Não há prova de que tomar vitamina D de manhã seja melhor do que à noite, ou o contrário. O detalhe que faz diferença é outro: tomar o suplemento junto com uma refeição que tenha alguma gordura, já que a vitamina é absorvida com ela. Escolher a refeição mais completa do dia e manter a regularidade costuma ser a estratégia mais eficaz.
Por que a gordura faz diferença?
A vitamina D é lipossolúvel, ou seja, se dissolve em gordura e não em água. No intestino, ela precisa da bile e das gorduras da refeição para ser absorvida e chegar ao sangue.
Por isso, tomar o comprimido em jejum, com um copo de água ou apenas com café, pode reduzir o aproveitamento. Não é preciso uma refeição muito gordurosa: um almoço com azeite, ovos, carnes, peixes, abacate ou castanhas já ajuda.

O que um estudo mostrou sobre a refeição?
O efeito de mudar o momento da tomada foi observado em pacientes reais. Segundo uma pesquisa publicada no Journal of Bone and Mineral Research em 2010, médicos da Cleveland Clinic, nos Estados Unidos, orientaram 17 pacientes com média de 64 anos, que não respondiam bem à suplementação, a tomar a vitamina D junto com a maior refeição do dia, sem mudar a dose.
Depois de dois a três meses, os níveis de vitamina D no sangue subiram em média 56,7%, passando de cerca de 30 para 47 ng/mL. O estudo foi pequeno e não teve grupo de comparação, mas o resultado reforça a recomendação de tomar o suplemento com comida.
Tomar à noite atrapalha o sono?
Há especulações de que a vitamina D poderia interferir na melatonina, o hormônio do sono, mas não existem provas sólidas disso. Algumas pessoas relatam dormir pior quando tomam à noite e preferem a manhã ou o almoço. Se for o seu caso, basta mudar o horário.
Para quem toma doses semanais ou mensais prescritas pelo médico, a mesma regra vale: tomar junto com uma refeição.
Quem tem mais risco de deficiência?
- Pessoas acima de 60 anos, que produzem menos vitamina D na pele;
- Quem passa pouco tempo ao sol ou usa roupas que cobrem quase todo o corpo;
- Pessoas com pele mais escura, que precisam de mais tempo de sol;
- Pessoas com obesidade, já que a vitamina fica retida no tecido gorduroso;
- Quem fez cirurgia bariátrica ou tem doenças que prejudicam a absorção de gordura;
- Pessoas com osteoporose ou que usam corticoides por muito tempo.
A alimentação contribui pouco, mas peixes como sardinha e salmão, ovos e leite fortificado ajudam. Vale conhecer os alimentos ricos em vitamina D.

Excesso também faz mal
Como a vitamina D se acumula no corpo, doses muito altas tomadas sem acompanhamento podem elevar o cálcio no sangue e causar náusea, sede intensa, confusão, pedras nos rins e problemas no coração. Por isso, a dose deve ser definida pelo médico com base no exame de 25-hidroxivitamina D.
Regularidade e refeição certa
O melhor horário é aquele que a pessoa consegue manter todos os dias, de preferência junto ao almoço ou ao jantar. Como mostrou o estudo americano, essa simples mudança pode melhorar a absorção. Exposição moderada ao sol, com os cuidados para a pele, continua sendo a principal fonte natural da vitamina.
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um médico ou nutricionista. Não tome doses altas de vitamina D sem exames e acompanhamento.








