Ouvir alguém dizer que não quer mais viver pode causar medo e deixar familiares e amigos sem saber o que fazer. O mais importante é levar a fala a sério, escutar sem julgamentos e não tentar resolver tudo sozinho. Perguntar diretamente sobre pensamentos de suicídio não coloca essa ideia na cabeça da pessoa. Ao contrário, uma conversa acolhedora pode abrir espaço para que ela conte o que está vivendo e receba ajuda.
1. Escute sem julgar nem tentar minimizar o sofrimento
Ofereça tempo e atenção para que a pessoa fale no ritmo dela. Frases como “você tem tudo para ser feliz”, “isso vai passar” ou comparações com problemas de outras pessoas podem fazer com que ela se sinta ainda mais incompreendida. É melhor reconhecer que o sofrimento existe e mostrar disponibilidade para permanecer ao lado dela.
O Ministério da Saúde orienta encontrar um lugar tranquilo, ouvir com a mente aberta e oferecer apoio a uma pessoa sob risco de suicídio. Falas sobre morte ou vontade de desaparecer não devem ser tratadas como chantagem ou busca por atenção.
2. Pergunte diretamente se ela pensa em suicídio
Evitar a palavra “suicídio” por medo de incentivar o ato é um erro comum. Se houver preocupação, é possível perguntar com clareza e cuidado se a pessoa está pensando em tirar a própria vida. A Organização Mundial da Saúde afirma que perguntar sobre suicídio não faz uma pessoa agir sobre esses pensamentos e pode ajudá-la a se sentir compreendida.
O objetivo não é fazer um interrogatório, mas entender a gravidade do sofrimento e abrir caminho para o cuidado. Mantenha um tom calmo e evite discutir, desafiar ou tentar provar que a pessoa “não tem motivos” para se sentir assim.

3. Não deixe a pessoa sozinha quando houver risco imediato
Se ela disser que pretende se machucar naquele momento, demonstrar risco iminente ou não conseguir se manter em segurança, não a deixe sozinha. Acione ajuda de emergência, procure um pronto-socorro ou ligue para o SAMU pelo número 192. Também pode ser necessário envolver familiares ou outras pessoas de confiança para manter companhia e apoio.
Nesse momento, procure tornar o ambiente mais seguro e reduzir o acesso a objetos ou substâncias que possam ser usados para provocar ferimentos, sem entrar em confronto ou colocar sua própria segurança em risco. O Tua Saúde também orienta, em seu conteúdo sobre como reconhecer comportamento suicida, que sinais e falas sobre tirar a própria vida precisam de atenção e ajuda profissional.
4. Ajude a chegar ao atendimento e amplie a rede de apoio
Dizer apenas “procure um psicólogo” pode ser difícil para quem está em sofrimento intenso. Uma atitude mais prática é se oferecer para marcar uma consulta, acompanhar a pessoa até uma Unidade Básica de Saúde, CAPS, psicólogo, psiquiatra ou serviço de emergência, conforme a situação.
Também vale perguntar quem mais poderia oferecer apoio e, quando necessário para proteger a vida, mobilizar pessoas de confiança. O cuidado não deve ficar concentrado em um único familiar ou amigo. Profissionais de saúde são responsáveis por avaliar o risco e indicar o acompanhamento apropriado.

5. Continue presente e 6. mostre onde buscar ajuda
O apoio não deve terminar depois da primeira conversa. Mandar uma mensagem, telefonar, visitar ou perguntar como a pessoa está nos dias seguintes pode ajudar a diminuir o isolamento. Não é preciso encontrar as palavras perfeitas. Estar disponível, ouvir novamente e incentivar a continuidade do tratamento já são atitudes importantes.
No Brasil, o Centro de Valorização da Vida atende gratuitamente pelo número 188, 24 horas por dia, oferecendo apoio emocional de forma sigilosa. O CVV também oferece outros canais de conversa, mas não substitui um serviço de emergência. Se houver risco imediato de suicídio, a prioridade é permanecer com a pessoa e procurar atendimento urgente pelo SAMU 192, UPA ou pronto-socorro.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação ou atendimento de um profissional de saúde. Em situações de risco imediato à vida, procure um serviço de emergência.









