremo e a reposição de água é insuficiente, esse esforço pode aumentar o risco de eventos cardiovasculares, especialmente em idosos e pessoas com doenças crônicas.
Como o calor afeta o coração?
Quando a temperatura ambiente sobe, o corpo tenta eliminar o excesso de calor de duas formas principais: aumentando o suor e dilatando os vasos sanguíneos da pele, um processo chamado de vasodilatação. Isso leva o sangue para mais perto da superfície, facilitando a troca de calor com o ambiente.
O problema é que essa resposta exige mais do coração, que precisa bombear com mais força e frequência para manter a circulação adequada. Em dias muito quentes, essa demanda extra pode ser suficiente para desequilibrar quem já tem o sistema cardiovascular mais frágil.
O que dizem os especialistas sobre calor e risco cardiovascular?
A relação entre temperaturas extremas e problemas do coração tem recebido atenção crescente da comunidade médica. Segundo uma declaração científica da Sociedade Europeia de Cardiologia, a exposição ao calor extremo aumenta a frequência cardíaca e o trabalho do coração, enquanto a perda de líquidos reduz o volume de sangue circulante e pode favorecer arritmias e isquemia em pessoas vulneráveis.
Além disso, a desidratação torna o sangue mais espesso, o que dificulta a circulação e aumenta a tendência à formação de coágulos. Essa combinação ajuda a explicar por que boa parte do excesso de mortes durante ondas de calor está ligada a causas cardiovasculares, e não apenas à insolação.

Quem precisa de mais cuidado no calor?
Alguns grupos têm maior dificuldade para lidar com o estresse térmico e merecem atenção redobrada nos dias quentes. Entre eles estão:
- Idosos, que sentem menos sede e têm respostas de resfriamento menos eficientes.
- Pessoas com doenças cardíacas, hipertensão, diabetes ou problemas nos rins.
- Quem usa diuréticos ou alguns remédios para pressão, que aumentam a perda de líquidos.
- Trabalhadores expostos ao sol e pessoas que praticam atividade física intensa no calor.
Sinais de alerta que não devem ser ignorados?
Em dias de calor intenso, alguns sintomas podem indicar que o corpo está em sobrecarga e merecem atenção imediata. Fique atento a:
- Tontura, fraqueza intensa ou sensação de desmaio ao se levantar.
- Palpitações, dor no peito ou falta de ar sem esforço aparente.
- Confusão mental, fala arrastada ou comportamento diferente do habitual.
- Boca muito seca, urina escura e redução importante da vontade de urinar.

Como proteger o coração nos dias quentes?
A medida mais importante é manter uma boa hidratação, bebendo líquidos com frequência ao longo do dia, sem esperar a sede aparecer. Reduzir a exposição ao sol nos horários mais quentes, usar roupas leves e evitar esforço físico intenso no auge do calor também ajudam a prevenir a desidratação e a aliviar o trabalho do coração. Observar a cor da urina é uma forma simples de acompanhar a hidratação ao longo do dia.
Pessoas que fazem uso contínuo de medicamentos não devem interrompê-los por conta própria no calor, mas podem conversar com o médico sobre ajustes, se necessário. Diante de sintomas intensos ou que não melhoram com repouso e hidratação, é fundamental procurar atendimento médico sem demora.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado.








