Um desmaio durante o esforço físico ou um caso de morte súbita em um familiar jovem não devem ser ignorados. Esses são sinais de alerta da cardiomiopatia hipertrófica, a principal causa genética de morte súbita em atletas e jovens aparentemente saudáveis. A doença provoca o espessamento anormal do músculo do coração, que dificulta a ejeção do sangue e pode se manifestar pela primeira vez justamente durante a atividade física.
O que é a cardiomiopatia hipertrófica?
A cardiomiopatia hipertrófica é uma doença genética em que o músculo do coração, principalmente a parede do ventrículo esquerdo, fica mais espesso do que o normal. Esse espessamento dificulta a saída do sangue e altera a atividade elétrica do coração.
Por ter origem hereditária, costuma surgir na infância ou no início da vida adulta. É uma das doenças cardiovasculares mais associadas à morte súbita em pessoas jovens e ativas.
Quais são os sinais de alerta?
A doença costuma ser silenciosa, mas alguns sintomas pedem atenção imediata, sobretudo quando aparecem durante o esforço físico. Os principais sinais de alerta são:
- Desmaios ou quase desmaios durante ou logo após o exercício;
- Falta de ar desproporcional ao esforço realizado;
- Dor no peito ao se exercitar;
- Palpitações ou sensação de batimentos irregulares;
- Histórico de morte súbita em familiares jovens.

Por que o espessamento do músculo é perigoso?
Quando o músculo do coração fica muito espesso, ele pode bloquear parcialmente a passagem do sangue para fora do coração, dificultando a ejeção durante o esforço. Isso ajuda a explicar os desmaios que surgem no auge da atividade física.
Além disso, o crescimento irregular das células cria áreas que favorecem arritmias, batimentos descoordenados que podem levar à parada cardíaca. Em muitos casos, a morte súbita é a primeira manifestação da doença.
Como é feito o diagnóstico e a prevenção?
O diagnóstico começa com a avaliação dos sintomas e do histórico familiar, seguida de exames do coração. A triagem costuma envolver algumas etapas importantes, orientadas pelo cardiologista:
- Ecocardiograma, exame de imagem que mede a espessura do músculo cardíaco;
- Teste ergométrico, que avalia o comportamento do coração durante o esforço;
- Eletrocardiograma e, em alguns casos, teste genético e ressonância magnética;
- Implante preventivo de cardioversor-desfibrilador (CDI) em pessoas com alto risco de morte súbita.

O que a ciência diz sobre o risco em jovens?
Evidências científicas reforçam a gravidade da doença em pessoas jovens e ativas. Segundo a publicação científica Hypertrophic Cardiomyopathy, do StatPearls, disponível na Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, a cardiomiopatia hipertrófica é a causa identificável mais comum de morte súbita em pessoas saudáveis com menos de 35 anos, incluindo atletas bem treinados.
Esses dados mostram por que a triagem cardíaca e a atenção ao histórico familiar são tão importantes. Identificar a doença cedo permite adotar medidas de prevenção, como o acompanhamento da cardiomiopatia hipertrófica e, quando indicado, o implante do desfibrilador.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico. Diante de desmaios durante o exercício ou histórico familiar de morte súbita, procure orientação de um profissional de saúde qualificado.









