A expressão “barriga da menopausa” é informal, mas descreve uma mudança que realmente pode acontecer: durante a transição menopausal, a gordura tende a se redistribuir para a região abdominal, inclusive ao redor dos órgãos. A queda do estrogênio participa desse processo, embora envelhecimento, alimentação, atividade física, sono e genética também tenham influência. Esse acúmulo merece atenção porque a gordura visceral está relacionada a maior risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.
Por que a barriga pode aumentar mesmo sem grande mudança na balança?
Antes da menopausa, o estrogênio participa da regulação do tecido adiposo e influencia onde a gordura é armazenada. Quando seus níveis diminuem, torna-se mais comum uma distribuição mais central, com maior concentração no abdômen. Isso pode acontecer mesmo sem uma grande alteração no peso corporal.
Uma revisão publicada na Nature Reviews Endocrinology explica que a redução do estrogênio na menopausa favorece o depósito de gordura nas vísceras e aumenta o risco cardiometabólico. Isso não significa que toda mulher ganhará barriga nem que a menopausa seja a única responsável pelo ganho de peso, já que as mudanças relacionadas à idade também têm participação importante.
O que é a gordura visceral e por que ela preocupa?
A gordura que conseguimos pinçar na barriga é principalmente subcutânea, localizada abaixo da pele. A gordura visceral fica mais profundamente, dentro da cavidade abdominal e ao redor de órgãos como fígado, intestino e pâncreas. Em excesso, ela está relacionada a resistência à insulina, alterações metabólicas e maior risco cardiovascular.
O conteúdo do Tua Saúde sobre gordura visceral explica sua relação com diabetes tipo 2, pressão alta, infarto e AVC. A cintura pode aumentar com o acúmulo desse tecido, mas uma fita métrica não consegue determinar exatamente quanto da gordura abdominal é visceral.

Como medir a cintura em casa?
A circunferência da cintura é uma medida simples que ajuda a acompanhar a gordura abdominal e o risco metabólico. Para reduzir erros, procure usar sempre o mesmo método e medir em condições semelhantes.
- Fique em pé, com o abdômen relaxado.
- Coloque uma fita métrica ao redor da cintura, mantendo-a paralela ao chão.
- A fita deve ficar ajustada à pele, mas sem apertar ou comprimir o abdômen.
- Faça a leitura depois de soltar o ar normalmente, sem prender a respiração ou encolher a barriga.
- Anote o resultado e use o mesmo ponto de referência nas medições seguintes.
O CDC orienta medir a cintura com a fita posicionada logo acima dos ossos do quadril e registrar o valor após a expiração. Diferentes protocolos podem usar pontos anatômicos ligeiramente distintos, por isso comparar medidas feitas sempre da mesma maneira é mais útil do que mudar o método a cada vez.
Treino de força ajuda a controlar essa mudança?
Sim, mas não existe exercício capaz de eliminar gordura apenas da barriga. O treino de força ganha importância na menopausa porque ajuda a preservar ou aumentar a massa muscular, que também tende a diminuir com a idade. Caminhada rápida, bicicleta, natação e outras atividades aeróbicas complementam os benefícios para a saúde cardiovascular e o gasto energético.

Alimentação e sono também fazem diferença?
A alimentação não precisa ser baseada em dietas extremas. Priorizar verduras, legumes, frutas, feijões, cereais integrais, fontes adequadas de proteína, peixes, oleaginosas e gorduras insaturadas ajuda a montar um padrão alimentar sustentável. Ao mesmo tempo, reduzir o excesso de bebidas açucaradas, álcool e alimentos ultraprocessados facilita o controle do consumo de energia.
O sono também entra nessa equação. Dormir pouco ou mal está associado a alterações do apetite, metabolismo e maior adiposidade abdominal, embora isso não signifique que melhorar o sono sozinho faça a gordura visceral desaparecer. Se a cintura estiver aumentando rapidamente, houver ganho de peso difícil de explicar ou surgirem alterações de glicose, colesterol ou pressão, vale conversar com um profissional de saúde para avaliar o risco metabólico como um todo.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica, diagnóstico ou tratamento individualizado.









