Perceber fios mais grossos no queixo depois da menopausa pode causar estranhamento, mas essa mudança é relativamente comum. Em muitos casos, ela acontece porque o estrogênio cai de forma mais acentuada nessa fase, enquanto os andrógenos, como a testosterona, continuam presentes e passam a exercer influência proporcionalmente maior sobre alguns folículos. Isso não significa, necessariamente, excesso de testosterona. Quando os pelos surgem rapidamente ou vêm acompanhados de sinais como voz mais grossa, porém, é importante investigar.
Por que os pelos do queixo podem aumentar depois da menopausa?
Na menopausa, os ovários reduzem de maneira importante a produção de estrogênio. Os andrógenos também podem diminuir com a idade, mas não na mesma proporção. O resultado é uma mudança no equilíbrio entre esses hormônios, deixando a ação androgênica relativamente mais evidente. Uma revisão sobre alterações dos pelos e cabelos na menopausa aponta esse desequilíbrio relativo entre estrogênio e testosterona como uma das explicações para o hirsutismo facial após essa fase.
Os andrógenos atuam nos folículos e podem favorecer a transformação de fios finos e pouco visíveis em pelos terminais, mais grossos e pigmentados. Por isso, uma penugem discreta no queixo pode se tornar mais perceptível com o passar dos anos. A queda do estrogênio também está relacionada a outras mudanças típicas da menopausa.
Ter pelos no queixo significa excesso de testosterona?
Nem sempre. Muitas mulheres com pelos faciais após a menopausa apresentam níveis de andrógenos dentro da faixa esperada. Nesses casos, a mudança pode estar mais relacionada à nova proporção entre estrogênio e andrógenos e à sensibilidade dos folículos do que a uma produção anormalmente alta de testosterona.
Quando o crescimento de pelos grossos ocorre em áreas como rosto, peito ou abdômen, ele pode ser classificado como hirsutismo. O quadro pode surgir na menopausa e estar relacionado a alterações hormonais, embora outras causas também precisem ser consideradas conforme a história de cada mulher.

Quais sinais indicam que os pelos precisam ser investigados?
Poucos fios que aparecem gradualmente ao longo dos anos costumam ter uma explicação diferente de um crescimento intenso em poucos meses. Uma revisão publicada em 2026 sobre excesso de andrógenos após a menopausa destaca que início rápido, progressão acentuada e sinais de virilização merecem avaliação médica.
Além do crescimento acelerado dos pelos, é recomendado procurar avaliação quando surgirem:
- engrossamento perceptível da voz;
- aumento rápido de pelos no rosto e no corpo;
- queda de cabelo importante associada a outros sinais hormonais;
- acne intensa de início recente;
- aumento incomum de massa muscular;
- aumento do clitóris.
Essas alterações não significam automaticamente um problema grave, mas podem levar à investigação de causas menos comuns, como hipertecose ovariana ou tumores produtores de andrógenos nos ovários ou nas glândulas adrenais.
Como o médico pode descobrir a causa?
A investigação começa pela história dos sintomas: quando os pelos apareceram, com que velocidade aumentaram e se existem outras mudanças no corpo. Também ajuda saber se já havia excesso de pelos, acne ou ciclos irregulares antes da menopausa, pois condições como a síndrome dos ovários policísticos podem continuar influenciando o quadro depois dessa fase.
Quando há suspeita de excesso hormonal, o médico pode solicitar exames de sangue, incluindo testosterona, e outras dosagens conforme os sinais encontrados. Em casos de início súbito, progressão rápida ou virilização, exames de imagem dos ovários ou das adrenais podem ser necessários. Não existe, portanto, um conjunto único de exames indicado para toda mulher com alguns pelos no queixo.

É possível remover os pelos sem tratar com hormônios?
Quando os fios são poucos e não existem sinais de alerta, métodos como pinça, cera, linha, laser ou eletrólise podem ser opções, conforme o tipo de pele e de pelo. Eles removem ou reduzem os fios, mas não modificam uma eventual causa hormonal.
Se houver hirsutismo mais intenso ou uma alteração hormonal identificada, o tratamento depende da causa e pode incluir medicamentos prescritos pelo médico. Antiandrógenos ou terapia hormonal não devem ser iniciados por conta própria apenas para controlar os pelos, porque têm contraindicações e efeitos adversos que precisam ser avaliados individualmente.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica, diagnóstico ou tratamento individualizado.









