O ressecamento íntimo é comum depois da menopausa porque a queda do estrogênio deixa os tecidos da vagina mais finos, menos elásticos e com menor lubrificação natural. Ardência, coceira e dor durante a relação podem aparecer, mas não precisam ser simplesmente suportadas. Hidratantes vaginais, lubrificantes e cuidados para evitar irritação costumam ajudar, enquanto sintomas persistentes podem precisar de tratamento prescrito pelo ginecologista.
1. Use hidratante vaginal de forma regular
O hidratante vaginal não é usado apenas no momento da relação sexual. Sua função é ajudar a manter a umidade dos tecidos durante o dia, por isso costuma ser aplicado regularmente, seguindo as orientações do produto ou do ginecologista. A The Menopause Society inclui os hidratantes vaginais entre as medidas não medicamentosas que podem reduzir o ressecamento.
É importante escolher produtos próprios para uso vaginal. Cremes hidratantes corporais e receitas caseiras não foram formulados para essa região e podem provocar irritação. O Tua Saúde também explica que a secura vaginal na menopausa está relacionada à redução do estrogênio e pode exigir diferentes formas de tratamento.
2. Use lubrificante para diminuir o atrito durante a relação
Hidratante vaginal e lubrificante têm funções diferentes. O lubrificante é usado principalmente antes ou durante a atividade sexual para reduzir o atrito, ajudando a diminuir ardência e dor. Há opções à base de água, silicone e outros componentes, e a escolha também deve considerar a compatibilidade com preservativos.
Se um produto causar queimação, coceira ou irritação, interrompa o uso. Fragrâncias e outros ingredientes podem incomodar uma mucosa que já está mais sensível. A presença de dor importante também não deve ser ignorada ou tratada apenas aumentando a quantidade de lubrificante.

3. Evite duchas vaginais e produtos perfumados
A tentativa de deixar a região “mais limpa” pode piorar justamente os sintomas. Duchas vaginais, sprays íntimos, desodorantes e sabonetes muito perfumados podem irritar os tecidos e interferir no equilíbrio natural da região. A higiene deve se concentrar na parte externa, a vulva, e ser delicada.
Para reduzir irritações, alguns cuidados simples ajudam:
- não fazer duchas dentro da vagina;
- evitar desodorantes, perfumes e lenços íntimos perfumados;
- não aplicar cremes corporais dentro da vagina;
- usar produtos suaves e sem fragrância quando houver necessidade de sabonete;
- interromper produtos que provoquem ardência ou coceira.
4. Não insista na relação quando houver dor
A secura pode aumentar o atrito e favorecer pequenas fissuras, ardência e sangramento. Por isso, não é recomendado insistir na penetração quando existe dor importante. Mais tempo de excitação, estímulos sem penetração e o uso adequado de lubrificante podem tornar a atividade sexual mais confortável, desde que não provoquem sofrimento.
A The Menopause Society ressalta que atividade sexual ou estimulação vaginal regular e sem dor pode favorecer o fluxo sanguíneo e as secreções locais. Isso não significa, porém, que manter relações seja uma obrigação ou um tratamento indispensável. O conforto e a preferência de cada mulher devem ser respeitados.

5. Converse com o ginecologista sobre estrogênio vaginal em baixa dose
Quando hidratantes, lubrificantes e mudanças nos cuidados íntimos não são suficientes, existe tratamento hormonal aplicado diretamente na vagina, disponível em diferentes apresentações. A diretriz de 2025 sobre síndrome geniturinária da menopausa destaca que o estrogênio vaginal em baixa dose possui uma das bases de evidência mais robustas para aliviar esses sintomas.
A indicação deve ser individualizada pelo ginecologista, principalmente em mulheres com histórico de câncer de mama ou outras condições que possam influenciar a escolha do tratamento. Sangramento depois da menopausa, corrimento diferente do habitual, mau cheiro, feridas, dor pélvica ou sintomas que não melhoram também precisam ser avaliados, pois nem todo desconforto íntimo nessa fase é causado apenas pela falta de estrogênio.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento individualizado realizado por um ginecologista ou outro profissional de saúde.









