Angina e infarto podem causar aperto, pressão ou dor no peito e até irradiar para o braço, pescoço, mandíbula ou costas, mas não significam exatamente a mesma coisa. Na angina, o músculo do coração recebe menos sangue e oxigênio do que precisa, sem que isso necessariamente provoque morte das células cardíacas. No infarto, a redução do fluxo é suficientemente intensa ou prolongada para causar lesão e morte de parte do músculo. Como os sintomas podem ser muito parecidos, uma dor nova, diferente ou persistente não deve ser diferenciada em casa.
O que acontece no coração durante uma angina?
A angina é um sintoma de isquemia, ou seja, de uma oferta insuficiente de sangue rico em oxigênio para o músculo cardíaco. O National Heart, Lung, and Blood Institute explica que a angina aparece quando parte do coração não recebe sangue rico em oxigênio em quantidade suficiente. Uma causa frequente é o estreitamento das artérias coronárias pela aterosclerose.
Na chamada angina estável, existe um padrão relativamente previsível. O desconforto pode surgir quando o coração precisa trabalhar mais, como durante esforço físico ou estresse, e costuma melhorar após alguns minutos de repouso ou com o medicamento previamente prescrito pelo médico. O conteúdo do Tua Saúde sobre angina explica os diferentes tipos, sintomas e causas da redução do fluxo sanguíneo para o coração.
E o que muda quando acontece um infarto?
No infarto, também chamado de infarto agudo do miocárdio, o problema vai além da falta temporária de oxigênio. Geralmente existe uma redução importante ou interrupção do fluxo em uma artéria coronária. Se essa situação se prolonga, as células do músculo cardíaco começam a sofrer lesão e podem morrer.
A American Heart Association explica que, quando o fluxo de sangue e oxigênio é reduzido ou interrompido por tempo suficiente, parte do músculo cardíaco começa a morrer. Por isso, o infarto é uma emergência em que restaurar a circulação rapidamente pode limitar a extensão do dano.

Os sintomas conseguem mostrar se é angina ou infarto?
Nem sempre. Tanto angina quanto infarto podem causar pressão, peso, aperto ou queimação no peito, além de falta de ar, suor, náusea, tontura ou desconforto que se espalha para outras regiões. Algumas pessoas, especialmente mulheres e idosos, podem apresentar manifestações menos típicas.
De forma geral, alguns padrões ajudam a entender a diferença:
- angina estável: costuma aparecer em situações semelhantes, como esforço, e melhorar com repouso ou com a medicação orientada pelo médico;
- angina instável: pode surgir em repouso, aparecer pela primeira vez, ficar mais frequente, mais forte ou durar mais que o padrão habitual;
- infarto: pode provocar dor persistente e não melhorar com repouso, mas nem todo infarto produz uma dor intensa ou típica.
Essas características servem para compreender os quadros, não para fazer autodiagnóstico. No hospital, eletrocardiograma e exames de sangue, incluindo marcadores de lesão cardíaca como a troponina, ajudam a diferenciar uma angina instável de um infarto.
Quando uma angina passa a ser uma emergência?
Uma mudança no padrão habitual precisa ser levada a sério. A American Heart Association considera a angina instável uma emergência e orienta atenção para desconforto novo, progressivamente pior ou persistente, inclusive quando surge em repouso. Isso acontece porque o quadro pode anteceder ou estar relacionado a um infarto.
Quem já tem diagnóstico de angina não deve assumir que toda nova dor é apenas mais uma crise. Dor no peito em repouso, sintomas que aparecem com esforços menores do que antes, episódios mais frequentes ou desconforto que não melhora como de costume exigem atendimento imediato. O mesmo vale para dor acompanhada de falta de ar importante, suor frio, náusea, desmaio ou mal-estar intenso.

Por que não é seguro esperar a dor passar?
Não existe uma maneira confiável de confirmar em casa se a dor é angina ou infarto. Além disso, uma pessoa com angina estável pode desenvolver uma síndrome coronariana aguda posteriormente. Diante de um quadro novo ou diferente do habitual, procurar atendimento permite realizar os exames necessários e iniciar rapidamente o tratamento caso exista obstrução importante de uma artéria.
Em caso de suspeita de infarto ou dor no peito nova, forte, persistente ou associada a sinais de alarme, procure atendimento de emergência imediatamente. Não espere os sintomas piorarem para pedir ajuda.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizado por um profissional de saúde.









