Depois dos 40, manchas, linhas e alterações de textura podem deixar mais visíveis os efeitos da exposição solar acumulada ao longo dos anos. Entre tantos cosméticos vendidos com promessa antienvelhecimento, o protetor solar se diferencia por ter evidência direta de que o uso regular ajuda a retardar o fotoenvelhecimento. A proteção, porém, não deveria começar aos 40: quanto mais cedo o hábito é incorporado, menor tende a ser o dano acumulado pela radiação ultravioleta.
O que o estudo australiano descobriu sobre o envelhecimento da pele?
Um ensaio clínico randomizado publicado em 2013 no Annals of Internal Medicine acompanhou 903 adultos na Austrália por cerca de quatro anos e meio. Um grupo foi orientado a usar protetor solar de amplo espectro diariamente, enquanto outro manteve o uso de acordo com seus hábitos habituais.
Ao final, o grupo do uso diário apresentou 24% menos progressão do envelhecimento da pele em comparação com quem utilizava o produto de forma discricionária. Os pesquisadores avaliaram mudanças na superfície da pele, relacionadas a alterações provocadas pelo sol. O resultado não significa que o protetor apague rugas existentes, mas mostra que pode desacelerar o acúmulo de sinais de fotoenvelhecimento.
Por que o sol envelhece a pele mesmo sem causar queimadura?
A radiação ultravioleta pode provocar alterações nas células e nas estruturas que dão sustentação à pele. Com exposições repetidas ao longo dos anos, esse dano contribui para rugas, manchas e perda de elasticidade. Por isso, não é necessário sofrer uma queimadura solar para que exista fotoenvelhecimento.
A American Academy of Dermatology recomenda protetor de amplo espectro, resistente à água e com FPS 30 ou superior. A proteção de amplo espectro é importante porque engloba tanto a radiação UVA quanto a UVB.

Quanto protetor é necessário para obter a proteção indicada?
Passar uma camada muito fina é um dos erros mais comuns. Segundo a American Academy of Dermatology, a maioria dos adultos precisa de aproximadamente 30 mL, quantidade semelhante à de um pequeno copo de dose, para cobrir toda a pele exposta do corpo. Para o rosto, a instituição recomenda quantidade suficiente para cobrir o comprimento dos dedos indicador e médio, usando como referência cerca de uma colher de chá.
Também é fácil esquecer áreas que acumulam exposição, como orelhas, pescoço, colo, dorso das mãos e pés. O Tua Saúde detalha como escolher e usar o protetor solar de acordo com o tipo de pele, além de reforçar a recomendação de FPS 30 ou superior.
Passar de manhã é suficiente para o dia inteiro?
Não quando existe exposição ao ar livre por períodos prolongados. A orientação da American Academy of Dermatology é reaplicar aproximadamente a cada duas horas enquanto a pessoa estiver fora de ambientes protegidos e novamente após nadar ou suar. Secar-se com toalha também pode remover parte do produto e exigir nova aplicação.
O protetor solar também não precisa trabalhar sozinho. Em períodos de exposição mais intensa, buscar sombra e usar chapéu, óculos e roupas que cubram a pele aumentam a proteção. Um FPS alto tampouco elimina a necessidade de reaplicação.

Começar a usar protetor depois dos 40 ainda faz diferença?
Sim. Embora a proteção desde a juventude diminua o acúmulo de dano ao longo da vida, começar depois dos 40 continua sendo útil porque novas exposições continuam acontecendo. O próprio ensaio australiano encontrou benefício em adultos de meia-idade, mostrando que adotar o hábito nessa fase ainda pode retardar a progressão do fotoenvelhecimento.
O protetor não precisa ser escolhido apenas pensando em rugas. A fotoproteção também ajuda a prevenir queimaduras e reduz danos associados ao câncer de pele. Pessoas com manchas que mudam de formato ou cor, feridas que não cicatrizam ou outras alterações suspeitas devem procurar um dermatologista em vez de tentar resolver o problema somente com produtos cosméticos.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação dermatológica. A escolha do protetor e de outros tratamentos para manchas, rugas ou alterações da pele pode ser individualizada por um profissional de saúde.









