Na hora de escolher um iogurte, chocolate ou biscoito, as palavras diet e light podem passar a impressão de que o alimento é mais adequado para quem tem diabetes. Mas os termos significam coisas diferentes: diet identifica determinadas categorias de alimentos para fins especiais, enquanto light indica redução de calorias ou de algum nutriente em comparação com um produto de referência. Nenhuma dessas expressões garante, sozinha, que o alimento tenha poucos carboidratos ou provoque menor aumento da glicose no sangue.
O que significa diet no rótulo dos alimentos?
Segundo a regulamentação da Anvisa, diet é uma expressão permitida em determinadas categorias de alimentos formulados para necessidades nutricionais específicas. Isso inclui produtos destinados a dietas com restrição de nutrientes e à ingestão controlada de açúcares. A RDC 715/2022 da Anvisa estabelece requisitos para essas categorias, incluindo condições de composição e rotulagem.
Um produto diet pode ter sido formulado para restringir açúcar, gordura ou sódio, dependendo de sua finalidade. Portanto, a palavra não significa necessariamente ausência de açúcar. Mesmo quando o produto é destinado ao controle da ingestão de açúcares, ele pode apresentar outros carboidratos. O Tua Saúde explica as diferenças entre os produtos diet e light e por que a composição precisa ser analisada.
Light significa que o produto tem menos açúcar?
Não necessariamente. Light significa que o alimento apresenta uma redução de pelo menos 25% no valor energético ou no nutriente destacado, em comparação com um produto de referência, além de atender aos demais critérios aplicáveis. Essa redução pode envolver açúcar, gorduras ou sódio, por exemplo. Um iogurte light em gorduras pode continuar contendo açúcares naturalmente presentes no leite e até açúcar adicionado, dependendo da fórmula.
Por isso, a embalagem deve informar qual componente foi reduzido. Um alimento com 30% menos gordura não é automaticamente reduzido em açúcar, assim como um produto com menos calorias não é necessariamente livre de carboidratos. Para quem tem diabetes, essa distinção influencia a escolha e a quantidade que poderá integrar a alimentação.

Por que um alimento sem açúcar ainda pode aumentar a glicemia?
Porque o açúcar não é o único carboidrato capaz de influenciar a glicose no sangue. Um biscoito sem adição de açúcar, por exemplo, pode conter farinha de trigo e amido. Esses ingredientes fornecem carboidratos que são digeridos e podem elevar a glicemia, mesmo quando o produto não apresenta sacarose adicionada.
A Sociedade Brasileira de Diabetes orienta observar a quantidade de carboidratos dos produtos dietéticos, inclusive daqueles que não têm açúcar adicionado. O chocolate diet ilustra outra diferença: a retirada de açúcar não garante grande redução das calorias, pois a composição pode incluir quantidades importantes de gordura. Assim, a decisão não deve considerar apenas um ingrediente.
O que olhar na tabela nutricional antes de comprar?
A tabela nutricional permite conferir informações que não aparecem claramente na parte da frente da embalagem. A Anvisa determina a declaração de carboidratos, açúcares totais, açúcares adicionados e outros nutrientes, além dos valores por 100 g ou 100 ml e por porção, conforme as regras aplicáveis.
Na prática, quem tem diabetes pode observar:
- Carboidratos: conferir a quantidade total presente na porção que será consumida.
- Açúcares totais e adicionados: identificar quanto açúcar está presente e quanto foi acrescentado à formulação.
- Tamanho da porção: verificar se a quantidade informada corresponde ao que será realmente consumido.
- Gorduras saturadas e calorias: avaliar outras características nutricionais importantes para a saúde.
- Lista de ingredientes: identificar componentes como farinha, amido, açúcares e adoçantes.
A Anvisa explica como funciona a rotulagem nutricional, incluindo as informações sobre açúcares e a comparação entre produtos. Também é possível consultar as orientações do Tua Saúde sobre como ler os rótulos dos alimentos.

Diet ou light: qual é melhor para quem tem diabetes?
Não existe uma escolha universal. Um produto diet sem adição de açúcar pode ser útil em determinadas situações, mas ainda precisa ser considerado dentro da quantidade de carboidratos planejada para a refeição. Um alimento light também pode fazer parte da alimentação, desde que sua composição e a porção sejam adequadas às necessidades individuais.
Na alimentação de quem tem diabetes, frutas, verduras, feijão e outros alimentos in natura ou minimamente processados continuam sendo escolhas importantes. Produtos diet e light não são obrigatórios, nem substituem uma alimentação equilibrada. A quantidade de carboidratos, o tratamento utilizado e os objetivos de controle glicêmico devem orientar as decisões, preferencialmente com acompanhamento nutricional.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação ou orientação individualizada de um médico ou nutricionista.









