Depois de uma histerectomia, a mulher não menstrua mais e não pode engravidar, mas isso não significa necessariamente entrar na menopausa. A mudança hormonal depende principalmente dos ovários: quando eles são preservados, continuam produzindo hormônios; quando os dois também são retirados, a queda hormonal acontece de forma abrupta e pode provocar menopausa cirúrgica.
Retirar o útero altera os hormônios?
O útero não é o principal responsável pela produção de estrogênio e progesterona. Essa função pertence aos ovários. Por isso, quando a cirurgia remove apenas o útero e mantém os ovários, eles podem continuar funcionando e produzindo hormônios. O MedlinePlus explica que retirar somente o útero interrompe as menstruações, mas não provoca menopausa por si só se os ovários permanecerem.
Existe, porém, a possibilidade de a menopausa acontecer mais cedo após a histerectomia mesmo com os ovários preservados. Já quando os dois ovários são retirados antes da menopausa natural, ocorre a chamada menopausa cirúrgica, com queda rápida dos hormônios. Ondas de calor, suor noturno, alterações do sono e secura vaginal podem aparecer logo após a operação.
O que muda no corpo depois da retirada do útero?
As consequências dependem do tipo de cirurgia. A histerectomia pode retirar parte ou todo o útero e, em determinadas situações, também envolver as trompas ou os ovários. Por isso, duas mulheres submetidas à cirurgia podem perceber mudanças bastante diferentes.
Entre as alterações mais importantes estão:
- fim da menstruação: sem o útero, não existe mais endométrio para produzir o sangramento menstrual;
- fim da possibilidade de gestação: a gravidez não é mais possível após a retirada do útero;
- possíveis sintomas da menopausa: são mais esperados quando os dois ovários também são removidos;
- mudanças temporárias na região pélvica: dor, pequeno sangramento ou corrimento podem aparecer durante a recuperação;
- alterações emocionais: a cirurgia pode ser vivida com alívio por algumas mulheres e com sentimentos de perda ou tristeza por outras.

A retirada do útero muda a libido e a vida sexual?
Não existe uma única resposta. Algumas mulheres relatam melhora da vida sexual depois da recuperação, principalmente quando a cirurgia elimina sangramentos intensos ou dores que dificultavam as relações. Outras podem apresentar redução temporária do desejo, desconforto ou secura vaginal. O Tua Saúde descreve que libido, lubrificação e conforto durante a relação podem mudar de formas diferentes após a histerectomia.
A retirada dos ovários merece atenção especial porque a queda de estrogênio pode favorecer secura vaginal e dor durante a relação. Dependendo da idade, do motivo da cirurgia e do histórico de saúde, o ginecologista pode avaliar tratamentos para os sintomas da menopausa, incluindo terapia hormonal quando ela for apropriada.

Quanto tempo leva para voltar à rotina?
A recuperação varia conforme a técnica utilizada e a condição que levou à cirurgia. Segundo o NHS, uma histerectomia abdominal pode exigir cerca de 6 a 8 semanas para recuperação completa, enquanto procedimentos vaginais ou laparoscópicos costumam ter recuperação mais rápida. Caminhadas leves podem ser estimuladas precocemente, mas esforço intenso e levantamento de peso precisam ser evitados durante o período indicado pela equipe médica.
As relações sexuais normalmente devem esperar a cicatrização e o fim do sangramento ou corrimento vaginal, frequentemente por pelo menos quatro a seis semanas. Sangramento intenso, coágulos, secreção com odor forte, febre, piora importante da dor ou outros sintomas inesperados devem ser comunicados à equipe responsável pela cirurgia.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. As consequências da histerectomia dependem do tipo de cirurgia, da retirada ou preservação dos ovários e da condição de saúde de cada mulher, por isso as orientações de recuperação devem ser individualizadas pelo ginecologista.









