Acordar sem conseguir ouvir direito de um ouvido ou perceber que a audição desapareceu em poucas horas pode parecer apenas um ouvido entupido. Entretanto, essa mudança nem sempre está relacionada ao acúmulo de cera. A perda súbita de audição pode indicar uma alteração no ouvido interno que precisa de atendimento médico urgente, pois o tempo até o diagnóstico e o início do tratamento pode influenciar as chances de recuperação. Mesmo quando não existe dor, é importante procurar avaliação imediatamente, especialmente se a perda auditiva vier acompanhada de zumbido ou tontura.
Por que a audição pode desaparecer de repente?
A audição depende da passagem dos sons pelo canal auditivo, da vibração do tímpano e do funcionamento das estruturas do ouvido interno, que transformam os estímulos sonoros em sinais enviados ao cérebro.
Quando ocorre uma obstrução, como excesso de cera, o som pode ter dificuldade para chegar às estruturas responsáveis pela audição. Entretanto, uma redução repentina também pode acontecer por alterações na cóclea ou no nervo auditivo, caracterizando uma possível perda auditiva neurossensorial súbita.
Segundo o Instituto Nacional de Surdez e Outros Distúrbios da Comunicação dos Estados Unidos (NIDCD), a perda auditiva neurossensorial súbita costuma atingir apenas um ouvido e pode surgir de uma vez ou ao longo de poucos dias. A instituição considera essa condição uma emergência médica, pois atrasar o tratamento pode reduzir sua eficácia.

Ouvido tampado pode ser sinal de perda auditiva súbita?
Sim. A sensação de pressão ou ouvido cheio pode acompanhar a perda auditiva súbita, mesmo quando não existe cera bloqueando o canal auditivo. Algumas pessoas percebem o problema ao acordar, usar o telefone ou tentar compreender uma conversa.
Além da redução da audição, outros sintomas podem aparecer:
- Ouvido abafado: sensação repentina de que os sons estão distantes ou mais baixos de um lado.
- Zumbido: aparecimento de chiado, apito ou outro ruído sem uma fonte sonora externa.
- Tontura: sensação de desequilíbrio ou de que o ambiente está girando.
- Dificuldade para entender a fala: percepção de que as palavras ficaram menos claras em um ouvido.
- Pressão no ouvido: sensação de ouvido cheio, mesmo sem dor ou secreção.
Esses sinais não confirmam uma alteração neurossensorial, mas também não permitem descartá-la. Por isso, uma perda repentina da audição não deve ser tratada como simples excesso de cera sem avaliação profissional.
O que não fazer quando um ouvido para de ouvir?
Ao perceber que a audição diminuiu de repente, tentar desentupir o ouvido em casa pode atrasar o diagnóstico e provocar lesões. Mesmo quando a pessoa acredita que o problema seja causado por cera, é importante evitar manipular o canal auditivo.
Alguns cuidados incluem:
- Não introduzir cotonetes, grampos, pinças ou outros objetos dentro do ouvido.
- Não aplicar gotas, óleos, álcool ou soluções caseiras sem orientação médica.
- Não tentar retirar profundamente a cera por conta própria.
- Evitar exposição a sons intensos enquanto a audição está alterada.
- Não esperar vários dias para verificar se a audição volta espontaneamente.
Mesmo que a audição melhore parcialmente, uma perda repentina merece avaliação médica. A melhora não garante que a causa tenha desaparecido ou que não exista necessidade de tratamento.
Como o médico investiga uma perda repentina de audição?
O otorrinolaringologista pode começar examinando o canal auditivo e o tímpano para verificar se existe cera, inflamação, líquido ou outra alteração que explique a dificuldade para ouvir. Quando não há uma causa evidente, exames auditivos ajudam a identificar qual parte do sistema auditivo está comprometida.
A audiometria é um dos principais exames utilizados para avaliar a intensidade e o tipo de perda auditiva. Dependendo dos resultados e dos sintomas, também podem ser solicitados exames complementares.
Quando é identificada uma perda auditiva neurossensorial súbita, o tratamento pode incluir corticosteroides, por via oral ou aplicação no ouvido, conforme a avaliação médica. Esses medicamentos não são indicados para todas as causas de perda auditiva e não devem ser utilizados por conta própria.
O tratamento precoce pode melhorar as possibilidades de recuperação em determinados casos de surdez ou perda auditiva, mas o resultado depende da causa, da gravidade e de outros fatores individuais.

Quando procurar atendimento médico urgente?
Qualquer redução repentina e importante da audição em um ou nos dois ouvidos deve ser avaliada imediatamente, preferencialmente no mesmo dia. Se não houver acesso rápido a um otorrinolaringologista, é importante procurar um serviço de urgência, sem esperar por uma consulta de rotina.
A necessidade de atendimento é especialmente importante quando a perda auditiva aparece acompanhada de tontura intensa, zumbido repentino, dificuldade para manter o equilíbrio, dor importante ou secreção no ouvido.
Se também houver fraqueza em um lado do corpo, boca torta, fala enrolada, confusão mental ou dificuldade súbita para caminhar, é necessário acionar imediatamente o SAMU, pelo número 192, pois esses sintomas podem indicar uma emergência neurológica, como um acidente vascular cerebral (AVC).
Embora algumas pessoas recuperem parte ou toda a audição espontaneamente, não é possível prever essa evolução apenas pelos sintomas. A avaliação rápida permite diferenciar causas tratáveis, identificar alterações do ouvido interno e iniciar os cuidados necessários sem atrasos que possam comprometer a recuperação.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









