Perder algumas gotas de urina ao tossir, espirrar, rir ou fazer esforço é um quadro conhecido como incontinência urinária de esforço. Quando esse é o problema, o treinamento dos músculos do assoalho pélvico, popularmente chamado de exercício de Kegel, está entre as primeiras medidas de tratamento recomendadas. Depois da menopausa, alterações hormonais podem se somar ao envelhecimento, a gestações anteriores e a outros fatores que afetam a sustentação da bexiga e da uretra.
Por que o Kegel é um dos primeiros passos contra o escape?
Os músculos do assoalho pélvico ajudam a sustentar órgãos como a bexiga e participam do controle da uretra. Quando essa musculatura não consegue responder adequadamente ao aumento da pressão no abdômen, pode ocorrer escape de urina durante uma tosse, espirro, risada, corrida ou levantamento de peso.
O serviço de saúde britânico NHS inclui o treinamento do assoalho pélvico entre os primeiros tratamentos não cirúrgicos para a incontinência urinária. O programa costuma durar pelo menos três meses e deve ser ajustado à capacidade de contração de cada pessoa. Quando necessário, um fisioterapeuta especializado em saúde pélvica pode avaliar se a musculatura está sendo ativada corretamente.
O que a menopausa tem a ver com a perda de urina?
A queda do estrogênio pode provocar mudanças nos tecidos da vagina, uretra e bexiga. A The Menopause Society explica que a deficiência de estrogênio está relacionada a alterações geniturinárias e pode vir acompanhada de sintomas como urgência para urinar, aumento da frequência e episódios de incontinência.
Isso não significa que a menopausa seja a única causa do escape. Partos vaginais, envelhecimento, excesso de peso, constipação, tosse crônica, cirurgias e características individuais também podem contribuir. Por isso, nem toda perda urinária depois da menopausa deve ser atribuída apenas aos hormônios.

Como identificar os músculos certos para fazer Kegel?
O exercício funciona melhor quando a mulher consegue contrair o assoalho pélvico sem compensar com abdômen, coxas ou glúteos. A sensação é semelhante a tentar segurar gases e, ao mesmo tempo, fechar a região vaginal, fazendo um movimento de contração e elevação para dentro.
Algumas pistas podem ajudar a reconhecer a musculatura:
- imaginar que está tentando impedir a saída de gases;
- sentir a região da vagina e do ânus subir levemente durante a contração;
- manter abdômen, pernas e glúteos relaxados;
- continuar respirando normalmente durante o exercício;
- relaxar completamente a musculatura entre uma contração e outra.
O conteúdo do Tua Saúde sobre como fazer exercícios de Kegel explica que interromper o jato urinário pode ser usado apenas como uma forma pontual de reconhecer os músculos. Fazer isso repetidamente durante a micção não deve virar exercício diário, pois pode interferir no esvaziamento adequado da bexiga.
É só contrair os músculos várias vezes ao dia?
Regularidade é importante, mas fazer muitas contrações não significa necessariamente ter resultados melhores. O treinamento precisa envolver contração e relaxamento adequados, e algumas mulheres têm dificuldade para reconhecer o movimento correto. O próprio NHS orienta que um programa de fortalecimento seja baseado em uma avaliação da capacidade de contrair o assoalho pélvico.
A fisioterapia pélvica pode ser especialmente útil quando a mulher não sabe se está contraindo corretamente, sente dor ou não percebe melhora. O Tua Saúde explica que a fisioterapia para incontinência urinária pode incluir exercícios do assoalho pélvico e outras técnicas de acordo com a avaliação. O tratamento também depende do tipo de incontinência, já que escapes provocados por urgência podem exigir estratégias diferentes.

Quando o escape de urina merece avaliação?
Perdas frequentes, que estão aumentando ou que fazem a mulher evitar exercícios, viagens ou atividades sociais devem ser avaliadas. Também é indicado procurar atendimento diante de dor ou ardor para urinar, sangue na urina, febre, dificuldade para esvaziar a bexiga ou urgência urinária intensa. Identificar o tipo de incontinência é importante para escolher o tratamento mais adequado, em vez de depender apenas do Kegel.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou acompanhamento com fisioterapeuta especializado.








