Sentir o coração acelerar durante uma onda de calor pode causar preocupação, especialmente quando a sensação aparece de repente, acompanhada de suor e vermelhidão no rosto. Durante a transição para a menopausa, as mudanças hormonais podem favorecer episódios de palpitação, mesmo sem esforço físico. A palpitação na menopausa pode acompanhar os calorões, mas nem toda aceleração cardíaca nessa fase é causada pelos hormônios. Observar quanto tempo os episódios duram, com que frequência acontecem e se existem outros sintomas ajuda a identificar quando é necessário investigar o coração.
Por que o coração pode acelerar durante os calorões?
Na perimenopausa, período de transição que antecede a menopausa, os níveis de estrogênio começam a oscilar e, posteriormente, diminuem. Essas mudanças afetam os mecanismos responsáveis pelo controle da temperatura corporal, tornando o organismo mais sensível a pequenas variações de temperatura.
Durante os calorões, também conhecidos como fogachos, ocorre dilatação dos vasos sanguíneos da pele, acompanhada de sensação intensa de calor e transpiração. Algumas mulheres percebem o coração batendo mais rápido ou com maior intensidade nesse momento. Os episódios podem acontecer durante o dia ou interromper o sono, como parte dos sintomas da menopausa.

Palpitação na menopausa significa problema cardíaco?
Nem sempre. A palpitação é a percepção dos próprios batimentos, que podem parecer acelerados, fortes ou irregulares. Episódios breves associados às ondas de calor podem ocorrer durante a transição hormonal, mas essa coincidência não permite determinar a causa com segurança.
O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), em suas orientações sobre os sintomas da menopausa, reconhece que os fogachos podem provocar palpitações, suor e tontura. A instituição também recomenda avaliação médica quando existem alterações perceptíveis nos batimentos cardíacos.
Isso é importante porque outras condições podem provocar sintomas semelhantes, incluindo anemia, alterações da tireoide, efeitos de medicamentos e arritmias cardíacas. Palpitações frequentes ou diferentes do habitual não devem ser atribuídas automaticamente à menopausa, mesmo quando aparecem junto dos calorões.
O que pode desencadear ou intensificar as palpitações?
Além das oscilações hormonais, determinados hábitos e situações podem tornar os batimentos mais perceptíveis. A sensibilidade a esses fatores varia entre as pessoas, e identificar um possível desencadeante não significa que ele seja necessariamente a única causa do sintoma.
Entre os fatores que merecem atenção estão:
- Cafeína: café, energéticos e outras bebidas estimulantes podem favorecer palpitações em pessoas sensíveis;
- Álcool: o consumo pode desencadear alterações nos batimentos e também intensificar os calorões em algumas mulheres;
- Noites mal dormidas: despertares frequentes e privação de sono podem aumentar a percepção dos batimentos;
- Estresse e ansiedade: situações de tensão podem provocar aceleração cardíaca temporária;
- Medicamentos e estimulantes: alguns descongestionantes, suplementos e outros produtos podem interferir na frequência cardíaca.
Quando existe uma relação clara entre os sintomas e determinados hábitos, reduzir o consumo de cafeína ou álcool e estabelecer horários regulares de sono pode ajudar. Entretanto, essas medidas não substituem a avaliação médica quando as palpitações continuam acontecendo.
Como observar os episódios antes da consulta?
Registrar algumas características das palpitações ajuda o médico a compreender o padrão dos sintomas. Isso é especialmente útil quando a aceleração desaparece antes da consulta e não pode ser observada diretamente durante o exame físico.
As informações mais importantes incluem:
- Horário em que o coração começou a acelerar e duração do episódio;
- Frequência das palpitações ao longo dos dias ou semanas;
- Presença de calorão, suor, tontura ou outros sintomas;
- Sensação de batimentos rápidos, fortes ou irregulares;
- Consumo recente de café, bebidas alcoólicas ou medicamentos;
- Qualidade do sono e presença de estresse antes do episódio.
Quando necessário, o profissional pode solicitar um eletrocardiograma para avaliar a atividade elétrica do coração. Em situações nas quais as palpitações aparecem apenas ocasionalmente, exames de monitoramento, como o Holter, podem ajudar a registrar o ritmo cardíaco durante as atividades habituais.

Quando o coração acelerado exige atendimento médico?
Palpitações que se repetem, duram vários minutos, aumentam de frequência ou surgem sem um motivo aparente precisam de avaliação médica. Isso também vale para episódios que começam recentemente, interferem no sono ou acontecem em pessoas com histórico de doenças cardíacas.
É necessário procurar atendimento de emergência imediatamente quando a palpitação vem acompanhada de dor ou pressão no peito, falta de ar importante, desmaio ou sensação intensa de que vai desmaiar. Nessas situações, o SAMU pode ser acionado pelo número 192. Mesmo quando esses sintomas desaparecem espontaneamente, é importante buscar avaliação médica urgente.
A investigação pode ser realizada inicialmente por um clínico geral ou cardiologista, considerando os sintomas, o histórico de saúde e os resultados dos exames. Diferenciar manifestações relacionadas à transição hormonal de problemas do ritmo cardíaco permite identificar a necessidade de acompanhamento e tratamento adequado.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









