Sentir dor no ouvido depois de entrar na piscina pode ser sinal de irritação ou inflamação do canal auditivo, especialmente quando a água permanece retida por muito tempo. A umidade favorece alterações na proteção natural da pele e pode facilitar a multiplicação de microrganismos, provocando uma condição conhecida como otite externa, ou ouvido de nadador. A dor no ouvido que piora ao tocar ou puxar a orelha, principalmente quando acompanhada de coceira, secreção ou sensação de ouvido tampado, merece avaliação médica. Entretanto, nem todo desconforto depois de nadar significa infecção, pois a presença de água ou cera também pode causar sensação de pressão e abafamento.
Por que a água da piscina pode provocar inflamação no ouvido?
O canal auditivo externo é revestido por uma pele delicada e protegido por uma camada de cera, chamada cerume. Essa substância ajuda a manter condições que dificultam a proliferação de microrganismos e protege a região contra irritações.
Quando a água permanece no canal por muito tempo, a pele pode ficar amolecida e suas defesas naturais podem ser prejudicadas. Isso cria condições favoráveis para a multiplicação de bactérias e, em alguns casos, fungos, especialmente quando existem pequenos machucados provocados por cotonetes ou pelo hábito de coçar o ouvido.
Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a otite externa está relacionada à permanência de água no canal auditivo, que favorece o crescimento de bactérias. A instituição destaca que manter os ouvidos secos e evitar objetos dentro do canal são medidas importantes para reduzir o risco de infecção.

Quais sintomas podem indicar otite externa?
A inflamação pode começar com uma coceira discreta ou sensação de ouvido tampado e evoluir para dor mais intensa. Uma característica da otite externa é o aumento do desconforto quando a orelha é movimentada ou quando se pressiona a pequena saliência localizada na entrada do ouvido, chamada trago.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
- Dor ao tocar a orelha: o desconforto pode aumentar ao puxar suavemente a parte externa do ouvido ou pressionar a região próxima à entrada do canal.
- Coceira persistente: sensação de irritação dentro do ouvido, que pode aparecer antes da dor.
- Ouvido tampado: sensação de pressão ou bloqueio causada pelo inchaço da pele ou pelo acúmulo de secreções.
- Vermelhidão e inchaço: alterações inflamatórias que podem estreitar o canal auditivo.
- Saída de secreção: presença de líquido claro, amarelado ou com odor desagradável.
- Audição abafada: dificuldade temporária para ouvir, especialmente quando o canal está inflamado ou obstruído.
Esses sintomas podem indicar otite externa, mas também podem ocorrer em outras condições. A confirmação depende do exame do ouvido, realizado pelo médico com um aparelho chamado otoscópio.
O que fazer quando o ouvido começa a doer depois da piscina?
Quando existe apenas uma sensação leve de água presa, sem dor importante ou secreção, algumas medidas simples podem ajudar a eliminar a umidade. Entretanto, se a região já estiver dolorida ou inflamada, é importante evitar manipulações que possam agravar o problema.
Os principais cuidados incluem:
- Manter o ouvido seco: evitar piscina, mergulhos e entrada de água durante o banho enquanto houver dor ou suspeita de inflamação.
- Inclinar a cabeça suavemente: quando houver apenas água retida, posicionar o ouvido afetado para baixo pode facilitar a saída natural do líquido.
- Secar somente a parte externa: utilizar uma toalha macia sem introduzi-la no canal auditivo.
- Evitar cotonetes: não inserir hastes flexíveis, dedos, grampos ou outros objetos para tentar retirar água ou cera.
- Não coçar o ouvido: pequenos ferimentos na pele podem aumentar a irritação e facilitar infecções.
- Não utilizar receitas caseiras: evitar pingar álcool, vinagre, óleos ou água oxigenada sem orientação profissional.
Esses cuidados ajudam a proteger a região, mas não substituem o tratamento quando existe infecção. Pessoas com perfuração do tímpano, tubos de ventilação ou histórico de cirurgia no ouvido precisam de atenção especial, pois determinadas soluções podem causar complicações.
É necessário usar gotas para tratar a dor no ouvido?
Nem sempre. A necessidade de medicamentos depende da causa do desconforto. Quando existe otite externa bacteriana, o tratamento frequentemente envolve gotas auriculares específicas, que podem conter antibióticos e outras substâncias para controlar a inflamação.
Entretanto, nem toda dor após a piscina é provocada por bactérias. Irritações da pele, dermatites, acúmulo de cera e infecções por fungos podem exigir abordagens diferentes. Por isso, utilizar gotas por conta própria pode atrasar o diagnóstico ou agravar o problema.
Não é recomendado iniciar antibióticos, gotas com corticoides ou produtos para secar o ouvido sem indicação médica. Algumas formulações não são adequadas quando existe perfuração do tímpano, condição que nem sempre pode ser identificada sem exame.
Quando a inflamação é confirmada, o médico também pode orientar medidas para aliviar a dor e evitar nova exposição à água durante a recuperação.

Quando a dor no ouvido precisa de avaliação médica?
É importante procurar um clínico geral ou otorrinolaringologista quando a dor persiste, aumenta de intensidade ou aparece acompanhada de secreção, febre, inchaço ou diminuição da audição. Esses sinais podem indicar uma infecção que necessita de tratamento específico.
Pessoas com diabetes ou alterações importantes da imunidade devem procurar avaliação médica prontamente diante de dor no ouvido, principalmente quando ela é intensa, persistente ou piora durante a noite. Nesses grupos, algumas infecções do canal auditivo podem atingir tecidos mais profundos e provocar complicações graves.
Também é necessário buscar atendimento urgente quando existe dor muito forte, febre alta, vermelhidão ou inchaço que se espalha ao redor da orelha, fraqueza facial ou piora importante do estado geral. Uma perda súbita e significativa da audição exige avaliação imediata, mesmo que tenha começado depois de nadar.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









