A reposição hormonal pode aliviar ondas de calor, suores noturnos e outros sintomas da menopausa, mas o risco de trombose precisa ser considerado antes de iniciar o tratamento. O estrogênio tomado em comprimidos está associado a maior formação de coágulos, enquanto apresentações em adesivo ou gel parecem oferecer menor risco. Essa diferença é especialmente importante para mulheres com obesidade, tabagismo ou histórico de trombose. A escolha depende da saúde individual, e não apenas da idade.
Por que a reposição hormonal pode aumentar o risco de trombose?
O estrogênio administrado por via oral passa inicialmente pelo fígado, onde pode estimular alterações em proteínas envolvidas na coagulação sanguínea. Esse efeito favorece a formação de coágulos nas veias, aumentando o risco de trombose venosa profunda e embolia pulmonar. Entretanto, o risco não é igual para todas as mulheres e varia conforme a formulação, a dose e as condições de saúde.
O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) destaca que a terapia hormonal sistêmica pode aumentar o risco de coágulos, especialmente quando existem fatores adicionais, como obesidade e idade avançada. Isso não significa que toda mulher que utiliza hormônios desenvolverá trombose, mas reforça a necessidade de avaliação individualizada.
Adesivo ou gel de estrogênio oferece menos risco que comprimido?
As evidências disponíveis apontam que sim. Quando o estrogênio é aplicado na pele, ele chega à circulação sem passar inicialmente pelo fígado, provocando menor interferência nas proteínas da coagulação. Estudos observacionais encontraram menor risco de tromboembolismo venoso com o estrogênio transdérmico em comparação com o oral.
O posicionamento de 2022 da North American Menopause Society reconhece que as apresentações transdérmicas e doses menores podem reduzir o risco de trombose. Entretanto, faltam ensaios clínicos que comparem diretamente essas vias para confirmar a magnitude dessa diferença. Além disso, adesivos e géis não eliminam todos os riscos. Mulheres que possuem útero geralmente também precisam de um progestagênio para proteger o endométrio, e a escolha dessa substância influencia o tratamento.

Quais mulheres precisam de mais cuidado antes da reposição?
Depois dos 40 anos, especialmente durante a transição para a menopausa, é importante avaliar condições que aumentam a predisposição à formação de coágulos. A idade isolada não impede o tratamento, mas alguns fatores podem modificar bastante a relação entre benefícios e riscos.
Entre os principais estão:
- Histórico de trombose: mulheres que já tiveram trombose venosa profunda ou embolia pulmonar precisam de avaliação especializada antes de considerar hormônios sistêmicos.
- Obesidade: o excesso de peso aumenta o risco basal de tromboembolismo, exigindo atenção à via de administração.
- Tabagismo: contribui para problemas cardiovasculares e deve entrar na avaliação do tratamento hormonal.
- Histórico familiar e trombofilias: casos de trombose em familiares próximos ou alterações conhecidas da coagulação podem modificar a conduta.
- Imobilização ou cirurgia recente: períodos prolongados sem movimentação podem aumentar temporariamente o risco de coágulos.
A idade muda a segurança da terapia hormonal?
Sim, mas não existe uma idade única em que a reposição hormonal se torna automaticamente proibida. As diretrizes consideram que, para muitas mulheres saudáveis com sintomas importantes, iniciar o tratamento antes dos 60 anos ou dentro dos primeiros dez anos após a menopausa apresenta uma relação entre benefícios e riscos mais favorável.
Quando o início ocorre depois dos 60 anos ou mais de dez anos após a menopausa, os riscos absolutos de trombose e outros eventos cardiovasculares tendem a ser maiores. Por isso, a avaliação deve considerar também pressão arterial, doenças associadas e medicamentos utilizados. O tratamento de reposição hormonal deve ser definido pelo ginecologista, com acompanhamento e reavaliações periódicas.

Quem já teve trombose pode fazer reposição hormonal?
O histórico de trombose é um alerta importante e pode contraindicar a terapia hormonal sistêmica. Em situações selecionadas, diretrizes especializadas admitem avaliar estrogênio transdérmico em baixa dose, após análise individual dos riscos, mas isso não significa que seja seguro para todas as mulheres. Quando os hormônios não são indicados, existem alternativas de tratamento para os sintomas da menopausa, incluindo opções não hormonais.
Quem utiliza reposição deve procurar avaliação rápida diante de dor e inchaço repentinos em uma perna. Falta de ar súbita, dor no peito ou desmaio exigem atendimento de emergência, pois podem indicar embolia pulmonar. Nenhum tratamento hormonal deve ser iniciado, substituído ou interrompido sem orientação médica.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. A reposição hormonal exige prescrição individualizada, especialmente em mulheres com histórico de trombose ou outros fatores de risco cardiovascular.








