Alguns medicamentos utilizados para aliviar dores, tratar gripes ou controlar doenças crônicas podem aumentar a pressão arterial, mesmo quando não são remédios para o coração. Anti-inflamatórios como ibuprofeno e diclofenaco, descongestionantes, corticoides e determinados antidepressivos estão entre os exemplos. O efeito não acontece com todas as pessoas, mas exige atenção especial de quem já tem hipertensão. Conhecer essas possíveis interações ajuda a evitar problemas sem interromper tratamentos necessários por conta própria.
Por que alguns medicamentos fazem a pressão subir?
A pressão arterial depende de fatores como o volume de sangue circulante, o funcionamento dos rins e a contração dos vasos sanguíneos. Alguns medicamentos interferem nesses mecanismos, favorecendo a retenção de sódio e líquidos ou provocando o estreitamento dos vasos. Outros podem diminuir o efeito de remédios utilizados para controlar a hipertensão.
A Associação Americana do Coração (AHA) alerta que medicamentos vendidos com ou sem receita podem elevar a pressão e recomenda consultar um profissional antes de utilizá-los. O risco depende da dose, da duração do tratamento, das doenças existentes e da combinação com outros remédios.
Quais são os 6 medicamentos que podem aumentar a pressão?
Alguns desses produtos são utilizados ocasionalmente, enquanto outros fazem parte de tratamentos contínuos. Entre os exemplos que merecem atenção estão:
- Ibuprofeno: esse anti-inflamatório pode reduzir a eliminação de sódio pelos rins, favorecer retenção de líquidos e interferir na ação de determinados anti-hipertensivos.
- Diclofenaco: pertence à mesma classe do ibuprofeno e também pode elevar a pressão. Pessoas com doenças cardiovasculares ou renais precisam de cuidado adicional.
- Pseudoefedrina: encontrada em determinados descongestionantes e antigripais, pode contrair os vasos sanguíneos e aumentar a pressão e os batimentos cardíacos.
- Prednisona: corticoide utilizado em doenças inflamatórias e alérgicas, pode favorecer retenção de líquidos e aumento da pressão, especialmente conforme a dose e o tempo de uso.
- Anticoncepcionais combinados: pílulas que contêm estrogênio podem elevar a pressão em algumas mulheres. O risco merece avaliação especial quando a hipertensão não está controlada.
- Venlafaxina: antidepressivo que atua sobre serotonina e noradrenalina, pode provocar aumento da pressão, principalmente em doses mais elevadas. Nem todos os antidepressivos apresentam o mesmo efeito.
Esses medicamentos não são necessariamente proibidos para todas as pessoas hipertensas. A declaração científica da AHA sobre hipertensão resistente destaca que os efeitos variam bastante entre indivíduos. A decisão deve considerar os benefícios do tratamento e os riscos de cada situação.

O anti-inflamatório pode atrapalhar o remédio da pressão?
Sim. Anti-inflamatórios não esteroides, como ibuprofeno e diclofenaco, podem reduzir a resposta a medicamentos como losartana, enalapril e determinados diuréticos. Além de dificultar o controle da pressão, algumas combinações aumentam o risco de lesão renal, especialmente em idosos, pessoas desidratadas ou com doença renal preexistente.
Por isso, quem utiliza medicamentos diariamente para controlar a pressão alta deve informar ao médico ou farmacêutico antes de acrescentar um anti-inflamatório. Dependendo da causa da dor, pode existir uma alternativa mais adequada. Não é recomendado suspender o anti-hipertensivo para tomar outro medicamento.
O que conversar com o médico antes de usar esses remédios?
Informar todos os medicamentos utilizados, incluindo antigripais, anticoncepcionais, suplementos e produtos vendidos sem receita, ajuda a identificar possíveis interações. Também vale perguntar se o tratamento pode interferir na pressão, se existe uma alternativa apropriada e se será necessário aumentar a frequência das medições.
Quem percebe valores repetidamente mais altos após começar um medicamento deve registrar as medidas, os horários e os sintomas para apresentar na consulta. Esse acompanhamento ajuda o profissional a investigar a relação com o tratamento e avaliar possíveis ajustes. Nenhum antidepressivo, corticoide, anticoncepcional ou medicamento para hipertensão deve ser interrompido ou ter sua dose modificada sem orientação.

Quando a pressão alta exige atendimento imediato?
Uma pressão igual ou superior a 180 por 120 mmHg deve ser repetida após pelo menos um minuto de repouso e exige orientação médica rápida se permanecer elevada. Quando valores nessa faixa vêm acompanhados de dor no peito, falta de ar, fraqueza súbita, alteração da fala ou da visão, é necessário acionar o SAMU pelo número 192. Esses sintomas também exigem emergência quando sugerem infarto ou AVC, independentemente do valor medido.
O Tua Saúde apresenta orientações sobre o que fazer quando a pressão está alta. Fora das situações de emergência, a revisão dos medicamentos com o médico ou farmacêutico pode ajudar a manter o tratamento necessário sem comprometer o controle da hipertensão.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. Antes de iniciar, interromper ou modificar medicamentos, procure orientação profissional.









