Uma sensação persistente de algo preso nos olhos, vermelhidão e visão turva durante cerca de dois meses levou médicos a identificar vermes vivos nos olhos de um paciente. O caso, publicado em outubro de 2026 no New England Journal of Medicine, chama atenção para uma infecção parasitária rara chamada thelazíase. Apesar de sintomas como irritação serem muito mais frequentemente causados por problemas comuns, alterações persistentes ou acompanhadas de piora da visão precisam ser avaliadas por um oftalmologista.
O que os médicos encontraram no olho do paciente?
O relato de caso publicado no New England Journal of Medicine descreve um agricultor previamente saudável que procurou atendimento após aproximadamente dois meses com sensação de corpo estranho, vermelhidão e visão turva nos dois olhos. Durante o exame, foram encontrados nematódeos móveis nos fórnices conjuntivais, espaços localizados entre as pálpebras e o globo ocular.
O diagnóstico foi de thelazíase, infecção provocada por vermes do gênero Thelazia. O caso é incomum, mas os sintomas iniciais podem se parecer com problemas muito mais frequentes, como conjuntivite, alergia, olho seco ou presença de um pequeno corpo estranho.
Como um parasita desse tipo chega ao olho?
Segundo o CDC, a Thelazia callipaeda é um nematódeo que parasita principalmente animais, mas ocasionalmente pode infectar seres humanos. A transmissão ocorre por pequenas moscas que se alimentam das lágrimas e secreções oculares de animais infectados. Elas ingerem formas jovens do parasita e, posteriormente, podem depositar larvas no olho de outro hospedeiro enquanto voltam a se alimentar.
Isso significa que a pessoa não precisa perceber uma picada nem ter tocado diretamente em um animal parasitado. Depois de chegar à conjuntiva, a larva pode se desenvolver e o verme adulto permanecer no saco conjuntival. O CDC informa que adultos de algumas espécies podem atingir cerca de 2 centímetros.

Thelazíase é a mesma coisa que miíase ocular?
Não. Embora as duas condições envolvam parasitas no olho e possam causar sintomas parecidos, são infecções diferentes. Na thelazíase, o agente é um verme nematódeo do gênero Thelazia. Já a miíase ocular ocorre quando larvas de determinadas espécies de moscas infestam tecidos ou estruturas oculares.
Portanto, o caso recente de irritação e visão turva por meses não deve ser chamado de miíase ocular. A miíase ocular também é rara e real, mas tem outros agentes e diferentes formas de comprometimento. Em ambas as situações, tentar retirar algo do olho em casa pode causar lesões e atrasar o diagnóstico correto.
Quais sinais podem aparecer quando há um parasita no olho?
A revista Emerging Infectious Diseases, do CDC, descreve a sensação de corpo estranho, lacrimejamento, coceira e conjuntivite entre as manifestações da infecção por Thelazia. Casos mais importantes podem causar ceratite e úlcera da córnea.
Alguns sinais justificam uma avaliação oftalmológica, principalmente quando persistem ou aparecem em conjunto:
- sensação constante de areia ou corpo estranho;
- vermelhidão que não melhora;
- lacrimejamento ou coceira persistentes;
- dor ou sensibilidade à luz;
- visão turva ou redução da visão;
- sensação ou percepção de algo se movimentando no olho.

Quando é melhor procurar um oftalmologista sem demora?
Visão embaçada, dor ocular, fotofobia, vermelhidão persistente ou piora progressiva não devem ser tratadas apenas com colírios escolhidos por conta própria. O Tua Saúde orienta que irritação acompanhada de alteração da visão, dor ou inchaço seja avaliada por um oftalmologista. Esses sintomas têm muitas causas possíveis, e parasitas representam apenas uma pequena parte delas.
Quando a thelazíase é identificada, a retirada dos vermes costuma ser feita pelo profissional durante o exame, geralmente com instrumentos apropriados e, conforme o caso, irrigação da conjuntiva. O principal recado do caso não é suspeitar de parasitas diante de qualquer coceira, mas não ignorar sintomas oculares que persistem, especialmente quando a visão também muda.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Alteração ou perda da visão, dor importante, trauma ocular ou sintomas persistentes devem ser avaliados por um oftalmologista.









