Muita gente trata a dor no joelho olhando só para a articulação, mas às vezes o problema começa bem mais abaixo, no jeito como o pé toca o chão. O corpo funciona de forma interligada, e um pé que desaba para dentro pode transferir sobrecarga para o joelho e até para a coluna. Entender essa conexão ajuda a investigar a origem real da dor, lembrando que esse é um padrão comum na avaliação, mas não uma regra válida para todas as pessoas.
Como o jeito de pisar influencia o joelho?
O corpo funciona como uma cadeia cinética, em que o pé, o joelho, o quadril e a coluna trabalham conectados a cada passo. Os pés são a base dessa cadeia, e a forma como tocam o solo repercute nas estruturas acima.
Quando o pé apresenta pronação excessiva, ou seja, desaba para dentro, a perna tende a rotacionar e o joelho pode assumir uma posição desalinhada. Com a repetição diária de milhares de passos, isso pode gerar sobrecarga e dor na articulação.
O que é a cadeia cinética e por que ela importa?
A ideia de cadeia cinética ajuda a entender por que a dor nem sempre está onde parece. Quando uma parte do corpo não trabalha bem, outras precisam compensar, redistribuindo a carga de forma inadequada.
Nesse cenário, não é só o pé que entra na conta. A fraqueza e o encurtamento muscular em outras regiões também participam da forma como o peso é absorvido e transferido ao longo da perna.

Quais desequilíbrios costumam transferir sobrecarga?
Na avaliação, alguns padrões aparecem com frequência quando a dor no joelho tem relação com a cadeia cinética. Observá-los ajuda a entender para onde a sobrecarga está sendo direcionada.
Entre os desequilíbrios mais comuns estão:
- Pé que desaba, com pronação excessiva que desalinha o joelho;
- Glúteo fraco, que reduz a estabilidade do quadril e do joelho;
- Panturrilha encurtada, que altera a mecânica do tornozelo e do passo;
- Quadríceps pouco ativado, que diminui o suporte à articulação;
- Pouca mobilidade do tornozelo, que sobrecarrega o joelho e a coluna.
Esses fatores raramente agem isolados e costumam se somar ao longo do tempo. Por isso, uma dor no pé ou no joelho pode estar ligada a um conjunto de desequilíbrios, e não a uma única causa.
O que a ciência mostra sobre pé e joelho?
As evidências ajudam a entender a relação entre a forma do pé e a saúde do joelho. Segundo a revisão sistemática Foot characteristics and mechanics in individuals with knee osteoarthritis, publicada no periódico Journal of Foot and Ankle Research, pessoas com artrose de joelho apresentaram posturas do pé mais pronadas do que indivíduos sem a doença.
Os autores analisaram 39 estudos e reforçam que a mecânica do pé influencia a articulação do joelho, destacando a importância da cadeia cinética. Ainda assim, ponderam que não foi possível determinar se a postura do pé é causa ou consequência, o que mostra que se trata de um padrão observado, e não de uma regra para todos.

Como cuidar da dor no joelho de forma mais ampla?
Olhar para o corpo como um conjunto costuma ser mais eficaz do que focar apenas no ponto dolorido. A avaliação da pisada, da força muscular e da mobilidade ajuda a identificar o que está sobrecarregando o joelho.
Medidas como fortalecer glúteos e pernas, alongar a panturrilha e cuidar do apoio do pé podem reduzir a sobrecarga, complementando os exercícios para fortalecer o joelho e ajudando a aliviar também a dor na coluna lombar. Como cada pessoa tem suas particularidades, é fundamental procurar um médico ou fisioterapeuta para avaliar a origem da dor e orientar o tratamento mais adequado.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure orientação médica.









