Fumar prejudica o coração de homens e mulheres, mas o aumento do risco de doença coronariana associado ao cigarro pode ser proporcionalmente maior no público feminino. Uma análise publicada na revista científica The Lancet encontrou um risco relativo 25% maior nas mulheres fumantes em comparação com o aumento observado nos homens. A descoberta chama atenção para os efeitos do tabagismo sobre a circulação e reforça que abandonar o cigarro traz benefícios em qualquer idade.
O que a pesquisa descobriu sobre o risco cardíaco nas mulheres?
Uma análise publicada em 2011 na The Lancet reuniu dados de 86 estudos de acompanhamento, envolvendo aproximadamente 3,9 milhões de pessoas. Ao considerar 75 grupos de participantes, com cerca de 2,4 milhões de indivíduos, e ajustar outros fatores cardiovasculares, os pesquisadores encontraram uma diferença de 25% entre mulheres e homens no risco relativo de doença coronariana associado ao tabagismo.
Isso não significa que toda mulher fumante tenha 25% mais chances absolutas de sofrer um infarto do que um homem fumante. A comparação avaliou quanto fumar aumentava o risco em relação a pessoas que não fumavam, dentro de cada sexo. A doença coronariana inclui problemas nas artérias que irrigam o coração e pode provocar angina e infarto. Os pesquisadores não conseguiram determinar se a diferença encontrada estava ligada a fatores biológicos, comportamentais ou à combinação dos dois.
Por que fumar aumenta o risco de infarto?
A fumaça do cigarro contém substâncias que prejudicam os vasos sanguíneos e favorecem a formação de placas de gordura nas artérias. O tabagismo também aumenta a tendência à formação de coágulos, que podem interromper a passagem do sangue para o músculo cardíaco. O monóxido de carbono presente na fumaça reduz a capacidade do sangue de transportar oxigênio.
Esses efeitos podem se somar a fatores como hipertensão, diabetes e colesterol elevado. Nas mulheres, o uso de anticoncepcionais combinados com estrogênio também merece atenção especial quando existe tabagismo, porque a combinação pode aumentar os riscos cardiovasculares. Isso não significa que todas as mulheres fumantes terão problemas cardíacos, mas que o hábito representa um fator de risco modificável.

Fumar poucos cigarros por dia também prejudica o coração?
Sim. O risco cardiovascular não aparece apenas em quem fuma um maço diariamente. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), pessoas que fumam menos de cinco cigarros por dia já podem apresentar sinais precoces de doença cardiovascular.
Reduzir a quantidade de cigarros diminui a exposição à fumaça, mas não elimina seus efeitos sobre as artérias. Por isso, para proteger o coração, a meta mais segura é interromper completamente o tabagismo, em vez de considerar o consumo ocasional como inofensivo.
O que acontece com o coração depois de parar de fumar?
Os benefícios começam antes do que muitas pessoas imaginam e continuam aumentando com o tempo. Conforme o CDC, a interrupção do tabagismo reduz progressivamente o risco cardiovascular, inclusive em pessoas que já apresentam doença coronariana.
Entre as mudanças observadas após abandonar o cigarro estão:
- Nos primeiros dias: diminui a exposição ao monóxido de carbono, melhorando a capacidade do sangue de transportar oxigênio.
- Entre 1 e 2 anos: o risco de infarto diminui de forma acentuada em comparação com quem continua fumando.
- Entre 3 e 6 anos: o excesso de risco de doença coronariana associado ao tabagismo cai aproximadamente pela metade.
- Após cerca de 15 anos: o risco de doença coronariana se aproxima daquele observado em pessoas que não fumam.
Esses períodos são estimativas populacionais, não garantias individuais. Idade, tempo de tabagismo, quantidade consumida e condições de saúde influenciam a recuperação. Mesmo assim, parar depois dos 50 ou 60 anos continua trazendo benefícios importantes.

Como abandonar o cigarro e proteger a saúde cardiovascular?
Parar de fumar pode ser difícil devido à dependência de nicotina, mas existem estratégias que ajudam. Identificar situações que despertam vontade de fumar, estabelecer uma data para interromper o consumo e buscar apoio são algumas das medidas para deixar de fumar. O SUS também oferece acompanhamento e, quando indicado, tratamentos para controlar a dependência. Medicamentos e reposição de nicotina devem ser utilizados com orientação profissional.
Além de interromper o tabagismo, controlar a pressão arterial, o colesterol e a glicose ajuda a reduzir outros fatores de risco. Mulheres também devem reconhecer os sintomas de infarto feminino, que podem incluir pressão no peito, falta de ar, suor frio, náuseas e desconforto nas costas ou na mandíbula. Diante de suspeita de infarto, é necessário acionar imediatamente o SAMU, pelo 192.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. Pessoas que fumam devem procurar orientação profissional para avaliar o risco cardiovascular e receber apoio adequado para interromper o tabagismo.









