Feijão pode causar estufamento e gases porque contém carboidratos que não são totalmente digeridos no intestino delgado e acabam fermentados pelas bactérias do intestino grosso. Isso não significa que seja preciso retirar o alimento do cardápio. Deixar os grãos de molho, descartar essa água antes do cozimento, cozinhar bem e ajustar a quantidade consumida podem melhorar a tolerância.
Por que o feijão pode deixar a barriga estufada?
O feijão contém oligossacarídeos, especialmente rafinose, estaquiose e verbascose. Como o organismo humano tem dificuldade para quebrar esses carboidratos no intestino delgado, parte deles chega ao cólon e serve de alimento para as bactérias da microbiota. A fermentação produz gases, podendo causar sensação de barriga cheia, flatulência e cólicas em algumas pessoas.
A intensidade varia bastante. Quantidade consumida, composição da microbiota e sensibilidade intestinal influenciam a resposta. O Tua Saúde reúne cuidados no preparo do feijão para diminuir os compostos associados aos gases, sem precisar abandonar uma leguminosa nutritiva por causa do desconforto.
1. Deixar de molho e jogar a água fora realmente ajuda?
Sim. Durante o demolho, parte dos oligossacarídeos solúveis passa do grão para a água. Por isso, deixar o feijão de molho e depois descartar esse líquido antes de colocar água limpa para cozinhar pode reduzir a quantidade desses compostos que permanece na preparação.
Uma pesquisa com feijão-carioca publicada no Journal of Nutritional Science and Vitaminology encontrou reduções de aproximadamente 25% de rafinose, 25% de estaquiose e 42% de verbascose quando os grãos foram demolhados e cozidos sem a água residual do molho. O estudo mediu a composição do alimento, portanto esses números não significam que os gases diminuam exatamente na mesma proporção em quem come o feijão.

2. Cozinhar bem o grão também faz diferença?
Depois do molho, o feijão deve ser cozido em água nova até ficar completamente macio. O processamento com água e calor ajuda a reduzir parte dos oligossacarídeos presentes nas leguminosas e também deixa o alimento com textura mais adequada para o consumo. O tempo necessário varia conforme o tipo e a idade dos grãos e o uso de panela comum ou de pressão.
Na prática, não é preciso procurar um ponto em que o feijão esteja quase desmanchando. O objetivo é evitar grãos duros ou insuficientemente cozidos e combinar o cozimento adequado com o demolho. O desconforto pode continuar mesmo com o preparo correto, porque os compostos fermentáveis não desaparecem completamente e cada intestino reage de uma maneira.
3. Começar com menos feijão pode facilitar a adaptação?
Para quem quase não come feijão ou sente muito estufamento ao aumentar a quantidade de fibras, começar com uma porção menor e aumentar gradualmente de acordo com a tolerância pode ser mais confortável do que consumir uma grande quantidade de uma só vez. Isso também facilita perceber qual porção é bem tolerada.
Em estudos nos quais adultos consumiram feijão diariamente por várias semanas, a resposta aos gases variou entre as pessoas e entre os tipos de feijão. Pesquisas anteriores também indicam que a sensação de desconforto pode diminuir com o consumo continuado, embora isso não signifique necessariamente que o intestino passe a produzir menos gás.

Quando os gases depois do feijão merecem investigação?
Formação de gases após uma refeição com feijão é comum e, isoladamente, geralmente não indica doença. Vale procurar avaliação quando o inchaço é intenso ou persistente, impede o consumo de vários alimentos ou aparece junto com dor importante, diarreia frequente, prisão de ventre persistente, sangue nas fezes ou perda de peso sem explicação.
Nessas situações, simplesmente retirar feijão, lentilha e outras leguminosas pode mascarar o problema e restringir desnecessariamente a alimentação. Um profissional pode investigar outras causas de desconforto e orientar ajustes de quantidade e preparo de acordo com a tolerância individual.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou nutricional. Sintomas digestivos intensos, persistentes ou acompanhados de sinais de alerta devem ser avaliados por um profissional de saúde.









