Acordar várias vezes durante a madrugada, sentir calor intenso ou passar horas tentando voltar a dormir são queixas comuns na menopausa. As oscilações hormonais dessa fase, especialmente a redução do estrogênio, podem favorecer ondas de calor, suores noturnos e alterações na qualidade do descanso. Mas dormir mal não precisa ser aceito como uma consequência inevitável do envelhecimento. Existem tratamentos com evidências científicas e mudanças de hábitos que ajudam a recuperar noites mais tranquilas.
Por que a menopausa pode provocar insônia?
Durante a perimenopausa, período que antecede a última menstruação, os níveis hormonais começam a oscilar. Essas mudanças afetam mecanismos envolvidos na regulação da temperatura corporal, favorecendo ondas repentinas de calor e transpiração. Quando os episódios acontecem à noite, a mulher pode despertar repetidamente, precisar retirar as cobertas ou trocar o pijama, dificultando a continuidade do sono.
Entretanto, os calorões não explicam todas as dificuldades para dormir. Alterações de humor, ansiedade, dores e mudanças relacionadas ao envelhecimento também podem contribuir. Algumas mulheres apresentam dificuldade para adormecer, enquanto outras conseguem dormir rapidamente, mas acordam muito cedo. Esses sintomas podem surgir antes mesmo da interrupção definitiva da menstruação, durante a fase de transição para a menopausa.
O que realmente ajuda a tratar a insônia nessa fase?
Uma das abordagens com melhores evidências é a terapia cognitivo-comportamental para insônia, conhecida como TCC-I. O tratamento trabalha pensamentos e comportamentos que mantêm as dificuldades para dormir, incluindo preocupações excessivas com o sono, horários irregulares e longos períodos acordada na cama.
Um ensaio clínico publicado na revista Sleep em 2019 comparou diferentes tratamentos para insônia crônica em mulheres após a menopausa. A terapia cognitivo-comportamental apresentou resultados superiores aos da orientação sobre higiene do sono isoladamente, incluindo melhora na continuidade do descanso. Isso mostra que mudar hábitos pode ajudar, mas a insônia persistente frequentemente exige uma abordagem mais estruturada.

Quais hábitos podem melhorar o sono durante a menopausa?
Pequenas mudanças na rotina podem tornar as noites mais confortáveis, principalmente quando o calor e os despertares são frequentes. Essas medidas fazem parte da higiene do sono, conjunto de cuidados que favorece a regularidade do descanso.
Entre as atitudes que podem ajudar estão:
- Manter o quarto fresco: utilizar ventilador ou ar-condicionado, quando possível, e escolher roupas leves pode diminuir o desconforto causado pelo calor noturno.
- Regular os horários: acordar aproximadamente no mesmo horário todos os dias ajuda a manter o ritmo natural do sono.
- Reduzir a cafeína: evitar café, chá-preto e energéticos no fim da tarde e à noite pode facilitar o adormecimento.
- Evitar álcool antes de dormir: embora provoque sonolência inicialmente, ele pode fragmentar o sono e piorar os despertares.
- Praticar atividade física: caminhadas e outros exercícios regulares podem beneficiar o sono e o bem-estar, respeitando as condições de saúde individuais.
- Criar um período de relaxamento: diminuir a iluminação e evitar atividades estimulantes perto da hora de deitar pode facilitar a transição para o descanso.
A reposição hormonal pode ajudar a dormir melhor?
Sim, em determinadas situações. A terapia hormonal da menopausa é eficaz para reduzir ondas de calor e suores noturnos, podendo melhorar o sono quando os despertares estão relacionados a esses sintomas. Entretanto, não é um tratamento universal para qualquer tipo de insônia. A indicação depende da intensidade das queixas, do histórico de saúde, das contraindicações e dos riscos individuais.
As diretrizes britânicas NICE sobre menopausa também recomendam considerar a terapia cognitivo-comportamental para problemas de sono associados aos sintomas vasomotores, inclusive como complemento à terapia hormonal. Quando os hormônios não são indicados ou não são desejados, existem alternativas não hormonais para controlar os sintomas. Medicamentos para dormir, hormônios e suplementos não devem ser iniciados sem avaliação profissional.

Quando a dificuldade para dormir merece investigação?
É indicado procurar avaliação quando a insônia acontece com frequência, persiste por semanas ou meses ou começa a prejudicar a memória, o humor, a concentração e a disposição durante o dia. Ronco intenso, pausas na respiração, engasgos noturnos e sonolência excessiva podem sugerir apneia do sono, condição que também pode ocorrer nessa fase da vida. Movimentos incômodos nas pernas e dores persistentes são outras possíveis causas de despertares.
O acompanhamento com ginecologista, clínico geral ou especialista em medicina do sono ajuda a identificar se o problema está relacionado aos sintomas da menopausa, a um transtorno de sono específico ou a outros fatores. Com a causa esclarecida, é possível escolher um tratamento adequado, sem depender exclusivamente de medicamentos para dormir.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. Mulheres com insônia persistente ou sintomas intensos da menopausa devem buscar orientação profissional para investigar as causas e definir o tratamento mais adequado.








