O uso da pílula anticoncepcional combinada pode aumentar o risco de trombose, mas esse risco não é igual para todas as formulações. A presença de estrogênio e o tipo de progestagênio, hormônio sintético semelhante à progesterona, influenciam a possibilidade de formação de coágulos. Embora o risco absoluto seja baixo para a maioria das mulheres saudáveis, algumas combinações hormonais apresentam números maiores que outras, especialmente quando existem fatores como tabagismo, obesidade e histórico de trombose.
Quanto a pílula anticoncepcional aumenta o risco de trombose?
Uma avaliação da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) mostrou que o risco de tromboembolismo venoso varia conforme o progestagênio presente nos anticoncepcionais combinados. Esse problema inclui a trombose venosa profunda, quando um coágulo se forma em uma veia, e a embolia pulmonar, quando o coágulo chega aos pulmões.
As estimativas divulgadas pela agência consideram quantas mulheres podem apresentar um episódio de tromboembolismo venoso durante um ano:
- Sem anticoncepcional hormonal combinado e fora da gravidez: cerca de 2 casos por 10 mil mulheres ao ano.
- Combinados com levonorgestrel, noretisterona ou norgestimato: aproximadamente 5 a 7 casos por 10 mil mulheres ao ano.
- Combinados com desogestrel, gestodeno ou drospirenona: aproximadamente 9 a 12 casos por 10 mil mulheres ao ano.
Isso significa que, embora o risco relativo aumente, a maioria das mulheres não desenvolve trombose. Os números representam estimativas populacionais, não uma previsão individual. Também não devem ser aplicados automaticamente a todas as formulações disponíveis, pois as doses e as combinações hormonais podem variar.
Por que alguns hormônios apresentam risco maior?
O estrogênio presente nos anticoncepcionais combinados pode modificar o equilíbrio entre substâncias que favorecem e aquelas que limitam a coagulação sanguínea. Esse efeito ajuda a explicar por que essas pílulas aumentam a probabilidade de formação de coágulos. O tipo de progestagênio associado ao estrogênio também influencia o resultado, assim como a composição e a dose hormonal.
Entretanto, essa comparação não vale da mesma maneira para a minipílula, que contém apenas progestagênio. Uma orientação da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), publicada na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, aponta que as pílulas exclusivamente com progestagênio não apresentam o mesmo aumento de risco de tromboembolismo venoso observado com os anticoncepcionais combinados.

Quais fatores podem aumentar ainda mais o risco?
A composição da pílula não é o único aspecto considerado na escolha do anticoncepcional. A idade, as condições de saúde e o histórico familiar também influenciam a segurança do método. Entre os fatores que merecem atenção estão:
- Tabagismo: especialmente após os 35 anos, aumenta a preocupação com complicações cardiovasculares associadas ao uso de estrogênio.
- Obesidade: pode elevar o risco de tromboembolismo venoso, principalmente quando associada a outros fatores.
- Histórico de trombose: episódios anteriores ou determinadas trombofilias podem contraindicar anticoncepcionais combinados.
- Imobilização prolongada: cirurgias importantes e períodos de repouso com pouca movimentação favorecem a formação de coágulos.
- Histórico familiar: trombose em parentes próximos, especialmente em idade jovem, pode indicar maior predisposição.
As recomendações do CDC para anticoncepcionais hormonais combinados também consideram condições como enxaqueca com aura e hipertensão, particularmente pelo risco de complicações arteriais, como acidente vascular cerebral. A avaliação deve ser individualizada. Além disso, o risco de trombose associado aos combinados é maior no primeiro ano de utilização.
Quem usa anticoncepcional precisa parar ou trocar de pílula?
Não necessariamente. A própria EMA considera que os benefícios dos anticoncepcionais combinados continuam superando os riscos para muitas mulheres. Portanto, descobrir que uma formulação apresenta risco estatisticamente maior não significa que todas as usuárias precisem interrompê-la. A decisão depende das características individuais e deve ser discutida com o ginecologista.
Quem deseja mudar de método pode conversar sobre alternativas sem estrogênio, como minipílulas, implantes e dispositivos intrauterinos, conforme a indicação clínica. O Tua Saúde reúne informações sobre trombose associada ao anticoncepcional e os cuidados necessários. Não é recomendado suspender ou substituir o método por conta própria apenas por receio dos números, pois isso pode comprometer a proteção contra uma gravidez não planejada.

Quais sintomas podem indicar uma trombose durante o uso da pílula?
Dor persistente, inchaço, calor e mudança na coloração de uma perna podem indicar trombose venosa profunda e exigem avaliação médica urgente, preferencialmente no mesmo dia. Já falta de ar repentina, dor no peito, tosse com sangue ou desmaio podem ser sinais de embolia pulmonar e exigem atendimento de emergência. No Brasil, é possível acionar o SAMU pelo número 192.
Esses sintomas não confirmam o diagnóstico, mas também não devem ser ignorados ou atribuídos automaticamente a efeitos comuns do anticoncepcional. Em caso de suspeita, é necessário procurar atendimento imediatamente, informando qual medicamento está sendo utilizado. Não se deve esperar uma consulta de rotina para investigar sinais sugestivos de trombose.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. A escolha, manutenção ou mudança de anticoncepcional deve considerar os riscos individuais e a orientação de um profissional de saúde.









