A sarna humana, ou escabiose, é uma infestação da pele causada por um ácaro microscópico que provoca coceira intensa, principalmente à noite. Ela passa de pessoa para pessoa pelo contato próximo e se espalha com facilidade em casas, escolas, creches e asilos. Um caso recente em Atibaia, no interior de São Paulo, levou ao afastamento de dezenas de alunos e funcionários de uma escola municipal.
O que aconteceu na escola de Atibaia?
A Prefeitura de Atibaia informou em outubro de 2026 o afastamento de 54 pessoas, sendo 41 alunos e 13 funcionários, da Escola Municipal Prefeito Walter Engrácia de Oliveira, por suspeita de escabiose. No balanço seguinte, o número subiu para 71 pessoas, com 51 alunos e 20 funcionários.
Equipes de Vigilância Epidemiológica e Sanitária visitaram a escola para avaliar o ambiente e orientar sobre limpeza e higiene das mãos. A prefeitura destacou que nem todos os afastados tinham diagnóstico confirmado.

O que causa a sarna humana?
A doença é causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei, que cava pequenos túneis na camada superficial da pele para depositar ovos. A coceira é uma reação alérgica do corpo ao ácaro e às suas fezes.
Na primeira infestação, os sintomas podem demorar de duas a seis semanas para surgir. Nesse período, a pessoa já transmite o ácaro sem saber, o que explica a rapidez dos surtos em locais coletivos.
A escabiose é comum no Brasil?
A doença não é de notificação obrigatória em casos isolados, por isso faltam números nacionais. Segundo uma pesquisa publicada no Journal of the American Academy of Dermatology em 2009, pesquisadores da Universidade Federal do Ceará examinaram de porta em porta os moradores de uma comunidade rural pobre de Alagoas, em duas épocas do ano.
O estudo encontrou sarna em quase 10% da população da comunidade, chegando a 18% entre crianças menores de 4 anos. Idade abaixo de 15 anos e o hábito de compartilhar roupas estiveram entre os principais fatores de risco, e a transmissão ocorreu o ano todo.
Quais são os sintomas da escabiose?
Os sinais mais comuns incluem:
- Coceira intensa, que piora à noite e após o banho quente;
- Pequenas bolinhas avermelhadas e linhas finas onduladas, que são os túneis do ácaro;
- Lesões entre os dedos, nos punhos, cotovelos, axilas, cintura, nádegas, mamas e genitais;
- Em bebês, lesões nas palmas, nas solas dos pés e no couro cabeludo;
- Várias pessoas da mesma casa ou turma com coceira ao mesmo tempo.
Em idosos e pessoas com imunidade baixa pode surgir a sarna crostosa, com crostas grossas e milhares de ácaros, muito mais contagiosa.

Como é feito o tratamento?
O tratamento é indicado pelo médico e geralmente envolve loção de permetrina aplicada no corpo todo ou ivermectina em comprimido, com repetição após cerca de uma semana. O ponto mais importante é tratar todos os contatos da casa ao mesmo tempo, mesmo sem sintomas. Para conhecer as opções, vale ver os remédios usados para tratar a sarna humana.
A coceira pode continuar por até quatro semanas após o tratamento, sem significar falha. Crianças costumam voltar à escola 24 horas depois da primeira aplicação, conforme orientação médica.
Como evitar que a sarna se espalhe
Roupas, toalhas e lençóis usados nos três dias anteriores ao tratamento devem ser lavados em água quente, acima de 50 °C, ou guardados em saco plástico fechado por pelo menos 72 horas. Não é necessário dedetizar a casa. Em escolas e instituições, como no caso de Atibaia, a comunicação rápida com a vigilância de saúde permite tratar todos os envolvidos e interromper o surto.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico. Diante de coceira intensa e persistente, procure atendimento para confirmar o diagnóstico antes de usar qualquer remédio.








