Roncar alto nem sempre significa ter um problema de saúde. Entretanto, quando o barulho é interrompido por pausas na respiração, engasgos ou suspiros fortes, pode ser sinal de apneia obstrutiva do sono. Essa condição provoca bloqueios repetidos na passagem do ar durante a noite, prejudicando o descanso e podendo afetar a saúde cardiovascular. O problema merece atenção especialmente quando a pessoa acorda cansada, sente muito sono durante o dia ou apresenta pressão alta de difícil controle.
Por que o ronco pode vir acompanhado de pausas na respiração?
O ronco acontece quando o ar encontra resistência ao passar pelas vias respiratórias, provocando a vibração dos tecidos da garganta. Na apneia obstrutiva do sono, esse estreitamento é mais intenso e pode bloquear parcial ou completamente a passagem do ar. O organismo reage à dificuldade respiratória com pequenos despertares, que ajudam a restabelecer a respiração, mas interrompem repetidamente o descanso.
Esses episódios podem acontecer muitas vezes durante a noite, sem que a pessoa perceba. Por isso, quem dorme ao lado frequentemente identifica o problema primeiro. O Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos Estados Unidos (NHLBI) inclui ronco intenso, interrupções da respiração e engasgos durante o sono entre os principais sinais da condição.
Quais sinais mostram que o ronco merece investigação?
O volume do ronco, isoladamente, não determina se existe apneia. Algumas pessoas roncam muito sem apresentar interrupções respiratórias importantes, enquanto outras podem ter a condição mesmo sem um ronco tão evidente. O que chama atenção é a combinação de alterações noturnas com sintomas percebidos no dia seguinte.
Os sinais que merecem avaliação incluem:
- Pausas na respiração: períodos de silêncio seguidos de uma inspiração forte ou retomada barulhenta do ar.
- Engasgos durante a noite: despertares repentinos com sensação de sufocamento ou necessidade de recuperar o fôlego.
- Sonolência diurna: dificuldade para permanecer acordado no trabalho, durante conversas ou em atividades habituais.
- Cansaço ao despertar: sensação de não ter descansado, mesmo depois de passar várias horas na cama.
- Dor de cabeça e boca seca: sintomas que podem aparecer pela manhã, especialmente quando acompanhados de outros sinais.
- Dificuldade de concentração: esquecimentos, irritabilidade e redução da atenção ao longo do dia.
Essas manifestações não confirmam o diagnóstico, mas justificam investigar as possíveis causas. O Tua Saúde detalha os sintomas e tratamentos da apneia do sono, condição que também pode ocorrer em pessoas sem excesso de peso.

Qual é a relação entre apneia do sono e pressão alta?
Durante as pausas respiratórias, a quantidade de oxigênio no sangue pode diminuir temporariamente. Essas alterações ativam respostas do sistema nervoso que favorecem elevações da pressão arterial e aumentam a sobrecarga cardiovascular. Quando os episódios se repetem, esse processo pode contribuir para dificuldades no controle da hipertensão.
Uma declaração científica da American Heart Association, publicada em 2021, destaca a associação entre apneia obstrutiva do sono e doenças cardiovasculares, incluindo hipertensão, insuficiência cardíaca e fibrilação atrial. A entidade recomenda investigar a apneia especialmente em pessoas com pressão alta resistente ou mal controlada. Essa associação não significa que toda pessoa que ronca desenvolverá doenças cardíacas, mas mostra por que as interrupções respiratórias não devem ser ignoradas.
Como descobrir se o ronco é causado por apneia?
A investigação começa com uma avaliação médica dos sintomas, do histórico de saúde e dos relatos de quem observa o sono. Quando necessário, o profissional pode solicitar a polissonografia, exame que registra informações sobre a respiração, a oxigenação e outras funções do organismo durante a noite. Em determinados casos, também podem ser utilizados testes respiratórios domiciliares.
Os resultados ajudam a identificar a presença e a gravidade da apneia, orientando a escolha do tratamento. Pessoas com sonolência intensa devem evitar dirigir ou operar máquinas enquanto não conseguirem permanecer alertas com segurança. Dor no peito, desmaio ou falta de ar intensa que persiste após despertar exigem atendimento de urgência.

O que pode ser feito para tratar o ronco com apneia?
O tratamento depende da gravidade e das características de cada pessoa. Pode incluir controle do peso quando indicado, redução do consumo de álcool, mudanças na posição de dormir e uso de aparelhos como o CPAP, que fornece pressão positiva para manter as vias respiratórias abertas. Dispositivos intraorais e outras intervenções também podem ser recomendados em situações específicas. Essas medidas podem melhorar a respiração e a qualidade do sono, mas precisam ser escolhidas conforme a avaliação médica.
Nem todo ronco exige tratamento específico, porém pausas respiratórias frequentes, engasgos e cansaço persistente merecem investigação. Identificar a apneia permite tratar os sintomas e acompanhar condições associadas, como a hipertensão, sem depender apenas de soluções caseiras para diminuir o barulho.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. Pessoas com ronco intenso acompanhado de pausas respiratórias, engasgos ou sonolência excessiva devem procurar orientação profissional.









