Dois ingredientes que podiam estar presentes em esmaltes em gel e produtos para unhas artificiais foram proibidos pela Anvisa: o TPO e o DMPT. A decisão entrou na regulamentação brasileira em outubro de 2025 após evidências em animais apontarem riscos associados à exposição prolongada. O TPO foi classificado como tóxico para a reprodução e pode prejudicar a fertilidade, enquanto o DMPT foi classificado como uma substância que pode causar câncer em humanos. Isso não significa, porém, que fazer unhas em gel algumas vezes provoque infertilidade ou câncer.
Quais substâncias foram proibidas pela Anvisa?
A proibição envolve o TPO, sigla para óxido de difenil (2,4,6-trimetilbenzol) fosfina, e o DMPT, ou N,N-dimetil-p-toluidina. O primeiro funciona como fotoiniciador em determinados produtos que endurecem quando expostos à luz UV ou LED. O segundo pode ser utilizado como acelerador em alguns sistemas para unhas.
Em 29 de outubro de 2025, a Anvisa anunciou a proibição do TPO e do DMPT em cosméticos. A RDC 995/2025 foi publicada no dia seguinte e proibiu imediatamente a fabricação, importação e concessão de novos registros ou notificações de produtos com essas substâncias.
O TPO realmente pode prejudicar a fertilidade?
O TPO foi classificado como tóxico para a reprodução, com potencial para prejudicar a fertilidade. A decisão regulatória se baseou em estudos internacionais realizados em animais e adotou uma abordagem preventiva. Já o DMPT foi classificado como uma substância que pode causar câncer em humanos.
Isso exige uma distinção importante: a proibição não significa que quem já utilizou esmalte em gel terá problemas de fertilidade. A própria Anvisa esclareceu que os efeitos adversos estão relacionados principalmente a exposições repetidas e prolongadas e que contatos ocasionais ou pouco frequentes representam risco significativamente menor. Profissionais que manipulam esses produtos diariamente podem ter uma exposição maior.

Esses esmaltes ainda podem ser vendidos ou usados?
Não. Quando a regra foi criada, empresas e estabelecimentos receberam 90 dias para interromper a comercialização e o uso dos produtos que já estavam no mercado. Em março de 2026, a Anvisa informou o cancelamento de mais de 500 produtos que continham TPO ou DMPT, além da necessidade de recolhimento dos itens remanescentes.
A medida não proibiu a técnica de unhas em gel nem todos os esmaltes que precisam de luz UV ou LED. O que foi vetado foi o uso dessas duas substâncias. Segundo a Agência, elas podem ser substituídas pela indústria sem comprometer a qualidade dos cosméticos, portanto existem produtos para unhas em gel formulados sem TPO e DMPT.
Como saber se um esmalte em gel contém TPO ou DMPT?
A primeira medida é verificar a lista de ingredientes da embalagem. Como os nomes podem aparecer em inglês ou em diferentes formas químicas, alguns termos merecem atenção:
- TPO: Trimethylbenzoyl Diphenylphosphine Oxide ou Diphenyl (2,4,6-trimethylbenzoyl) phosphine oxide;
- DMPT: N,N-dimethyl-p-toluidine, Dimethyltolylamine ou Dimetil-p-toluidina.
A Anvisa disponibiliza os diferentes nomes que podem aparecer nos rótulos. Em salões, a cliente também pode pedir para conferir a embalagem do produto utilizado e evitar itens sem rótulo, procedência ou identificação adequada.

Unha em gel sem essas substâncias é totalmente livre de riscos?
Retirar TPO e DMPT elimina a exposição a esses dois ingredientes proibidos, mas não torna todo procedimento isento de cuidados. Produtos para unhas podem conter outras substâncias capazes de causar irritação ou alergia, e a remoção inadequada do gel pode enfraquecer a unha natural. O Tua Saúde explica outros cuidados relacionados ao uso e à retirada das unhas de gel.
Quem já utilizou produtos com TPO ou DMPT ocasionalmente não precisa presumir que sofreu algum dano à saúde. A medida da Anvisa é preventiva e busca reduzir principalmente a exposição repetida. Se houver preocupação específica com fertilidade, alterações persistentes nas unhas ou reações após o uso de cosméticos, a avaliação deve ser individualizada.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de sintomas, exposição ocupacional frequente ou dúvidas relacionadas à saúde reprodutiva, procure orientação de um profissional de saúde.









