Por muito tempo, os ovários foram vistos como órgãos que simplesmente “desligam” depois da menopausa. Um novo estudo com tecido de 28 mulheres mostrou o contrário: mesmo décadas após a última menstruação, os ovários seguem biologicamente ativos, passando por remodelação e aumento de inflamação com a idade. Os pesquisadores ainda não sabem se essas mudanças protegem ou prejudicam a saúde, mas o achado abre novas perguntas sobre o envelhecimento feminino.
O que acontece com os ovários na menopausa?
Na menopausa, os ovários deixam de liberar óvulos e reduzem muito a produção de estrogênio e progesterona. Isso causa sintomas como ondas de calor, alterações do sono, secura vaginal e perda de massa óssea.
Já se sabia, porém, que os ovários continuam produzindo pequenas quantidades de hormônios androgênicos, como a testosterona, que o corpo pode converter em estrogênio em outros tecidos. O novo estudo mostra que a atividade vai além dos hormônios.

O que o estudo descobriu?
A pesquisa analisou o ovário de mulheres em diferentes fases após a menopausa. Segundo um estudo publicado na revista Aging Cell em 2026, cientistas da Universidade Northwestern e do Buck Institute for Research on Aging, nos Estados Unidos, examinaram as proteínas do tecido ovariano saudável de 28 mulheres de 50 a 75 anos.
Os pesquisadores observaram que o ovário segue ativo e se remodela por décadas após a menopausa. Nas mulheres mais jovens do grupo, predominavam proteínas ligadas à manutenção das células, enquanto nas mais velhas havia mais sinais de inflamação, atividade imunológica e renovação do tecido.
Um papel parecido com o do sistema imune
Um trabalho anterior do mesmo grupo, feito com camundongos e publicado na Molecular Human Reproduction, já tinha mostrado que, após a fase reprodutiva, os ovários passam a acumular células de defesa, como macrófagos e linfócitos. Os autores descreveram uma transição de órgão reprodutivo para um órgão com características de tecido inflamatório e imunológico.
O estudo em mulheres também encontrou uma ligação molecular entre o envelhecimento do ovário e vias associadas ao câncer, o que pode ajudar no futuro a entender o câncer de ovário, mais comum após os 50 anos.
O que isso muda para as mulheres hoje?
Por enquanto, nada muda na prática clínica. Os autores destacam que o estudo não responde se ovários saudáveis devem ou não ser retirados em cirurgias após a menopausa, como às vezes acontece junto da retirada do útero. Essa decisão continua sendo individual e deve ser discutida com o ginecologista, considerando histórico familiar, riscos e benefícios.
A pesquisa também foi pequena e não acompanhou a saúde das participantes ao longo do tempo, por isso não mostra se a inflamação nos ovários influencia doenças do coração, dos ossos ou outras condições.

Como cuidar da saúde depois da menopausa?
- Manter consultas ginecológicas regulares, mesmo sem menstruar;
- Procurar o médico diante de sangramento vaginal, inchaço abdominal persistente ou dor pélvica;
- Fazer exercícios de força e manter cálcio e vitamina D adequados para proteger os ossos;
- Controlar pressão, colesterol e glicose, que tendem a subir nessa fase;
- Conversar com o médico sobre terapia hormonal quando os sintomas atrapalham a vida.
Antes de usar qualquer produto, vale conhecer, com orientação profissional, os suplementos usados na menopausa e seus limites.
Um órgão que não se aposenta
O estudo americano reforça que o corpo feminino continua mudando muito depois do fim da menstruação. Entender o papel dos ovários nessa fase pode, no futuro, ajudar a prevenir doenças e orientar decisões cirúrgicas com mais segurança.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um ginecologista. Sangramento após a menopausa ou inchaço abdominal persistente devem ser investigados.









