Na hora de escolher um queijo no supermercado, muitas pessoas preferem os brancos por acreditarem que são naturalmente menos salgados e mais saudáveis. Entretanto, a aparência clara não garante uma quantidade menor de sódio. O sal no queijo depende da receita, do processo de fabricação e da quantidade adicionada pelo fabricante, e não apenas da cor ou do nome do produto. Para quem precisa controlar a pressão arterial, comparar os rótulos e observar o tamanho das porções pode fazer mais diferença do que simplesmente trocar um queijo amarelo por um branco.
Por que o queijo branco também pode conter muito sal?
O sal participa de diferentes etapas da fabricação dos queijos. Além de contribuir para o sabor, ajuda a controlar a umidade, a conservação e determinadas características da textura. A quantidade utilizada varia conforme o tipo de queijo, o processo de salga e a formulação adotada pelo fabricante.
Por isso, queijos como minas frescal, ricota, muçarela e queijo prato podem apresentar quantidades bastante diferentes de sódio. Até dois produtos com o mesmo nome podem ter composições distintas. Um queijo de sabor suave não é necessariamente pobre em sódio, assim como um queijo amarelo não contém obrigatoriamente mais sal do que todas as opções brancas.

Como identificar a quantidade de sódio no rótulo?
A tabela nutricional é a maneira mais confiável de comparar o teor de sódio entre produtos embalados. No Brasil, as regras de rotulagem permitem observar a quantidade desse mineral por porção e por 100 gramas do alimento, facilitando a comparação entre marcas.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nas regras de rotulagem nutricional, alimentos sólidos ou semissólidos com 600 miligramas ou mais de sódio por 100 gramas devem apresentar a identificação frontal de alto teor de sódio, conforme as regras aplicáveis. Essa informação ajuda a reconhecer produtos que exigem maior atenção.
Na hora da compra, vale conferir:
- Sódio por 100 gramas: permite comparar diferentes queijos usando a mesma quantidade como referência;
- Sódio por porção: indica quanto do mineral está presente na quantidade informada pelo fabricante;
- Tamanho da porção: ajuda a verificar se a quantidade do rótulo corresponde ao que realmente será consumido;
- Identificação frontal: a lupa com a expressão “Alto em sódio” sinaliza produtos que atingem o limite estabelecido;
- Gordura saturada: também merece atenção, especialmente em pessoas com colesterol elevado ou risco cardiovascular.
Por exemplo, se uma porção de 30 gramas contém 240 miligramas de sódio, consumir 60 gramas significa ingerir 480 miligramas. Esse cálculo mostra por que observar apenas os números da embalagem, sem considerar a quantidade consumida, pode levar a escolhas inadequadas.
Por que o excesso de sódio merece atenção na pressão alta?
O sódio é necessário para funções importantes do organismo, incluindo o equilíbrio de líquidos e a transmissão de impulsos nervosos. Entretanto, seu consumo excessivo pode favorecer a retenção de água e interferir nos mecanismos que regulam a pressão arterial, especialmente em pessoas com hipertensão.
O sal presente no queijo se soma ao sódio consumido em outros alimentos durante o dia, como pães, embutidos, temperos prontos e refeições industrializadas. Assim, mesmo pequenas porções podem contribuir significativamente para a ingestão diária quando aparecem repetidamente no café da manhã, nos lanches e no jantar.
Isso não significa que os laticínios precisem ser eliminados da alimentação. Queijos também podem fornecer proteínas e cálcio, nutrientes importantes para a saúde. O mais adequado é considerar a composição nutricional completa, a frequência de consumo e as necessidades individuais.
Como escolher queijos com menos sódio no dia a dia?
Reduzir o consumo de sódio não exige abandonar todos os queijos. Comparar produtos semelhantes, ajustar porções e variar os acompanhamentos são estratégias que podem ajudar a manter uma alimentação equilibrada.
Algumas atitudes práticas incluem:
- Comparar marcas: verificar qual apresenta menos sódio por 100 gramas, mesmo entre queijos da mesma variedade;
- Observar versões com menos sódio: conferir se a redução anunciada realmente representa uma diferença relevante na tabela nutricional;
- Controlar as porções: considerar a quantidade usada em sanduíches, saladas e preparações;
- Evitar combinações muito salgadas: reduzir a frequência de refeições que juntam queijo, presunto, salame e molhos industrializados;
- Variar os alimentos: alternar o queijo com outras fontes de proteínas, conforme o planejamento alimentar;
- Considerar o conjunto da alimentação: observar também o sódio presente nos demais alimentos consumidos ao longo do dia.
Para pessoas que precisam reduzir o consumo de sal, um nutricionista pode ajudar a organizar as porções sem comprometer a ingestão de nutrientes importantes. O controle alimentar deve considerar também outros fatores relacionados à saúde cardiovascular, como a qualidade das gorduras consumidas.

Quando a pressão alta precisa de acompanhamento médico?
Diminuir o consumo de alimentos ricos em sódio pode contribuir para o controle da pressão arterial, mas essa mudança não substitui a avaliação médica nem os medicamentos prescritos. A hipertensão frequentemente não provoca sintomas evidentes, tornando importante acompanhar os valores medidos.
Medidas de pressão arterial persistentemente elevadas precisam ser avaliadas por um médico, mesmo quando a pessoa já reduziu o sal da alimentação. O clínico geral ou cardiologista pode verificar os resultados, investigar fatores associados e orientar o acompanhamento adequado.
O Tua Saúde também apresenta orientações sobre o que fazer quando a pressão está alta, incluindo cuidados com a alimentação, atividade física e acompanhamento profissional.
Se houver pressão muito elevada acompanhada de dor no peito, falta de ar intensa, confusão mental ou alterações súbitas da fala ou da força muscular, é necessário procurar atendimento de emergência. A escolha de um queijo com menos sódio pode ajudar no controle alimentar a longo prazo, mas não resolve uma situação de urgência.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









