Ver o cabelo afinar e cair em maior quantidade depois dos 45 anos costuma ser interpretado como algo natural da idade, mas nem sempre é o caso. Na maioria das vezes, essa queda difusa tem nome, o eflúvio telógeno, e está ligada às mudanças hormonais da perimenopausa, à falta de ferro e a alterações na tireoide ou ao excesso de estresse. Antes de gastar com dermocosméticos caros, entender o que realmente está por trás dos fios ralos e fazer os exames certos é o caminho mais seguro para tratar a causa e recuperar o volume capilar.
O que é o eflúvio telógeno?
O eflúvio telógeno é um tipo de queda de cabelo difusa e geralmente temporária, em que muitos fios entram ao mesmo tempo na fase de repouso e caem dois a três meses depois de um evento desencadeante. Diferente da calvície, ele não forma falhas localizadas, mas reduz o volume em todo o couro cabeludo.
Por ser difuso, esse tipo de queda costuma assustar, mas não destrói os folículos. Isso significa que, ao identificar e corrigir o gatilho, os fios tendem a voltar a crescer, o que torna a investigação da queda de cabelo feminino tão importante.
Por que a perimenopausa afeta os cabelos?
Na perimenopausa, a produção de estrogênio pelos ovários se torna irregular e começa a declinar. Como esse hormônio ajuda a manter os fios na fase de crescimento por mais tempo, sua queda faz com que mais folículos entrem em repouso ao mesmo tempo.
O resultado é um cabelo mais fino, com crescimento mais lento e aumento visível da queda. Essa fase de transição explica por que tantas mulheres percebem mudanças marcantes nos fios justamente a partir dos 45 anos, período em que a queda de cabelo na menopausa se torna mais frequente.

Quais exames devem ser feitos antes de comprar dermocosméticos?
Antes de investir em produtos caros, o ideal é investigar a causa com exames laboratoriais simples, orientados por um médico. Entre os principais estão:
- Ferritina: avalia as reservas de ferro, que podem estar baixas mesmo sem anemia;
- Hemograma e ferro sérico: ajudam a completar a análise do estoque de ferro;
- TSH e hormônios da tireoide: identificam hipotireoidismo ou hipertireoidismo;
- Vitamina D e zinco: deficiências associadas à queda difusa dos fios;
- Perfil hormonal: útil para avaliar as alterações da perimenopausa.
Como o ferro e a tireoide influenciam a queda?
O ferro é essencial para o ciclo de crescimento capilar, e suas reservas baixas podem interromper essa fase e empurrar mais fios para a queda. Por isso, a ferritina reduzida é uma das causas mais comuns e frequentemente subdiagnosticadas do eflúvio telógeno.
As alterações da tireoide também desregulam o ciclo dos fios, tanto no hipotireoidismo quanto no hipertireoidismo. Somadas ao estresse intenso, que eleva o cortisol e interrompe o crescimento capilar, essas condições ajudam a explicar por que a queda de cabelo persistente merece investigação.

Como um estudo científico confirma a ligação com o ferro?
A relação entre as reservas de ferro e a queda capilar feminina é respaldada por pesquisas na área. Segundo o estudo Serum ferritin and vitamin D in female hair loss, uma pesquisa revisada por pares e publicada na revista científica Skin Pharmacology and Physiology, mulheres com eflúvio telógeno crônico apresentaram níveis médios de ferritina significativamente mais baixos do que mulheres sem queda.
Os autores observaram que a baixa ferritina e a vitamina D reduzida estão associadas à perda de fios, reforçando que a investigação laboratorial deve vir antes do tratamento. Esse achado mostra por que fazer exames primeiro é mais inteligente do que apostar diretamente em dermocosméticos caros sem conhecer a real causa da queda.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico. Diante de queda de cabelo persistente, procure a orientação de um dermatologista ou clínico de confiança para investigar a causa e definir o tratamento mais adequado.









