Aquele apito, chiado ou cigarra que surge no ouvido sem nenhuma fonte externa tem nome: zumbido, ou tinnitus. Cada vez mais comum em pessoas a partir dos 30 anos, ele costuma estar ligado a hábitos silenciosos do dia a dia, como o uso prolongado de fones intra-auriculares, o hábito de ranger os dentes à noite e os picos de ansiedade. Entender por que esse som aparece é o primeiro passo para procurar ajuda na hora certa e evitar que um incômodo passageiro se transforme em perda auditiva permanente.
O que é o zumbido no ouvido?
O zumbido é a percepção de um som gerado dentro do próprio corpo, sem que exista uma fonte sonora externa correspondente. Ele pode soar como apito, chiado, zunido ou pulsação e aparecer em um ou nos dois ouvidos.
Na maioria das vezes, o zumbido não é uma doença isolada, mas um sinal de que algo está acontecendo no sistema auditivo, na circulação ou no sistema nervoso. Por isso, identificar a origem é essencial para definir o cuidado mais adequado.
Como o uso de fones sobrecarrega a audição?
O ouvido interno possui estruturas delicadas chamadas células ciliadas, responsáveis por transformar o som em sinais que chegam ao cérebro. O volume alto e o uso prolongado de fones submetem essas células a um esforço contínuo, o que pode danificá-las aos poucos.
Quando esse desgaste se acumula, o cérebro passa a interpretar a sobrecarga como um som constante, dando origem ao zumbido. Como o dano às células ciliadas costuma ser irreversível, reduzir o volume e fazer pausas ao longo do dia é uma das formas mais eficazes de proteger a audição.

Quais fatores podem desencadear ou piorar o zumbido?
Além dos fones, outros hábitos e condições se somam para intensificar o zumbido, principalmente em quem vive uma rotina acelerada. Conhecer esses gatilhos ajuda a reduzir a frequência e o incômodo do sintoma.
Entre os fatores mais associados ao zumbido estão:
- Exposição a sons altos, como fones em volume elevado, shows e ambientes barulhentos;
- Bruxismo, já que a tensão na articulação da mandíbula se irradia para o ouvido;
- Estresse e ansiedade, que tornam o cérebro mais atento ao som interno;
- Alterações circulatórias, como a pressão alta, ligadas ao zumbido pulsátil;
- Acúmulo de cera, que bloqueia o canal auditivo e gera sensação de pressão.
Cuidar da saúde emocional faz parte do tratamento, já que períodos de maior tensão costumam aumentar a percepção do ruído. Por isso, controlar a ansiedade e tratar o bruxismo ajuda a reduzir a intensidade do zumbido no dia a dia.
O que um estudo científico revela sobre fones e zumbido?
A relação entre o uso de fones e o surgimento do zumbido já foi avaliada em pesquisas com grandes grupos de pessoas. Segundo o estudo Associations of Earphone Use with Tinnitus and Anxiety/Depression, publicado na revista Noise & Health, quem usa fones por pelo menos uma hora por dia apresentou maior ocorrência de zumbido e também de sintomas de ansiedade em comparação com quem não usa. Chama atenção que esse risco apareceu mesmo em pessoas com audição dentro da normalidade, o que reforça a importância de não ignorar o sintoma e de procurar avaliação precocemente, antes que surjam danos mais sérios.

Quando procurar um médico?
Todo zumbido persistente merece atenção, especialmente quando surge de forma súbita, atinge apenas um ouvido ou vem acompanhado de perda auditiva, tontura ou sensação de pressão. Esses sinais podem indicar condições que precisam de investigação específica.
Buscar um otorrinolaringologista o quanto antes aumenta as chances de identificar causas tratáveis e evitar que o quadro evolua para uma perda auditiva irreversível. A avaliação costuma incluir exame do ouvido e audiometria para definir a origem do problema.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico. Diante de zumbido persistente ou de qualquer alteração na audição, procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.









