Perceber que o café, as frutas ou a comida favorita ficaram praticamente sem gosto depois de um resfriado pode causar estranhamento. Embora pareça uma alteração do paladar, muitas vezes o problema está no nariz. Isso acontece porque grande parte da experiência de sentir o sabor dos alimentos depende dos aromas que chegam ao olfato durante a mastigação. Quando o nariz está congestionado ou o olfato fica prejudicado por uma infecção respiratória, os alimentos podem parecer sem sabor, mesmo que a língua continue reconhecendo os gostos básicos. Na maioria dos casos, essa alteração melhora com a recuperação, mas nem sempre desaparece imediatamente.
Por que o nariz influencia tanto o sabor da comida?
A língua consegue identificar cinco gostos básicos: doce, salgado, azedo, amargo e umami, relacionado ao sabor de alimentos como carnes e alguns queijos. Entretanto, reconhecer o sabor característico de um café, uma maçã ou uma laranja depende também do olfato. Durante a mastigação, pequenas moléculas aromáticas são liberadas e chegam à região responsável por detectar cheiros por uma passagem que conecta a garganta ao nariz.
Quando essa passagem fica prejudicada pela congestão nasal, parte das informações que ajudam o cérebro a identificar os alimentos deixa de chegar normalmente. Por isso, a pessoa ainda pode perceber que uma fruta é doce, mas ter dificuldade para reconhecer seu sabor característico. Essa diferença explica por que algumas pessoas acreditam ter perdido o paladar quando, na realidade, apresentam uma redução do olfato.

O resfriado pode prejudicar o olfato mesmo depois de melhorar?
Sim. Durante resfriados e outras infecções respiratórias, a inflamação da mucosa nasal pode dificultar a passagem dos aromas até os receptores responsáveis pelo olfato. Além disso, algumas infecções virais podem provocar alterações no funcionamento do sistema olfatório, fazendo com que a dificuldade para sentir cheiros continue mesmo depois que o nariz deixa de ficar entupido.
Segundo o Instituto Nacional de Surdez e Outros Distúrbios da Comunicação dos Estados Unidos (NIDCD), o olfato e o paladar trabalham juntos para formar a percepção dos sabores. O órgão explica que resfriados, infecções respiratórias e inflamações dos seios da face estão entre as causas comuns das alterações do olfato, e que algumas pessoas recuperam essa capacidade conforme a doença melhora.
Essas alterações podem se manifestar de diferentes maneiras:
- Olfato reduzido: dificuldade para perceber cheiros que antes eram facilmente reconhecidos.
- Perda completa do olfato: incapacidade de sentir odores, mesmo quando são intensos.
- Cheiros distorcidos: alimentos e objetos conhecidos passam a apresentar odores diferentes ou desagradáveis.
- Sensação de comida sem gosto: dificuldade para identificar os sabores característicos dos alimentos, apesar de ainda perceber gostos básicos.
O que fazer quando os alimentos parecem sem sabor?
Quando a alteração aparece durante um resfriado, é importante observar sua evolução conforme os outros sintomas respiratórios melhoram. Manter uma boa hidratação, evitar o cigarro e cuidar da congestão nasal com orientação adequada podem contribuir para o conforto durante a recuperação. Não é recomendado utilizar descongestionantes nasais por períodos prolongados sem orientação médica.
Também vale prestar atenção na alimentação. Como a comida pode parecer menos saborosa, algumas pessoas começam a adicionar sal ou açúcar em excesso para compensar. Uma alternativa é valorizar diferentes texturas, temperaturas e temperos naturais, respeitando eventuais restrições alimentares.
Quando a perda de olfato persiste após a infecção, o médico pode avaliar a necessidade de tratamentos específicos, incluindo o treinamento olfatório, que utiliza a exposição repetida e orientada a aromas conhecidos para estimular a recuperação. Entretanto, o resultado varia conforme a causa e a duração do problema.

Quando a perda de olfato precisa ser investigada?
Uma redução temporária do olfato durante um resfriado é relativamente comum. Entretanto, quando a dificuldade para sentir cheiros persiste por algumas semanas depois da melhora dos sintomas respiratórios, surge sem explicação ou piora progressivamente, é importante procurar avaliação médica. O otorrinolaringologista pode examinar o nariz, investigar inflamações, obstruções e outras possíveis causas.
A avaliação também merece atenção quando existem obstrução persistente de apenas uma narina, sangramentos nasais recorrentes ou dores de cabeça incomuns. Se a alteração começar depois de uma pancada na cabeça, é importante procurar atendimento. Já uma perda súbita do olfato acompanhada de fraqueza de um lado do corpo, dificuldade para falar ou alterações neurológicas repentinas exige atendimento de emergência.
Além das infecções respiratórias, outras causas de perda de olfato incluem alergias, pólipos nasais, determinados medicamentos e alterações relacionadas ao envelhecimento. Por isso, não é adequado atribuir automaticamente toda mudança persistente a um resfriado anterior.
O olfato também ajuda a identificar fumaça, vazamentos de gás e alimentos estragados. Enquanto estiver com essa capacidade reduzida, é importante manter detectores de fumaça e gás funcionando, quando disponíveis, e não utilizar apenas o cheiro para avaliar a conservação dos alimentos.
Embora muitos casos melhorem com o tempo, a recuperação pode ser gradual e variar de pessoa para pessoa. Identificar a origem da alteração é importante tanto para orientar o tratamento quanto para evitar que uma perda persistente seja ignorada.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









