Passar muitas horas sentada, seja diante do computador ou durante uma viagem longa, pode deixar a circulação sanguínea das pernas mais lenta. Isso acontece porque os músculos da panturrilha permanecem pouco ativos, dificultando o retorno do sangue ao coração. Em determinadas condições, essa imobilidade favorece a formação de coágulos, conhecidos como trombose venosa profunda. Levantar, caminhar e movimentar os pés regularmente são cuidados simples que ajudam a reduzir esse risco, especialmente em pessoas com outros fatores de predisposição.
Por que ficar muito tempo sentada pode favorecer a trombose?
As veias das pernas dependem parcialmente da contração dos músculos da panturrilha para transportar o sangue de volta ao coração. Durante a caminhada, essa musculatura funciona como uma bomba natural. Quando a pessoa permanece sentada por várias horas, especialmente com pouco espaço para movimentar as pernas, o fluxo sanguíneo pode diminuir e favorecer a chamada estase venosa, um dos mecanismos envolvidos na formação de coágulos.
Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) alertam que viagens superiores a quatro horas podem aumentar o risco de trombose, independentemente de serem realizadas de avião, ônibus, trem ou carro. Apesar disso, o risco absoluto permanece baixo para a maioria das pessoas saudáveis e depende também de fatores individuais.
Trabalhar sentada o dia inteiro oferece o mesmo risco de uma viagem longa?
Não necessariamente. Embora as duas situações envolvam pouca movimentação, as evidências são mais consistentes para viagens prolongadas. No ambiente de trabalho, o risco pode depender da duração dos períodos sem levantar, da possibilidade de movimentar as pernas e da presença de outras condições de saúde.
Um estudo publicado no Journal of the Royal Society of Medicine, com 197 pessoas que tiveram tromboembolismo venoso e 197 participantes de comparação, encontrou associação entre permanecer sentado por pelo menos dez horas ao dia, incluindo períodos de duas horas consecutivas sem levantar, e maior ocorrência de trombose. Entretanto, pesquisas populacionais posteriores não encontraram a mesma associação para o trabalho sedentário em geral. Por isso, ficar sentado não deve ser considerado uma causa isolada ou inevitável da doença.

O que fazer para melhorar a circulação durante viagens e no trabalho?
Interromper longos períodos de imobilidade ajuda a ativar os músculos das pernas. O CDC recomenda levantar e caminhar a cada uma ou duas horas durante viagens prolongadas, além de realizar movimentos com os tornozelos e as panturrilhas enquanto a pessoa permanece sentada.
Algumas medidas podem ser incorporadas à rotina:
- Levantar regularmente: caminhar alguns minutos a cada uma ou duas horas, sempre que possível e seguro.
- Movimentar os tornozelos: levantar e abaixar as pontas dos pés, alternando com o movimento dos calcanhares apoiados no chão.
- Contrair as panturrilhas: tensionar e relaxar os músculos das pernas repetidamente enquanto estiver sentado.
- Fazer pausas nas viagens: programar paradas de carro ou aproveitar oportunidades seguras para caminhar em ônibus, trens e aviões.
- Evitar posições muito restritas: manter espaço para movimentar as pernas e não permanecer longos períodos com elas cruzadas.
No escritório, levantar para buscar água, conversar com um colega ou caminhar durante uma pausa pode ajudar a interromper o tempo sentado. Essas estratégias favorecem a circulação, mas não garantem a prevenção da trombose.
Quem precisa ter mais cuidado com a trombose ao ficar sentada?
Algumas condições aumentam a predisposição à formação de coágulos. Entre elas estão histórico pessoal ou familiar de trombose, obesidade, cirurgia recente, imobilização por fraturas, gravidez, pós-parto, câncer ativo e uso de anticoncepcionais com estrogênio ou terapia hormonal. O risco também aumenta com a idade.
Pessoas com esses fatores devem conversar com um médico antes de viagens prolongadas, especialmente quando já tiveram trombose. Em situações específicas, podem ser indicadas meias de compressão graduada ou outras medidas preventivas. O uso de aspirina ou anticoagulantes por conta própria não é recomendado, pois pode causar sangramentos. O Tua Saúde explica outras causas e fatores de risco para trombose que precisam ser considerados individualmente.

Quais sinais nas pernas indicam que é hora de procurar atendimento?
Inchaço novo em apenas uma perna, dor persistente na panturrilha, aumento da temperatura local e vermelhidão ou mudança de coloração podem indicar trombose venosa profunda. Esses sintomas exigem avaliação médica no mesmo dia, mesmo que apareçam dias depois de uma viagem. Não é possível confirmar o diagnóstico apenas pela aparência da perna, e algumas pessoas podem apresentar poucos sintomas.
Se houver falta de ar repentina, dor no peito, tosse com sangue ou desmaio, é necessário procurar atendimento de emergência imediatamente ou acionar o SAMU pelo número 192. Esses sinais podem indicar embolia pulmonar, complicação grave que ocorre quando um coágulo bloqueia a circulação nos pulmões.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde.









