O diabetes aumenta o risco cardiovascular em homens e mulheres, mas seu impacto relativo sobre a doença coronariana parece ser maior no sexo feminino. Uma grande análise publicada na revista Diabetologia encontrou que a associação entre diabetes e doença do coração foi mais forte nas mulheres. Isso não significa que toda mulher com diabetes terá um problema cardíaco, mas reforça a necessidade de controlar não apenas a glicose, como também pressão, colesterol, peso, tabagismo e outros fatores de risco.
O que o estudo encontrou sobre mulheres com diabetes?
A revisão sistemática e meta-análise publicada na Diabetologia reuniu 64 estudos de coorte, 858.507 pessoas e mais de 28 mil eventos de doença coronariana. Comparadas às mulheres sem diabetes, aquelas com a doença apresentaram risco relativo 2,82 vezes maior de desenvolver doença coronariana. Entre os homens, o risco relativo foi 2,16 vezes maior quando aqueles com diabetes foram comparados aos sem a doença.
Depois dos ajustes estatísticos, o aumento relativo do risco associado ao diabetes foi cerca de 44% maior nas mulheres do que nos homens. É importante interpretar esse resultado corretamente: o estudo não concluiu simplesmente que uma mulher com diabetes necessariamente corre mais risco que qualquer homem com diabetes. A comparação mostra que o diabetes acrescentou proporcionalmente mais risco coronariano às mulheres em relação às mulheres sem diabetes.
Por que o diabetes aumenta o risco de problemas no coração?
Quando a glicose permanece elevada durante muito tempo, diferentes alterações metabólicas podem prejudicar os vasos sanguíneos e favorecer a aterosclerose, processo no qual placas se acumulam nas artérias. Além disso, diabetes frequentemente aparece junto de pressão alta, alterações do colesterol, excesso de peso e doença renal, que também influenciam o risco cardiovascular.
Por isso, cuidar do diabetes e manter a glicemia dentro das metas individualizadas é apenas uma parte da proteção. O controle precisa considerar o conjunto de fatores que afetam coração e circulação.

Por que o impacto pode ser maior nas mulheres?
Não existe uma única explicação comprovada. Os autores da análise discutem diferenças nos fatores de risco cardiovascular existentes antes do diagnóstico e na forma como esses fatores evoluem até o diabetes se desenvolver. Outros trabalhos também investigam possíveis influências biológicas e diferenças no reconhecimento e tratamento dos fatores cardiovasculares.
Na prática, o resultado não deve ser usado para diminuir a atenção dada aos homens, já que o diabetes também aumenta claramente o risco deles. Ele chama atenção para não subestimar o risco cardiovascular feminino, especialmente quando coexistem hipertensão, colesterol elevado, tabagismo, obesidade ou histórico de doença cardiovascular.
O que uma mulher com diabetes deve acompanhar?
As recomendações atuais priorizam uma avaliação cardiovascular ampla e periódica. Entre os cuidados que podem fazer parte do acompanhamento estão:
- manter a glicose e a hemoglobina glicada nas metas definidas individualmente;
- medir e controlar a pressão arterial;
- acompanhar colesterol e triglicerídeos;
- não fumar;
- manter atividade física regular e alimentação equilibrada;
- avaliar peso, função renal e outros fatores de risco;
- relatar ao médico dor no peito, falta de ar, redução da capacidade para esforços ou outros sintomas novos.
Os Padrões de Cuidados em Diabetes de 2026 da American Diabetes Association reforçam o tratamento conjunto dos principais fatores de risco cardiovascular. Algumas pessoas também podem se beneficiar de medicamentos para diabetes com benefício cardiovascular comprovado, conforme o tipo de diabetes, presença de doença cardíaca, doença renal e avaliação médica.

Quem tem diabetes precisa fazer exames do coração todo ano?
Ter acompanhamento regular é importante, mas isso não significa que toda pessoa sem sintomas precise realizar anualmente eletrocardiograma, teste de esforço ou outros exames para procurar doença coronariana. A American Diabetes Association não recomenda rastreamento rotineiro da doença coronariana em pessoas assintomáticas quando os fatores de risco cardiovascular estão sendo adequadamente tratados. Exames específicos podem ser indicados de acordo com idade, sintomas, histórico e alterações encontradas na avaliação clínica.
O mais importante é não olhar apenas para a glicose. Para mulheres com diabetes, acompanhar pressão, colesterol e saúde cardiovascular junto ao controle glicêmico ajuda a identificar riscos modificáveis e permite que o tratamento seja ajustado antes do aparecimento de complicações.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Pessoas com diabetes devem manter acompanhamento regular e não alterar medicamentos por conta própria.









