Perceber que as roupas ficaram mais apertadas depois de começar um medicamento pode levantar uma dúvida: será que o remédio está provocando ganho de peso? Corticoides, alguns antidepressivos, antipsicóticos e medicamentos para diabetes estão entre os tratamentos que podem causar esse efeito. Entretanto, nem todas as pessoas engordam, e o aumento na balança também pode ter outras explicações. O primeiro cuidado é conversar com o médico, sem interromper o tratamento por conta própria.
Quais são os 6 medicamentos que podem causar ganho de peso?
O efeito varia conforme a substância, a dose, a duração do tratamento e as características de cada pessoa. Uma publicação científica da Obesity Medicine Association identifica diferentes classes de medicamentos associadas ao aumento do peso corporal, embora ressalte que as respostas individuais podem variar bastante.
Entre os exemplos mais conhecidos estão:
- Prednisona: esse corticoide pode aumentar o apetite, favorecer a retenção de líquidos e alterar a distribuição da gordura corporal, principalmente em tratamentos prolongados.
- Amitriptilina: antidepressivo também utilizado em algumas condições de dor crônica, pode favorecer o ganho de peso por alterações no apetite e outros efeitos.
- Mirtazapina: utilizada no tratamento da depressão, pode aumentar a fome e favorecer o ganho de peso durante o uso.
- Olanzapina: antipsicótico empregado em determinados transtornos psiquiátricos, está entre os medicamentos dessa classe com maior associação ao aumento de peso e a alterações metabólicas.
- Insulina: essencial para muitas pessoas com diabetes, pode provocar aumento de peso à medida que melhora o aproveitamento e o armazenamento da glicose pelo organismo.
- Ácido valproico: anticonvulsivante também utilizado em algumas condições neurológicas e psiquiátricas, pode aumentar o peso durante o tratamento, embora esse efeito não ocorra em todos os pacientes.
Outros medicamentos, como pregabalina, gabapentina, quetiapina e algumas sulfonilureias utilizadas no diabetes, também podem estar associados ao aumento de peso. Isso não significa que todos os remédios dessas categorias tenham o mesmo efeito.
Por que alguns remédios fazem a pessoa engordar?
O ganho de peso pode acontecer por diferentes mecanismos. Alguns medicamentos aumentam a sensação de fome, enquanto outros modificam o metabolismo, favorecem o armazenamento de energia ou provocam sonolência, dificultando a manutenção das atividades habituais.
Existe ainda uma diferença entre acumular gordura corporal e apresentar retenção de líquidos. Corticoides, por exemplo, podem provocar ambos os efeitos. Por isso, nem toda mudança rápida na balança representa aumento de gordura. Os efeitos colaterais dos corticoides também dependem da dose e do tempo de utilização.

Como saber se o aumento de peso está relacionado ao medicamento?
Uma pista é observar se a mudança começou após o início do tratamento ou depois de um ajuste da dose. Entretanto, essa relação temporal não confirma que o medicamento seja a causa. Alterações alimentares, menor atividade física, problemas hormonais e a própria condição tratada também podem influenciar o peso.
Registrar o peso periodicamente, perceber mudanças no apetite e anotar quando os sintomas começaram pode facilitar a consulta. O médico poderá avaliar esses dados junto com o histórico de saúde e os medicamentos utilizados. Ganho rápido de peso acompanhado de inchaço importante, falta de ar ou redução da urina exige avaliação médica imediata, pois pode indicar retenção de líquidos por uma condição que precisa de tratamento.
O que fazer para controlar o peso sem parar o tratamento?
Mesmo quando o medicamento contribui para o ganho de peso, algumas mudanças na rotina podem ajudar. Uma análise publicada no Journal of the Endocrine Society recomenda que os profissionais considerem o impacto dos medicamentos sobre o peso e avaliem alternativas quando isso for clinicamente apropriado, sempre preservando o tratamento da doença principal.
Entre os cuidados que podem ser adotados estão:
- Organizar as refeições: priorizar verduras, frutas, feijão, proteínas e alimentos ricos em fibras, que ajudam na saciedade.
- Manter atividade física regular: caminhadas e exercícios de força, quando liberados, ajudam a preservar a massa muscular e controlar o peso.
- Observar o apetite: perceber se a fome aumentou após começar o medicamento pode ajudar a planejar horários e porções.
- Acompanhar o peso: utilizar registros periódicos, sem necessidade de se pesar várias vezes ao dia.
- Conversar sobre os efeitos adversos: relatar as mudanças ao médico para avaliar a necessidade de acompanhamento nutricional ou ajustes no tratamento.

É possível trocar o medicamento por outro que não engorde?
Em algumas situações, sim. Existem medicamentos com menor tendência a provocar ganho de peso dentro de determinadas classes terapêuticas. Entretanto, a escolha depende da doença tratada, da resposta individual, das contraindicações e das possíveis interações medicamentosas. Uma alternativa adequada para uma pessoa pode não funcionar para outra.
Antidepressivos, anticonvulsivantes e corticoides, especialmente após uso prolongado, não devem ser suspensos abruptamente, pois isso pode provocar sintomas de retirada, piora da doença ou outras complicações. O médico poderá avaliar se é possível modificar a dose, considerar outra substância ou manter o tratamento com medidas adicionais de acompanhamento. O objetivo é controlar o peso sem comprometer a saúde.
Importante: este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica. Nunca interrompa, substitua ou altere a dose de medicamentos sem orientação profissional.









